{"id":2311,"date":"2016-04-29T02:01:24","date_gmt":"2016-04-29T02:01:24","guid":{"rendered":"http:\/\/reporterentrelinhas.com.br\/?p=2311"},"modified":"2016-04-29T02:01:24","modified_gmt":"2016-04-29T02:01:24","slug":"karina-buhr-podemos-comecar-por-legalizar-o-aborto-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/04\/29\/karina-buhr-podemos-comecar-por-legalizar-o-aborto-no-brasil\/","title":{"rendered":"Karina Buhr: &#8220;podemos come\u00e7ar por legalizar o aborto no Brasil&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">\n<p style=\"text-align:justify\">Refer\u00eancia no movimento <strong>feminista<\/strong>, a artista baiana <strong>Karina Buhr<\/strong>\u00a0trabalha a divulga\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico <strong>Selv\u00e1tica<\/strong>. O \u00e1lbum, com participa\u00e7\u00f5es de Elke Maravilha, Fernando Catatau e Edgard Scandurra, d\u00e1 nome \u00e0 personagem que, como uma guerreira ind\u00edgena, recria o universo de viol\u00eancia em que vivem as mulheres. A capa do disco, em que ela, segurando uma lan\u00e7a Yanomami, mostra os seios, foi censurada pelo <strong>Facebook<\/strong> \u00e0 \u00e9poca do lan\u00e7amento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Radicada no <strong>Recife<\/strong> desde os 8 anos de idade, mistura os ritmos\u00a0em seus registros e\u00a0confessa amor pelo <strong>Carnaval<\/strong> de <strong>Pernambuco<\/strong>. <em>&#8220;Minhas maiores influ\u00eancias est\u00e3o ali&#8221;<\/em>, lembra. <em>&#8220;Isso fica pra sempre. Posso fazer o barulho que for, no rock que for, isso sempre estar\u00e1 l\u00e1, faz parte de mim&#8221;<\/em>.\u00a0Karina apresenta\u00a0o \u00e1lbum\u00a0nesta sexta-feira, 29, na <strong>Maloca Drag\u00e3o 2016<\/strong>, em Fortaleza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2365\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/reporterentrelinhas.files.wordpress.com\/2016\/04\/selvc3a1tica1.jpg?w=229\" alt=\"selv\u00e1tica1\" width=\"229\" height=\"300\" \/>Selv\u00e1tica surge como um manifesto feminista. Em que momento voc\u00ea percebeu a necessidade de expressar isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong> N\u00e3o \u00e9 um manifesto, \u00e9 um disco que tem no feminismo o tema central. A personagem selv\u00e1tica, que est\u00e1 na capa, que d\u00e1 nome a uma m\u00fasica \u00e9 quem guia. Criei o conceito disco a partir dessa personagem, ele se move a partir dela e em torno dela, foi desde o princ\u00edpio. E dentro dessa guia falo sobre outras coisas. Inclusive, feminismo pra mim \u00e9 sobre isso. Sobre poder falar sobre o que quiser, como na m\u00fasica Cerca de Pr\u00e9dio, que falo sobre especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, gentrifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Tem essa refer\u00eancia aos textos sagrados que tratam a mulher como uma representa\u00e7\u00e3o do pecado. Ainda \u00e9 muito forte essa ideia da mulher?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong> N\u00e3o s\u00f3 como representa\u00e7\u00e3o do pecado, mas tamb\u00e9m da pureza e principalmente da servi\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o. Esse \u2018ainda\u2019 ainda vai durar muito. Est\u00e1 na base da cultura patriarcal, que \u00e9 a que vivemos (em formatos diferentes, mas com essa base), no mundo inteiro. Sobre isso de \u2018ideia da mulher\u2019, n\u00e3o existe \u2018a mulher\u2019, mulheres s\u00e3o diferentes umas das outras, igualzinho como acontece com os homens. Essa distin\u00e7\u00e3o e esse destaque para \u2018a mulher\u2019 est\u00e1 no cerne de todo machismo, a ideia de que mulher \u00e9 um ser outro, que o normal \u00e9 ser homem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O disco traz esse debate tamb\u00e9m na faixa Eu Sou o Monstro, mas outros temas sociais s\u00e3o abordados no \u00e1lbum. Desde o come\u00e7o do processo, foi intencional tratar desses assuntos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong> Falo tamb\u00e9m de temas n\u00e3o sociais, a faixa Rim\u00e3 \u00e9 meio surrealista, se passa como num sonho, \u00e9 poesia sem objetivo de den\u00fancias. Drag\u00e3o falo sobre obst\u00e1culos, Vela e Navalha \u00e9 tamb\u00e9m mais surreal, um di\u00e1logo de fic\u00e7\u00e3o. Desperdi\u00e7o-te-me \u00e9 uma balada rom\u00e2ntico depressiva. E a\u00ed tem os temas pol\u00edticos fortes em Pic Nic, Es\u00f4fago (que fala de feminic\u00eddio), Cerca de Pr\u00e9dio, Conta Gotas (onde falo sobre imigrantes e ciganos), Alcunha de Ladr\u00e3o, Eu sou um Monstro e Selv\u00e1tica. Sobre ser intencional, tudo que fa\u00e7o nos meus trabalhos \u00e9 intencional.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2361 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/reporterentrelinhas.files.wordpress.com\/2016\/04\/karina-e-elke.jpg\" alt=\"karina e elke\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como voc\u00ea escolheu as participa\u00e7\u00f5es da faixa Selv\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong>\u00a0Elke e Denise Assun\u00e7\u00e3o s\u00e3o duas figuras ic\u00f4nicas pra mim. Com Denise trabalhei no Teatro Oficina, na pe\u00e7a As Bacantes, em 2001, e desde ent\u00e3o virei admiradora absoluta dela. Elke passou de \u00eddolo de inf\u00e2ncia a amiga num processo bem emocionante. Fizemos juntas (tamb\u00e9m com Denise) o show Intercontinental, com as m\u00fasicas do disco de Itamar Assun\u00e7\u00e3o. Quis t\u00ea-las por perto de novo. E foi muito bom, um presente dos deuses.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como voc\u00ea se sentiu quando a capa do Selv\u00e1tica foi censurada pelo Facebook? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:\u00a0<\/strong>Achei p\u00e9ssimo, machista, careta, limitador, censor, mas no fim acabou viralizando a capa, de forma totalmente inesperada e isso acabou na verdade sendo bom. A capa foi muito mais vista e compartilhada do que se n\u00e3o tivesse sido vetada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia do movimento feminista. Quando e como voc\u00ea percebeu isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong> Desde crian\u00e7a fui tolhida e machucada diariamente pelo machismo e da\u00ed a isso se desenvolver at\u00e9 onde estou foi natural. Percebi desde a primeira vez que ouvi &#8216;isso n\u00e3o \u00e9 coisa de menina&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Qual a import\u00e2ncia de trabalhar com essa mensagem? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong> A import\u00e2ncia da minha vida, da vida das mulheres todas, que s\u00e3o oprimidas desde que nascem, em casa, na rua, no trabalho, <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/fortaleza\/2016\/04\/26\/noticiafortaleza,3608010\/mulheres-sao-assassinadas-com-aplausos-do-publico-diz-karina-buhr.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">s\u00e3o assassinadas com muita naturalidade por ex-maridos e namorados (&#8216;com aplausos do p\u00fablico&#8217;)<\/a>. No caso do Brasil, n\u00e3o ter o direito sobre o pr\u00f3prio corpo quando s\u00e3o obrigadas a parir mesmo contra a pr\u00f3pria vontade (e as pobres, maioria negra, morrem ou ficam com sequelas f\u00edsicas e emocionais graves). \u00c9 toda essa import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como voc\u00ea avalia a representa\u00e7\u00e3o feminina hoje musicalmente?<\/strong><br \/>\n<strong>Karina:<\/strong> A representa\u00e7\u00e3o feminina sempre foi muito forte o que falta \u00e9 a m\u00eddia, extremamente machista, dar o devido valor. N\u00e3o tratar como segundo plano, como &#8216;m\u00fasica feminina&#8217; ou &#8216;m\u00fasica pra mulher&#8217;, tratar como gente, como s\u00e3o tratados os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O que ainda falta para o movimento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong> Falta muito. Podemos come\u00e7ar por legalizar o aborto no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Todo artista precisa ser pol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Karina:<\/strong> Um artista \u00e9 uma pessoa como qualquer outra. Todos t\u00eam obriga\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas e cada um escolhe seu jeito de fazer ou de n\u00e3o fazer as coisas. Escolho fazer e existem v\u00e1rias maneiras de atua\u00e7\u00e3o. Basicamente, acho que todo mundo que tem algum tipo de privil\u00e9gio tem obriga\u00e7\u00e3o de tentar diminuir diferen\u00e7as sociais e agir politicamente junto com os que precisam, por sua vida, dessa a\u00e7\u00e3o. E isso vale para todos, n\u00e3o precisa ser artista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refer\u00eancia no movimento feminista, a artista baiana Karina Buhr\u00a0trabalha a divulga\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico Selv\u00e1tica. 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