{"id":6050,"date":"2011-07-29T23:19:14","date_gmt":"2011-07-30T02:19:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=6050"},"modified":"2011-07-29T23:19:14","modified_gmt":"2011-07-30T02:19:14","slug":"sobrevivente-de-realengo-contraria-medicos-e-ensaia-primeiros-movimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2011\/07\/29\/sobrevivente-de-realengo-contraria-medicos-e-ensaia-primeiros-movimentos\/","title":{"rendered":"Sobrevivente de Realengo contraria m\u00e9dicos e ensaia primeiros movimentos"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong>Por: Fab\u00edola Ortiz<br \/>\nEspecial para o UOL Not\u00edcias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ela foi a \u00faltima estudante a receber alta no hospital, dia 14 de junho, ap\u00f3s a trag\u00e9dia na escola Tasso da Silveira, em Realengo, zona norte do Rio de Janeiro, que ocorreu em 7 de abril. Foram quase dois meses e meio de interna\u00e7\u00e3o no hospital estadual Ad\u00e3o Pereira Nunes com um per\u00edodo de coma induzido e 12 dias no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Hoje, depois de um m\u00eas e meio em casa, Thayane Tavares Monteiro, de 14 anos, anda de cadeira de rodas mas contraria a expectativa de muitos m\u00e9dicos de que n\u00e3o voltaria mais a andar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A estudante Thayane Tavares Monteiro, 14, foi ferida no massacre de Realengo e perdeu os movimentos. Mas ela contraria a expectativa de muitos m\u00e9dicos de que n\u00e3o voltaria mais a andar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Thayane vive com sua m\u00e3e Andreia, 32, e suas 2 irm\u00e3s, Tainara, 7, e Tamires, 12. Andr\u00e9ia deixou de trabalhar com costura e acompanha a filha 24 horas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com intenso trabalho de fisioterapia, seis vezes por semana com profissionais no Into e com fisioterapia em casa, Thayane, que rec\u00e9m completou 14 anos dia 25 de julho, j\u00e1 consegue mexer os dedinhos do p\u00e9, e come\u00e7a a ter algum movimento suave nas pernas. Ela afirma ter alguma sensibilidade em partes da perna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cQuanto mais eu fa\u00e7o fisioterapia, mais evolu\u00e7\u00e3o eu tenho. Faz umas tr\u00eas semanas numa fisioterapia que comecei a mexer os dedinhos. Na medida do poss\u00edvel eu estou bem. \u00c9 \u00f3timo estar em casa de novo, mas tem vezes que d\u00e1 vontade de falar \u2018ai desisto\u2019. Parece que n\u00e3o vou conseguir andar nunca. Quando eu estou pra baixo, fico irritada, n\u00e3o quero falar com ningu\u00e9m. Eu penso \u2018ai que inferno a minha vida, queria morrer\u2019\u201d, desabafa Thayane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O momento mais dif\u00edcil para a adolescente que sonhava ser atleta foi saber que n\u00e3o sairia do hospital andando. \u201cEu n\u00e3o estava sentindo mais as minhas pernas. Os m\u00e9dicos fizeram uma tomografia e falaram que j\u00e1 era, n\u00e3o voltava mais. \u2018Voc\u00ea n\u00e3o tem mais chance de voltar a andar\u2019. Eu chorei tanto. Ele (o m\u00e9dico) disse que em cinco degraus, se eu subisse um seria muito\u201d, disse ao UOL Not\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas a determina\u00e7\u00e3o e a vontade da adolescente de voltar a andar e retomar a sua rotina de ir a p\u00e9 para a escola de manh\u00e3, frequentar o projeto de atletismo para crian\u00e7as e adolescentes no Instituto Ideal Brasil em Sulacap, e iniciar o curso de ingl\u00eas \u00e9 o que tem motivado Thayane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta quarta-feira (27), ela viveu um momento emocionante, com a ajuda do fisioterapeuta, conseguiu ficar em p\u00e9 com as talas amarradas \u00e0s suas pernas que a sustentavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cHoje foi a primeira vez que fiquei em p\u00e9. A sensa\u00e7\u00e3o foi como se a qualquer momento eu fosse levantar e andar. Colocaram uma tala e me deixam em p\u00e9 na prancha me segurando. D\u00f3i muito, \u00e9 o peso do tronco na perna. Eu perdi toda a for\u00e7a na perna, d\u00f3i o quadril, chorei muito hoje\u201d, contou. Mas apesar do esfor\u00e7o e das dores, diz ter sido um momento especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aos poucos Thayane tenta se adaptar \u00e0 nova condi\u00e7\u00e3o depois da trag\u00e9dia na escola Tasso da Silveira, onde estudava h\u00e1 apenas um ano e cursava a oitava s\u00e9rie. Ela vive com sua m\u00e3e, Andr\u00e9ia Tavares Monteiro, 32, o padrasto e suas duas irm\u00e3s menores, Tainara, 7, e Tamires, 12. Os cinco vivem num vila de casas em Realengo e dividem um \u00fanico c\u00f4modo no t\u00e9rreo da casa que est\u00e1 em reformas. As dificuldades come\u00e7am na pr\u00f3pria casa que n\u00e3o \u00e9 adaptada, assim como o banheiro que \u00e9 apertado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ela ganhou uma cadeira de rodas nova e tamb\u00e9m uma especial para o banho. Mas a locomo\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 dif\u00edcil, pois a fam\u00edlia est\u00e1 sem carro e depende do transporte p\u00fablico que afirma ser bastante prec\u00e1rio para receber um cadeirante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u2018Vi todo mundo morrendo\u2019<\/strong><br \/>\nDesde que recebeu alta, a adolescente n\u00e3o voltou mais para a escola. Ela diz que sente falta dos estudos, mas o trauma ainda \u00e9 muito grande e n\u00e3o pensa em retornar para a Tasso da Silveira. Ela afirma que s\u00f3 volta a estudar quando recuperar os movimentos. \u201cN\u00e3o quero ir para a escola na cadeira de rodas, (se tiver que ir) eu vou andando como eu fui naquele dia com as minhas pernas. Chego a passar mal na escola. Com o trauma que eu tenho agora, eu n\u00e3o quero mais voltar\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia 7 de abril, por volta das 8h, o ex-aluno da escola municipal de Realengo, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, entrou no col\u00e9gio armado com um rev\u00f3lver de calibres 32 e outro de calibre 38, e invadiu duas salas fazendo dezenas de disparos contra estudantes que assistiam \u00e0s aulas. Doze morreram e outros 12 ficaram feridos. Thayane foi uma das poucas que viu quase toda a a\u00e7\u00e3o do atirador. Ela estava numa das salas que Wellington invadiu no terceiro andar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEu vi todo mundo morrendo na minha frente. Vi que ele saiu atirando em todas as garotas. Lembro como ele estava vestido. Ele entrou atirando j\u00e1 (na sala). Eu via e n\u00e3o acreditava. Para mim, n\u00e3o parecia ser real\u201d, contou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Naquela manh\u00e3 de quinta-feira era aula de portugu\u00eas para a turma de Thayane que tinha cerca de 40 alunos. Por volta das 8h20, ela disse que a turma escutou sons de tiros vindos da outra sala. \u201cA minha colega gritou: \u2018\u00c9 tiro! \u00c9 tiro! O cara t\u00e1 aqui na frente\u2019. Depois de cinco minutos ele entrou na sala e fez o estrago que fez. Ele atingiu muitas pessoas e nove da minha sala morreram.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Thayane contou que mesmo tendo sido atingida no bra\u00e7o, viu toda a a\u00e7\u00e3o de Wellington e que quando chegou, o atirador foi para o final da sala. \u201cEu fui para frente da sala e me escondi. Ele falou: \u2018voc\u00ea ainda n\u00e3o morreu n\u00e3o? Voc\u00ea vai morrer que voc\u00ea \u00e9 muito bonitinha\u2019 e t\u00e1, t\u00e1, t\u00e1, tr\u00eas tiros\u201d, relatou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Por: Fab\u00edola Ortiz Especial para o UOL Not\u00edcias Ela foi a \u00faltima estudante a receber alta no hospital, dia 14 de junho, ap\u00f3s a trag\u00e9dia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":111,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6050","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/users\/111"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6050\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}