{"id":6681,"date":"2011-12-12T16:50:47","date_gmt":"2011-12-12T19:50:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=6681"},"modified":"2011-12-12T16:50:47","modified_gmt":"2011-12-12T19:50:47","slug":"estudo-ajuda-a-entender-acao-terapeutica-de-celulas-tronco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2011\/12\/12\/estudo-ajuda-a-entender-acao-terapeutica-de-celulas-tronco\/","title":{"rendered":"Estudo ajuda a entender a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica de c\u00e9lulas-tronco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Val\u00e9ria Dias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da Ag\u00eancia USP<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diversos estudos cient\u00edficos mostram que o tratamento com c\u00e9lulas-tronco adultas obtidas da medula \u00f3ssea e do tecido adiposo pode, muitas vezes, atenuar ou mesmo reverter sinais e sintomas de algumas doen\u00e7as cr\u00f4nicas, incluindo as distrofias musculares. No Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da USP, uma pesquisa realizada pelo fisioterapeuta Carlos Hermano da Justa Pinheiro apresenta resultados in\u00e9ditos que ajudam a compreender como ocorre essa melhora no quadro cl\u00ednico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pinheiro estudou camundongos geneticamente modificados para apresentarem distrofia muscular de Duchenne, doen\u00e7a gen\u00e9tica causada pela defici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o da distrofina, prote\u00edna muito importante para a c\u00e9lula muscular esquel\u00e9tica, pois mant\u00eam a integridade da membrana celular. \u201cNosso estudo constatou que a aplica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lula-tronco mesenquimal [um tipo de c\u00e9lula-tronco adulta] influencia diretamente no mecanismo que rege a inflama\u00e7\u00e3o no m\u00fasculo com distrofia, diminuindo a mesma. E isto parece estar mais associado \u00e0 melhora no quadro cl\u00ednico do que a diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas-tronco em c\u00e9lulas musculares esquel\u00e9ticas\u201d, revela o pesquisador.<\/p>\n<p>Pacientes com distrofia muscular s\u00e3o suscet\u00edveis a les\u00f5es induzidas por atividade contr\u00e1til. Eles nascem sem nenhuma les\u00e3o aparente. \u00c0 medida que v\u00e3o se desenvolvendo, a musculatura come\u00e7a a degenerar-se e vai sendo preenchida por tecido fibroso (fibrose) com consequente perda na fun\u00e7\u00e3o muscular. \u201cO quadro inflamat\u00f3rio cr\u00f4nico no m\u00fasculo distr\u00f3fico tem efeito negativo para a massa muscular levando \u00e0 atrofia. \u00c9 como se o m\u00fasculo esquel\u00e9tico envelhecesse precocemente devido a sucessivas tentativas de reparo do tecido danificado\u201d, conta. \u201cDentre as estrat\u00e9gias terap\u00eauticas promissoras para distrofia est\u00e1 o rejuvenescimento do microambiente muscular por meio da terapia g\u00eanica para aumento da forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos no m\u00fasculo distr\u00f3fico\u201d, explica. Terapia g\u00eanica \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o de genes no tecido visando suprir defici\u00eancias.<\/p>\n<p>Na pesquisa de Pinheiro, foi observado que os animais tratados com c\u00e9lulas-tronco apresentaram aumento da forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos, redu\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de tecido fibroso, diminui\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o muscular e preserva\u00e7\u00e3o da massa e da for\u00e7a muscular.<\/p>\n<p>Segundo o fisioterapeuta, a grande pergunta envolvendo esta quest\u00e3o \u00e9: \u201cAs c\u00e9lulas-tronco injetadas no m\u00fasculo esquel\u00e9tico se diferenciam em c\u00e9lulas musculares esquel\u00e9ticas ou exerceriam tamb\u00e9m alguma outra fun\u00e7\u00e3o local no tecido muscular distr\u00f3fico?\u201d. De acordo com o fisioterapeuta, muitos estudos j\u00e1 demonstraram que as c\u00e9lulas-tronco adultas restauram a express\u00e3o de distrofina em modelos experimentais de distrofia muscular. \u201cPor\u00e9m, o mecanismo que leva \u00e0 melhora cl\u00ednica poderia envolver outros efeitos das c\u00e9lulas-tronco al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o de novas fibras musculares sem a defici\u00eancia que resulta na distrofia\u201d, contextualiza.<\/p>\n<p><strong>Tratamento com c\u00e9lulas-tronco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A m\u00e9dia de vida de camundongos gira em torno de dois anos. Os que foram usados na pesquisa, camundongos mdx, apresentavam grande comprometimento da produ\u00e7\u00e3o de for\u00e7a muscular entre 6 e 12 meses de vida. \u201cFoi nesse per\u00edodo que investigamos o efeito do tratamento com c\u00e9lulas-tronco mesenquimais nos animais distr\u00f3ficos\u201d. Pinheiro utilizou um sistema de avalia\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o muscular (produ\u00e7\u00e3o de for\u00e7a muscular dos animais) onde a inerva\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea est\u00e3o preservadas.<\/p>\n<p>O pesquisador trabalhou com c\u00e9lulas-tronco obtidas do tecido adiposo de outros camundongos sem distrofia, que foram isoladas e cultivadas. \u201cTrabalhamos com c\u00e9lulas-tronco mesenquimais pois elas podem ser isoladas de tecidos espec\u00edficos como medula \u00f3ssea, tecido do cord\u00e3o umbilical e tecido adiposo. Neste \u00faltimo caso \u00e9 f\u00e1cil obter material proveniente de lipoaspira\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Pinheiro realizou v\u00e1rios experimentos, trabalhando com grupos que variaram de 8 a 12 animais. Foram aplicadas 4 inje\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas-tronco, uma vez por semana, durante 4 semanas. As aplica\u00e7\u00f5es foram realizadas dentro do m\u00fasculo gastrocn\u00eamio, que fica na regi\u00e3o conhecida como \u201cbatata da perna\u201d. Em humanos, esse m\u00fasculo \u00e9 importante para a postura em p\u00e9 e para marcha; nos animais, para o impulso da passada. Na outra pata dos camundongos, foi aplicado placebo. Ap\u00f3s uma semana do final do experimento, o pesquisador avaliou a fun\u00e7\u00e3o contr\u00e1til do m\u00fasculo esquel\u00e9tico que recebeu as inje\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas-tronco, assim como do m\u00fasculo da outra pata (que n\u00e3o recebeu as c\u00e9lulas) e as comparou com animais sem distrofia muscular.<\/p>\n<p>\u201cNos animais que receberam inje\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas-tronco foi constatado que a perda da fun\u00e7\u00e3o muscular era insignificante quando comparado aos animais sem distrofia. Detectamos um aumento do conte\u00fado de marcadores de regenera\u00e7\u00e3o muscular, indicando forma\u00e7\u00e3o de tecido muscular novo. Entretanto, esse aumento foi bem discreto diante da grande melhora observada na fun\u00e7\u00e3o muscular, sugerindo o envolvimento de outros mecanismos\u201d, revela o pesquisador. \u201cO aumento desses marcadores poderia ter sido ocasionado por duas raz\u00f5es: as c\u00e9lulas-tronco aplicadas se transformaram em c\u00e9lulas musculares esquel\u00e9ticas, ou elas acabaram por estimular a regenera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea do tecido muscular. Ent\u00e3o resolvemos investigar esses achados\u201d, relata.<\/p>\n<p><strong>Efeito na inflama\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta investiga\u00e7\u00e3o, Pinheiro constatou que, nos m\u00fasculos tratados com c\u00e9lulas-tronco, alguns marcadores inflamat\u00f3rios, como o conte\u00fado de citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias (como TNF-alfa e interleucina-6) e as esp\u00e9cies reativas de oxig\u00eanio (EROs), estavam diminu\u00eddos. Tamb\u00e9m houve aumento de citocinas anti-inflamat\u00f3rias (interleucinas 4 e 10). O fisioterapeuta constatou ainda maior conte\u00fado de macr\u00f3fagos M1, que \u201climpam\u201d a \u00e1rea inflamada e soltam subst\u00e2ncias que v\u00e3o ajudar a reparar o tecido lesado. \u201cEssas c\u00e9lulas do sistema imune s\u00e3o important\u00edssimas para a regenera\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo esquel\u00e9tico, pois aceleram esse processo\u201d, comenta. Houve tamb\u00e9m uma redu\u00e7\u00e3o no conte\u00fado de TGFB1 (fator de crescimento transformante b1), que sinaliza para os fibroblastos proliferarem e acelerarem a forma\u00e7\u00e3o do processo fibr\u00f3tico.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, foi verificado um aumento do conte\u00fado do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que, ao ser liberado no m\u00fasculo, estimula o crescimento de novos vasos sangu\u00edneos. \u201cNa distrofia muscular de Duchenne, o efeito terap\u00eautico do aumento de VEGF no m\u00fasculo esquel\u00e9tico \u00e9 bem demonstrado por meio da terapia g\u00eanica\u201d, conta o fisioterapeuta. De acordo com o pesquisador, esses resultados podem auxiliar na compreens\u00e3o do efeito terap\u00eautico das c\u00e9lulas-tronco mesenquimais.<\/p>\n<p>Um artigo sobre o tema, Local Injections of Adipose-Derived Mesenchymal Stem Cells Modulate Inflammation and Increase Angiogenesis Ameliorating the Dystrophic Phenotype in Dystrophin-Deficient Skeletal Muscle, foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de agosto da revista Stem Cell. A pesquisa do fisioterapeuta, que \u00e9 bolsista da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), tem orienta\u00e7\u00e3o do professor Rui Curi, do ICB, e previs\u00e3o de defesa em 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Val\u00e9ria Dias Da Ag\u00eancia USP Diversos estudos cient\u00edficos mostram que o tratamento com c\u00e9lulas-tronco adultas obtidas da medula \u00f3ssea e do tecido adiposo pode, muitas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":111,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6681","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/users\/111"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6681"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6681\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}