{"id":3218,"date":"2016-09-20T08:16:28","date_gmt":"2016-09-20T11:16:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3218"},"modified":"2016-09-20T08:16:28","modified_gmt":"2016-09-20T11:16:28","slug":"um-brinde-ao-desencontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/09\/20\/um-brinde-ao-desencontro\/","title":{"rendered":"Um brinde ao desencontro"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3219 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/09\/Um-brinde-ao-desencontro-300x293.jpg\" alt=\"um-brinde-ao-desencontro\" width=\"318\" height=\"311\" \/>Dizem que o combinado n\u00e3o sai caro, mas h\u00e1 dias em que tudo foge ao nosso controle, a esse pr\u00e9-combinado que garante a organiza\u00e7\u00e3o da rotina. S\u00e3o aquelas horas nos lembrando que n\u00e3o temos o dom\u00ednio que achamos ter sobre os acontecimentos e sobre as pessoas. \u00c9 quando tudo parece desencontrado e irritante. Soa familiar para voc\u00ea?<\/p>\n<p>Nessas ocasi\u00f5es, \u00e9 comum procurarmos aquele bendito ser em quem por a culpa. \u00c0s vezes, n\u00f3s mesmos estamos na mira. De tudo um pouco, todos e ningu\u00e9m somos respons\u00e1veis pelo desenrolar dos fatos. Foi como tinha que ser, a nossa revelia. Assim \u00e9 a vida, selvagem.<\/p>\n<p>Digo isso porque \u00e9 habitual que os desencontros nos gerem pensamentos do tipo &#8220;O que deu errado?&#8221;, &#8220;Em que parte eu tive culpa?&#8221;, \u201cO que poderia ter sido feito diferente?&#8221;. J\u00e1 passou pela sua cabe\u00e7a algo assim?<\/p>\n<p>Afora as melhorias que podemos tirar de cada conto, o que incomoda nesses casos s\u00e3o as r\u00e9stias de culpa que nos atazanam o ju\u00edzo. Ficam l\u00e1, martelando, depondo contra nossa compet\u00eancia e maturidade em lidar com as situa\u00e7\u00f5es. Mas a quest\u00e3o a entender, e principalmente a aceitar, \u00e9 que n\u00e3o damos conta de tudo, apesar da nossa sensa\u00e7\u00e3o de onipresen\u00e7a. N\u00e3o. N\u00e3o podemos consertar o mundo, as pessoas, o passado, nem colocar um la\u00e7o e ajeitar os &#8220;erros&#8221; na mesma hora.<\/p>\n<p>E como lidar com aquele mal estar interno quando algo n\u00e3o vai como o nosso planejado? Podemos nos perguntar: &#8220;Fizemos o nosso melhor?&#8221;, &#8220;Realizamos tudo que estava ao nosso alcance?&#8221;. S\u00f3 que isso n\u00e3o ajuda muito quando a sensa\u00e7\u00e3o de erro segue no encal\u00e7o.<\/p>\n<p>Em geral, essa persegui\u00e7\u00e3o culposa pode nos remeter \u00e0 velha e repetida cren\u00e7a de que &#8220;n\u00e3o somos bons o suficiente&#8221;. E j\u00e1 se avista no horizonte a conhecida senhora chamada autoestima. Muitos percal\u00e7os esbarram nela, mesmo quando a liga\u00e7\u00e3o parece improv\u00e1vel, ou muito ou pouco, retornam ao dilema do sou ou n\u00e3o sou.<\/p>\n<p>Fico invejosa de quem liga o cobi\u00e7ado bot\u00e3o do \u201cdeixa para l\u00e1&#8221; (para n\u00e3o dizer o \u201cfoda-se&#8221;) e segue sua rotina leve, dorme bem e acorda no dia seguinte com a pele de p\u00eassego. S\u00e1bios ou antiemp\u00e1ticos, essas criaturas vivem mais. N\u00e3o guardam remorsos, criam rugas de idade e n\u00e3o de preocupa\u00e7\u00e3o, e bebem caf\u00e9 sem culpa.<\/p>\n<p>Ah culpa! Ideia bobinha e persistente que inferniza nossos dias desencontrados e nos faz acreditar que nascemos com defeito de f\u00e1brica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que o combinado n\u00e3o sai caro, mas h\u00e1 dias em que tudo foge ao nosso controle, a esse pr\u00e9-combinado que garante a organiza\u00e7\u00e3o da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":115,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[203,205],"tags":[206,2619,2620,502],"class_list":["post-3218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-coluna","category-cristina-fontenele","tag-cronica","tag-culpa","tag-desencontro","tag-vida"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/115"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3218\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}