{"id":3135,"date":"2016-08-05T11:07:50","date_gmt":"2016-08-05T14:07:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3135"},"modified":"2016-08-05T11:07:50","modified_gmt":"2016-08-05T14:07:50","slug":"de-coracao-para-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/08\/05\/de-coracao-para-coracao\/","title":{"rendered":"De cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>Por Cristina Fontenele<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 20 mil pessoas reunidas em um evento dedicado \u00e0s mulheres. Imagine que alguns estudos indicam que o feminino fala, em m\u00e9dia, vinte mil palavras por dia, em compara\u00e7\u00e3o com sete mil pronunciadas pelos homens. Agora calcule a propor\u00e7\u00e3o do que ouvi durante quatro dias de encontro. Meu Deus! Senhoras de v\u00e1rias idades no frenesi de palavras, brindes, oficinas, palestras e brincadeiras, e filas e mais filas. Reunidas de \u201ccora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o\u201d, tema do evento. Confesso que chegando ao local pude perceber claramente qual era o p\u00fablico-alvo, e n\u00e3o era eu. Mas ali estava na miss\u00e3o de ver ao vivo minha diva, a escritora ga\u00facha Martha Medeiros. Iria at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3136\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/08\/cora\u00e7\u00e3o-300x200.jpg\" alt=\"cora\u00e7\u00e3o\" width=\"300\" height=\"200\" \/>Por diversos momentos percebi a grandiosidade da estrutura (j\u00e1 trabalhei com eventos e soube que aquele levou dez dias de montagem!), o suor e a quantidade da equipe envolvida (pessoas de amarelo em todo lugar, com a blusa \u201cPosso ajudar?\u201d), diversos estandes de fornecedores movimentados por uma grande log\u00edstica e o cuidado dos profissionais com aquelas senhorinhas &#8211; \u201cMe d\u00ea sua m\u00e3o.\u201d, \u201cCuidado com a escada rolante.\u201d, \u201cQuer uma \u00e1gua?\u201d, \u201cOnde est\u00e1 sua amiga?\u201d.<\/p>\n<p>Mergulhando naquele mar de mulheres, pude me encantar com o brilho das amizades e da vivacidade que d\u00e1 banho em muitas das novinhas por a\u00ed. Dan\u00e7avam, pulavam, se divertiam, num expediente de 10 horas cont\u00ednuas. Ufa! Haja f\u00f4lego! Meus p\u00e9s do\u00edam, ent\u00e3o decidi ir somente \u00e0 tarde para shows e palestras. Mas elas, ah! Elas aguardavam desde cedo a abertura dos port\u00f5es.<\/p>\n<p>Em um dado momento, j\u00e1 no \u00faltimo dia, ocorreu que um cisco entrou no meu olho. Entre 6.700 hist\u00f3rias escritas para concorrer ao pr\u00eamio \u201cA Estrela \u00e9 Voc\u00ea\u201d (que daria banho de beleza e de loja \u00e0 ganhadora), dez mulheres foram selecionadas para ter um resumo da vida narrada ali no palco para todos ouvirem. Posso dizer no m\u00ednimo corajosas. Expor-se dessa maneira n\u00e3o \u00e9 para principiantes. Claro que n\u00e3o me contive, fui \u00e0s l\u00e1grimas naquela emo\u00e7\u00e3o de reconfirmar o quanto o ser humano \u00e9 interessante e as mulheres personagens de livros e da vida real. Maravilhei-me sobre o quanto podemos nos reinventar.<\/p>\n<p>Uma das senhoras confessou, deixou a vida de freira para casar com um rapaz que insistente e pacientemente roubou seu cora\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o dedicado ao convento. A plateia riu e eu visualizei a persist\u00eancia daquele garoto ao frequentar as missas, tentar uma conversa ou duas. Tempo ritmado por outras expectativas. Dosado pela minutagem dos s\u00e1bios.<\/p>\n<p>Outra vida falava de uma mulher forte que ajuda a v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es de apoio a doentes, quando de repente ela mesma se descobriu diagnosticada com a Esclerose Lateral Amiotr\u00f3fica (ELA). Aquela tal doen\u00e7a que mobilizou famosos e an\u00f4nimos nas redes sociais com a &#8220;brincadeira&#8221; do balde de gelo (lembra?). J\u00e1 era o destino ensinando \u00e0quela senhora como cuidar e deixar ser cuidada. Sei que aceitar ajuda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples como imaginamos. Paradoxalmente, \u00e0s vezes \u00e9 mais seguro olhar para o outro e dizer \u201cvou te ajudar\u201d. Deixar a vulnerabilidade aflorar \u00e9 um ato de bravura.<\/p>\n<p>E voltar a estudar ap\u00f3s os 60 anos? \u00c9 uma resili\u00eancia para poucos. E eis que umas das hist\u00f3rias falava sobre os desafios entre as gera\u00e7\u00f5es e preconceito dentro de sala de aula. Enfrentar essa jornada requer presen\u00e7a de esp\u00edrito. A sexagen\u00e1ria contou que, n\u00e3o s\u00f3 deu a volta por cima, como acabou reconhecida pelos demais alunos da turma.<\/p>\n<p>E o que dizer de uma m\u00e3e que acaba de dar \u00e0 luz, quando outra m\u00e3e deixa os filhos \u00f3rf\u00e3os?! O que fez a sobrevivente? Amamentou os filhos da outra, \u201cde cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o\u201d. Teve ainda a que driblou as dificuldades financeiras e hoje \u00e9 formada com louvor. Outra senhora narrou o amor fraterno cultivado por uma amiga de inf\u00e2ncia, \u201cSou Ant\u00f4nia, ela tamb\u00e9m.\u201d, dizia dedicando as frases \u00e0 amiga. Uma das que me puxou mais a emo\u00e7\u00e3o foi a senhora que nos confessou o dia a dia sem o filho. Saudosa e confiante nos planos maiores do amor, nos contou como percebeu que os la\u00e7os seguem al\u00e9m, e que o filho estaria ali, presente no evento torcendo por ela.<\/p>\n<p>Dez caminhos diferentes que a vida tomou, mostrando o quanto as mulheres podem ser vitoriosas. E com mais de 70% dos votos, a ganhadora foi morar aos quatorze anos com outra fam\u00edlia que n\u00e3o a sua, para cuidar dos filhos de um certo casal. \u00c9 a \u201cm\u00e3e preta\u201d, hoje \u201cV\u00f3 preta\u201d como se autointitula. Ela se disse muito amada h\u00e1 mais de vinte anos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria premiada me lembrou as milhares de adolescentes-crian\u00e7as, praticamente criadas enquanto trabalham. N\u00e3o sei mais detalhes da vida da vencedora, mas sei das meninas que v\u00eam do interior procurando oportunidade, amor, trabalho e realiza\u00e7\u00e3o. Muitas n\u00e3o vingam, in\u00fameras engravidam ainda jovens, poucas seguem os pr\u00f3prios sonhos, e apenas algumas s\u00e3o estrelas da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Uma esp\u00e9cie de concurso \u201cnatural\u201d da vida.<\/p>\n<p><em>Cristina Fontenele escreve todo dia 5 e dia 20 de cada m\u00eas<\/em><\/p>\n<p><strong>Conhe\u00e7a a colunista<\/strong><\/p>\n<p>Jornalista em forma\u00e7\u00e3o, publicit\u00e1ria, especialista em Marketing e escritora por paix\u00e3o. Cristina Fontenele atua tamb\u00e9m como terapeuta renascedora no Clube do Renascimento de Fortaleza. Visite o blog <a href=\"http:\/\/crisfonte.blogspot.com.br\/2016\/08\/de-coracao-para-coracao.html\">A Fonte<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que a Exist\u00eancia \u00e9 s\u00e1bia e est\u00e1 ao nosso favor. Desejo que o fluxo da vida continue me levando para as experi\u00eancias de crescimento e de amor\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cristina Fontenele Mais de 20 mil pessoas reunidas em um evento dedicado \u00e0s mulheres. 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