{"id":6515,"date":"2011-11-14T06:54:02","date_gmt":"2011-11-14T09:54:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=6515"},"modified":"2011-11-14T06:54:02","modified_gmt":"2011-11-14T09:54:02","slug":"autoestima-molda-imagem-corporal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2011\/11\/14\/autoestima-molda-imagem-corporal\/","title":{"rendered":"Autoestima molda imagem corporal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong><br \/>\n<\/strong><em>Engenheira de alimentos ouve 127<\/em><em><br \/>\n<em>adolescentes para fundamentar<\/em><br \/>\n<em>pesquisa de doutorado<\/em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"mailto:halice@unicamp.br\"><strong>MARIA ALICE DA CRUZ<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O grande absurdo entre adolescentes convidadas a responder quest\u00f5es sobre imagem corporal \u00e9 o acompanhamento de dietas dr\u00e1sticas divulgadas na m\u00eddia. Com elas, sempre vem a imagem de uma pessoa com o corpo considerado ideal, vestida em grife desde a maquiagem at\u00e9 o salto do sapato. Muitas vezes, na imagina\u00e7\u00e3o dessas adolescentes, vale at\u00e9 suprimir uma das refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, segundo a engenheira de alimentos Jane Palermo. Uma pesquisa de doutorado desenvolvida por ela na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (FEA) resultou em uma escala eficiente para avalia\u00e7\u00e3o da imagem corporal de mulheres brasileiras. Desenvolvida com base em padr\u00f5es corporais de indiv\u00edduos brasileiros, a escala apresentou correla\u00e7\u00e3o positiva com m\u00e9todos internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A escala foi desenvolvida a partir de question\u00e1rio realizada com 127 adolescentes do sexo feminino do Col\u00e9gio da Unicamp (Cotuca) e, segundo Jane Palermo, autora da tese, foi capaz de revelar que a imagem corporal das entrevistadas em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio olhar e o olhar da fam\u00edlia e da sociedade est\u00e1 associada \u00e0 autoestima. \u201cDe acordo com as respostas dadas por elas, n\u00e3o d\u00e1 para estabelecer um padr\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o ou insatisfa\u00e7\u00e3o pelo peso. Depende muito da autoestima da pessoa\u201d, ressalta. Apesar de n\u00e3o ser um trabalho desenvolvido no \u00e2mbito da psicologia, as quest\u00f5es est\u00e3o relacionadas com o que elas pensam sobre seu pr\u00f3prio corpo, sempre focando o n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o ou insatisfa\u00e7\u00e3o quando as meninas olham para seu corpo e o que almejam para este corpo. A escala, segundo ela, permite que, de cada cem pessoas, 95 deem resposta dentro do esperado com o question\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jane observou que as meninas dentro dos padr\u00f5es de medidas estabelecidos se consideram bastante satisfeitas. Mesmo entre as entrevistadas com \u00cdndice de Massa Corp\u00f3rea (IMC) maior, consideradas em sobrepeso, h\u00e1 aquelas que se consideram satisfeitas, gostam do corpo. Mas tamb\u00e9m tinha algumas que se consideravam insatisfeitas. Assim como entre as muito magras algumas gostam e outras n\u00e3o. A insatisfa\u00e7\u00e3o corporal \u00e9 muito pessoal, na conclus\u00e3o da engenheira de alimentos. Jane cita uma pesquisa anterior \u00e0 dela na qual foi feita uma avalia\u00e7\u00e3o do consumo alimentar dos alunos. A autora, segundo ela, percebeu que os alunos tinham dieta desequilibrada, o que poderia estar associado ao fato de estarem saindo de casa pela primeira vez, focando na escola o dia todo e, dessa forma, livres para escolher o que queriam comer. Outros porque n\u00e3o gostam da comida, outros adeptos a regimes dr\u00e1sticos, pulando refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em muitas respostas, Jane pode observar uma atitude dos pais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s filhas. Muitas responderam que \u201cos pais pegam no p\u00e9\u201d, dizendo que est\u00e3o gordinhas, precisam perder peso e se alimentar direito. Outras acham que os pais nem se importam, comem o que querem. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, acreditam que a discrimina\u00e7\u00e3o existe, pois acham que as oportunidades de emprego, principalmente no momento da entrevista, muitas vezes est\u00e3o relacionadas com a apar\u00eancia f\u00edsica. \u201cAcreditam que para conseguir um bom emprego precisam ser bonitas e ter boa apar\u00eancia\u201d, acentua. O corpo, para algumas delas, \u00e9 motivo de piadas na escola e marginaliza\u00e7\u00e3o. Outras se acham bem-aceitas do jeito que s\u00e3o, pela pr\u00f3pria personalidade. \u201cEstas j\u00e1 acreditam que por ser bem-humoradas e participativas, o corpo n\u00e3o interfere\u201d, explica Jane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo a autora, apesar de ter sido testada com um p\u00fablico restrito, a ferramenta pode favorecer a amplia\u00e7\u00e3o da pesquisa em n\u00edvel nacional, com a diversifica\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mico-cultural. \u201cEla \u00e9 aberta, para ser adequada ao p\u00fablico a ser avaliado. Se algum pesquisador acreditar que uma frase possa ser melhorada ou suprimida, pode interferir \u201cna escala e aperfei\u00e7o\u00e1-la\u201d, informa. A expectativa \u00e9 de que a escala seja aplicada em outras escolas p\u00fablicas de outros Estados, com padr\u00e3o diferente do Cotuca. Al\u00e9m disso, a escala est\u00e1 dispon\u00edvel para profissionais da \u00e1rea m\u00e9dica, psicol\u00f3gica ou de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e tamb\u00e9m para avalia\u00e7\u00e3o de pessoas do sexo masculino. \u201cNa \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica trabalham bastante com a forma do corpo, bem-estar, e o modelo seria interessante para eles, mas \u00e9 preciso ampli\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O interesse foi criar um m\u00e9todo dentro da realidade brasileira, o que n\u00e3o foi encontrado por Jane na literatura. Antes de desenvolver o doutorado, ela percebeu que as escalas usadas para avalia\u00e7\u00e3o da imagem corporal de adolescentes brasileiras eram internacionais, traduzidas e validadas para l\u00edngua portuguesa. Diante disso, desenvolveu um m\u00e9todo que tem interesse maior de adolescentes, utilizando terminologia brasileira e habitual aos adolescentes para levantamento de suas cren\u00e7as, atitudes e opini\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio corpo e apar\u00eancia f\u00edsica. Muitos psic\u00f3logos e profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade, segundo Jane, utilizam a escala do BSQ de Peter Cooper (1967) para avaliar insatisfa\u00e7\u00e3o corporal, a qual \u00e9 reconhecida internacionalmente. Apesar de ser eficiente, o m\u00e9todo foi desenvolvido para mulheres norte-americanas. \u201cAqui no Brasil, a composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da nossa popula\u00e7\u00e3o adv\u00e9m de distintas fontes migrat\u00f3rias, tornando-a muito complexa e variada. Com isso, o padr\u00e3o de corpo ou beleza geral \u00e9 bastante diversificado. Cada um tem sua satisfa\u00e7\u00e3o e cren\u00e7as, nem todas as medidas internacionais se aplicam ao nosso biotipo\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro passo da investiga\u00e7\u00e3o, segundo Jane, foi fazer um levantamento das percep\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as das pr\u00f3prias adolescentes sobre o corpo para, em seguida, formular as quest\u00f5es. \u201cA partir das percep\u00e7\u00f5es delas, agrupamos as frases semelhantes para formular as quest\u00f5es da escala\u201d, explica. Ela esclarece que sua escala n\u00e3o tem quest\u00f5es, mas sim senten\u00e7as positivas e negativas, para que haja um equil\u00edbrio de respostas, e se obtenha um resultado eficiente da avalia\u00e7\u00e3o corporal. Foram utilizadas medidas do IMC e das circunfer\u00eancias da cintura e do quadril e da rela\u00e7\u00e3o entre essas duas partes do corpo. O IMC \u00e9 uma medida utilizada para avalia\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o da massa corporal. Enquanto a rela\u00e7\u00e3o cintura-quadril determina a distribui\u00e7\u00e3o da massa gordurosa na regi\u00e3o abdominal, considerada pelos cardiologistas como uma regi\u00e3o de risco \u00e0 sa\u00fade, segundo Jane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o cintura-quadril \u00e9 question\u00e1vel para investigar dist\u00farbios metab\u00f3licos, uma vez que seus valores s\u00e3o vari\u00e1veis com a idade e condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. O mais indicado seria utilizar a circunfer\u00eancia da cintura para mostrar a distribui\u00e7\u00e3o do tecido adiposo central. Porque ela sofre mais transforma\u00e7\u00f5es com o avan\u00e7o da idade, principalmente na mulher\u201d. Ao chegar \u00e0 menopausa, os horm\u00f4nios femininos est\u00e3o menos ativos e determinam maior ac\u00famulo de gordura principalmente na regi\u00e3o da cintura. E isso se torna perigoso por contribuir para o aumento de risco de diabetes, hipertens\u00e3o e problemas cardiovasculares. Ent\u00e3o a circunfer\u00eancia da cintura seria uma medida importante para avalia\u00e7\u00e3o da adiposidade corporal feminina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ela acrescenta que tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o cintura quadril (RCQ) n\u00e3o \u00e9 estudada no Brasil, relacionada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o corporal, enquanto em outros pa\u00edses esta medida \u00e9 utilizada inclusive para mediar estudos voltados \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da proatividade feminina e tamb\u00e9m ligados \u00e0 atratividade. \u201cPesquisas sobre atratividade, em que homens e mulheres foram consultados, encontrou-se RCQ de 0,70 como aquele que promovia percep\u00e7\u00e3o de maior atratividade em mulheres. Mas este valor n\u00e3o se aplica no Brasil\u201d, analisa. Ela acrescenta que, mesmo em algumas adolescentes consideradas eutr\u00f3ficas pelo IMC (dentro da faixa de normalidade do estado nutricional), quando avaliadas pela RCQ apresentavam valores maiores ou menores que o \u00edndice estipulado, indicando que este valor pode ser inalcan\u00e7\u00e1vel.<br \/>\nAs dietas dr\u00e1sticas e a m\u00eddia est\u00e3o entre os principais incentivadores da preocupa\u00e7\u00e3o com a imagem corporal. Segundo Jane, as adolescentes acreditam que seguindo as dietas propostas pela m\u00eddia, com apresentadores participando de programas de reeduca\u00e7\u00e3o alimentar e atividades f\u00edsicas, elas podem atingir um \u201ccorpo perfeito\u201d. \u201cElas acreditam que o que est\u00e1 sendo apresentado serve para elas e acabam seguindo\u201d, revela. Ela acrescenta que muitas vezes a rela\u00e7\u00e3o de beleza nem \u00e9 feita com toda a estrutura corp\u00f3rea, mas com os cabelos, as pernas, o nariz, barriga, vestu\u00e1rio. O que importa \u00e9 a apar\u00eancia. Isso \u00e9 muito importante para elas. \u201cMas o grande absurdo \u00e9 a dieta. \u00c0s vezes, deixam de comer por achar que est\u00e3o engordando\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><br \/>\n<\/strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u25a0<\/strong><strong> Publica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Tese:<\/strong> \u201cAtitude com rela\u00e7\u00e3o ao corpo, autoestima e perfil nutricional de adolescentes brasileiras\u201d<br \/>\n<strong>Autora:<\/strong> Jane Rizzo Palermo<br \/>\n<strong>Orienta\u00e7\u00e3o:<\/strong> Maria Aparecida Azevedo Pereira da Silva<br \/>\n<strong>Unidade:<\/strong> Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Engenheira de alimentos ouve 127 adolescentes para fundamentar pesquisa de doutorado \u00a0 MARIA ALICE DA CRUZ O grande absurdo entre adolescentes convidadas a responder quest\u00f5es&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":111,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/users\/111"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6515\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}