{"id":6328,"date":"2011-10-09T09:16:07","date_gmt":"2011-10-09T12:16:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=6328"},"modified":"2011-10-09T09:16:07","modified_gmt":"2011-10-09T12:16:07","slug":"dor-de-cabeca-cronica-afeta-2-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2011\/10\/09\/dor-de-cabeca-cronica-afeta-2-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Dor de cabe\u00e7a cr\u00f4nica afeta 2 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Quase 2 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes brasileiros sofrem com dor de cabe\u00e7a pelo menos dez dias por m\u00eas. Por falta de diagn\u00f3stico e tratamento adequado, quase metade desses jovens acaba fazendo uso abusivo de analg\u00e9sicos, o que pode piorar o quadro a longo prazo e trazer outros preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade.\u00a0A estimativa foi feita pelo neurologista Marco Ant\u00f4nio Arruda, da Sociedade Brasileira de Cefaleia, com base em uma pesquisa realizada com 6.383 crian\u00e7as e adolescentes entre 5 e 18 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais de 80% dos entrevistados disseram j\u00e1 ter sentido dor de cabe\u00e7a ao menos uma vez, 10% foram diagnosticados como portadores de cefal\u00e9ia tensional e 8%, como portadores de enxaqueca. \u201cCerca de 2,5% da amostra t\u00eam o que chamamos de cefal\u00e9ia cr\u00f4nica de alta frequ\u00eancia e, desses,53% disseram tomar analg\u00e9sico mais de dez dias por m\u00eas.\u00a0\u00c9 um exagero\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nO consumo excessivo de rem\u00e9dios contra a dor faz com que o corpo pare de produzir subst\u00e2ncias analg\u00e9sicas naturais, como endorfinas. Com o tempo,as crises se tornam mais frequentes e intensas. Al\u00e9m disso, as drogas podem afetar os rins, f\u00edgado, cora\u00e7\u00e3o e trato digestivo. Mikael Correa, de 11 anos, j\u00e1 fez parte dessa estat\u00edstica. Aos 7, teve sua primeira crise de enxaqueca.\u00a0Mas o problema s\u00f3 foi diagnosticado dois anos mais tarde e, nesse meio tempo, o menino chegou a ter quatro epis\u00f3dios de dor por semana. Hoje, gra\u00e7as ao tratamento preventivo, tem, em m\u00e9dia, uma crise por m\u00eas.\u00a0As dores de cabe\u00e7a cr\u00f4nicas est\u00e3o relacionadas a um desequil\u00edbrio qu\u00edmico no c\u00e9rebro, explica a neurologista Tha\u00eds Villa, do setor de cefal\u00e9ia da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\u201cAnalg\u00e9sicos resolvem a dor aguda, mas,quando o problema \u00e9 recorrente, s\u00e3o necess\u00e1rios medicamentos para corrigir esse desequil\u00edbrio.\u201d O tratamento de Mikael inclui, al\u00e9m de rem\u00e9dios, a realiza\u00e7\u00e3o de um di\u00e1rio. \u201cAnoto quando ele tem crise, quanto tempo duroue tento identificar qual foi o fator desencadeante para tentar evit\u00e1-lo\u201d, diz a m\u00e3e do menino, Lucimara Correa, de 35 anos. Mas a maioria das crian\u00e7as e adolescentes que sofrem de cefal\u00e9ia cr\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 diagnosticada e tratada, afirma Arruda. Isso as deixa mais predispostas a sofrer de dist\u00farbios do sono e problemas de comportamento, como agressividade ou retraimento.\u00a0A pesquisa coordenada por Arruda mostrou que o risco de ter desempenho escolar abaixo da m\u00e9dia \u00e9 40% maior entre os que sofrem de dor de cabe\u00e7a cr\u00f4nica.\u00a0O \u00edndice de absente\u00edsmo escolar tamb\u00e9m foi mais alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nOutro estudo do grupo da Unifesp revelou que crian\u00e7as com enxaqueca t\u00eam o funcionamento cognitivo afetado, apresentando desempenho inferior em testes de aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e processamento de informa\u00e7\u00f5es.\u00a0\u201c\u00c9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica e, mesmo assim, n\u00e3o existem programas para atender crian\u00e7as com dor de cabe\u00e7a no Pa\u00eds\u201d, diz Arruda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nAlternativas. Para o cl\u00ednico geral Alexandre Feldman, especialista no tema, uma simples mudan\u00e7a no estilo de vida pode resolver grande parte dos casos.<br \/>\n\u201cAs crian\u00e7as est\u00e3o dormindo muito tarde,fazendo pouca atividade f\u00edsica e comendo muitos produtos industrializados. Ao mudar isso voc\u00ea ajuda o pr\u00f3prio organismo a se livrar da doen\u00e7a\u201d, diz. Feldman aposta ainda em tratamentos naturais como acupuntura e suplementa\u00e7\u00e3o com vitaminas e minerais. \u201cUso medicamentos apenas em \u00faltimo caso, pois eles tamb\u00e9m t\u00eam efeitos colaterais.\u201d Quando fatores emocionais s\u00e3o determinantes para iniciar a crise, a terapia cognitiva-comportamental pode ser uma aliada.\u00a0\u201cIsso ajuda o paciente a ter autocontrole\u201d, diz a psic\u00f3loga Luciana Campaner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fonte:<\/strong> O Estado de S.Paulo<br \/>\n<strong>Autor:<\/strong> Karina Toledo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 2 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes brasileiros sofrem com dor de cabe\u00e7a pelo menos dez dias por m\u00eas. 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