{"id":1715,"date":"2016-02-29T00:01:32","date_gmt":"2016-02-29T00:01:32","guid":{"rendered":"http:\/\/reporterentrelinhas.com.br\/?p=1715"},"modified":"2016-02-29T00:01:32","modified_gmt":"2016-02-29T00:01:32","slug":"bichas-o-documentario-empondera-e-celebra-a-autoaceitacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/02\/29\/bichas-o-documentario-empondera-e-celebra-a-autoaceitacao-2\/","title":{"rendered":"Bichas, o document\u00e1rio, empondera e celebra a autoaceita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\"><em>&#8220;Falar sobre bichas \u00e9, acima de tudo, mostrar e ensinar o que \u00e9&#8221;<\/em>, diz Marlon Parente, diretor de <strong>Bichas, o document\u00e1rio<\/strong>. O publicit\u00e1rio de 23 anos explica que as pessoas costumam rejeitar conceitos estranhos. <em>&#8220;A partir do momento que educamos, o que era estranho antes passa a ser compreendido e naturalizado&#8221;<\/em>. O filme recebeu mais de 342\u00a0mil visualiza\u00e7\u00f5es em uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O projeto nasceu depois que Marlon, ao lado de amigos, enfrentou um epis\u00f3dio de <strong>homofobia<\/strong>, em Recife. <em>&#8220;Um senhor passou bravejando &#8216;bando de bicha, eu vou atirar no cu de voc\u00eas&#8217;. Ele sacou uma arma e mirou pra gente&#8221;<\/em>, relata. <em>&#8220;Ele n\u00e3o queria dinheiro, n\u00e3o queria assaltar. Ele queria nos agredir por algo que n\u00e3o \u00e9 justo&#8221;<\/em>. A resposta veio do amigo Italo Amorim, um dos personagens do doc, que deixou claro: <em>&#8220;ainda existe muito mais bicha por a\u00ed. E voc\u00ea vai ter que aceitar&#8221;<\/em>.<\/p>\n<div id=\"attachment_2012\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2012\" class=\" size-full wp-image-2012 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/reporterentrelinhas.files.wordpress.com\/2016\/02\/bichas-1.jpg\" alt=\"Bichas 1\" width=\"600\" height=\"403\" \/><p id=\"caption-attachment-2012\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align:justify\">Filho de nordestinos e nascido em S\u00e3o Paulo, divide a morada com um amigo que, enfatiza, \u00e9 <em>drag queen<\/em>. Em entrevista ao <strong>Rep\u00f3rter Entre Linhas<\/strong>, Marlon Parente discute a necessidade de narrar as hist\u00f3rias expostas no document\u00e1rio. <em>&#8220;Eu escolhi outras pessoas para falar por mim. Se eles podem fazer isso, podem representar um monte de bicha por a\u00ed tamb\u00e9m&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Muitas m\u00e3es, ao descobrirem a orienta\u00e7\u00e3o sexual dos filhos, pedem para que eles n\u00e3o levantem bandeira. At\u00e9 quando vai ser preciso levantar bandeira?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>Marlon Parente:<\/strong> At\u00e9 quando for preciso. At\u00e9 quando a gente ser respeitado igual. At\u00e9 a gente poder andar na rua sem ter medo. At\u00e9 a gente conseguir se expressar sem ver cara feia ou deboche. A luta \u00e9 di\u00e1ria e o dia de baixar a bandeira nunca vai chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como voc\u00ea chegou at\u00e9 esses personagens? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Marlon:<\/strong> Todos s\u00e3o meus amigos. O filme foi gravado na minha casa e nenhum, absolutamente nenhum deles se recusou a fazer. Muito pelo contr\u00e1rio, se mostraram bastante empolgados e acreditaram no projeto. A dedica\u00e7\u00e3o \u00e9 vista no filme, gravado de forma espont\u00e2nea. N\u00e3o houve ensaio das perguntas porque eles s\u00f3 saberiam na hora. Sou eternamente grato a todos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Por que para alguns &#8220;bicha&#8221; ainda \u00e9 xingamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Marlon:<\/strong> A constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica por tr\u00e1s da palavra \u00e9 algo de dif\u00edcil desconstru\u00e7\u00e3o e requer bastante luta. Quando a gente \u00e9 apontado como bicha, nunca \u00e9 em um ambiente agrad\u00e1vel, em tom sensato ou alegre. \u00c9 sempre usado de forma agressiva. A sociedade diz que ser bicha \u00e9 ruim e o machismo refor\u00e7a. A ideia \u00e9 desconstruir e dar outro significado ao (termo) bicha e da\u00ed virarmos o jogo e transformar o que antes machucava em trof\u00e9u e bandeira.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>E por que as pessoas se incomodam\u00a0tanto com bicha?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_2017\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2017\" class=\" size-medium wp-image-2017 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/reporterentrelinhas.files.wordpress.com\/2016\/02\/12645048_1140221312656719_632783543014811155_n.jpg?w=300\" alt=\"12645048_1140221312656719_632783543014811155_n\" width=\"300\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-2017\" class=\"wp-caption-text\">Marlon Parente, diretor de Bichas<strong><br \/><\/strong><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Marlon:<\/strong> Porque o ser bicha vai contra todas essas regras que a sociedade nos fala que \u00e9 o certo h\u00e1 anos. Homem n\u00e3o pode usar saia, roupa curta, usar rosa, maquiagem. A sociedade machista vem pregando esse conceito e o ideal da figura masculina, e tudo que foge disso incomoda. O homem n\u00e3o pode ter trejeitos de mulher, nada que \u00e9 feminilizado nessa figura ideal \u00e9 bem-quista pela sociedade&#8230; Mas, olha, querendo ou n\u00e3o, vai ter bicha de shortinho sim. Inclusive, eu amo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Do ponto de vista pol\u00edtico, \u00e9 ruim existir &#8220;bicha heteronormativa&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Marlon:<\/strong> A bicha heteronormativa n\u00e3o contribui em nada para o movimento. Ela n\u00e3o se manifesta. Ela n\u00e3o se op\u00f5e ao agressor. A fantasia heterosexual que essa bicha veste todos os dias atrasa o movimento e faz com que a fala machista se fortale\u00e7a. &#8220;Pode ser gay, mas n\u00e3o pode ser bicha&#8221;. O gay \u00e9 uma vis\u00e3o politizada e imageticamente o mais pr\u00f3ximo do que seria um homem ideal para a sociedade: a figura m\u00e1scula, s\u00e9ria, comportada e sem trejeitos. A bicha \u00e9 o que vai contra.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>E depois de Bichas, qual \u00e9 o pr\u00f3ximo projeto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Marlon:<\/strong> Para ser bem sincero eu ainda estou abalado com a repercuss\u00e3o do Bichas. Estou incrivelmente feliz. Eu penso em fazer outras vers\u00f5es desse document\u00e1rio, no mesmo estilo, abordando outras letras da sigla LGBTTQ. A bicha \u00e9 uma figura no meio dessa sopa de letrinhas e, assim como ela, ainda h\u00e1 muito para contar e ensinar.<\/p>\n[youtube https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0cik7j-0cVU]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Falar sobre bichas \u00e9, acima de tudo, mostrar e ensinar o que \u00e9&#8221;, diz Marlon Parente, diretor de Bichas, o document\u00e1rio. 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