{"id":3409,"date":"2016-11-20T11:33:24","date_gmt":"2016-11-20T14:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3409"},"modified":"2016-11-20T11:33:24","modified_gmt":"2016-11-20T14:33:24","slug":"por-onde-anda-sua-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/11\/20\/por-onde-anda-sua-alma\/","title":{"rendered":"Por onde anda sua alma?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-3410\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/11\/Por-onde-anda-sua-alma-300x167.jpg\" alt=\"por-onde-anda-sua-alma\" width=\"383\" height=\"213\" \/><\/p>\n<p>Outra noite, um amigo nos dava conselho sobre um trabalho: \u201cFa\u00e7am com a alma\u201d. Uma rica sugest\u00e3o, diria, que se estende para as decis\u00f5es afora o \u00e2mbito profissional. Optar por aquilo que faz o cora\u00e7\u00e3o vibrar traz mais sabor e temperatura \u00e0 vida. \u00c9 atraente e furtivo. Mas desde ent\u00e3o, a pergunta n\u00e3o me sai da cabe\u00e7a: \u201cPor onde anda minha alma?\u201d<\/p>\n<p>Reunir mente, corpo e alma em um s\u00f3 lugar n\u00e3o \u00e9 tarefa simples. Em geral, nosso corpo samba aos quatro ventos, enquanto a mente vagueia entre o passado e o futuro e a alma navega marota por \u00e1guas indom\u00e1veis. As tr\u00eas ilustres juntas, ah isso \u00e9 pura magia! Ou poderia se chamar presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o passou por isso? O corpo chegou ao trabalho, mas a mente ficou l\u00e1 na cama, convidativa, quentinha, espalhada entre travesseiros e edredom. Voc\u00ea vai passear, mas esqueceu de levar a alma junto, e o t\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 mais uma novidade. O corpo, este faz as vias necess\u00e1rias para garantir sua agenda, afinal h\u00e1 compromissos. J\u00e1 a alma, essa \u00e9 fugaz, incapsul\u00e1vel. E o que dizer da mente? Esp\u00e9cime escorregadia que, de vez em quando, se exibe para nos trazer \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>Ambiciosas, a mente costuma projetar ao passo que a alma sonha com o imposs\u00edvel, aquilo que o corpo ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou. Fica ent\u00e3o uma ranhura. Se desejam algo diferente, h\u00e1 um esvaziamento, ou uma tens\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio iniciar um conluio, uma negocia\u00e7\u00e3o travessa. Enquanto isso o corpo espera, ou ent\u00e3o adoece, o que n\u00e3o \u00e9 incomum.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil admitir quando n\u00e3o vibramos mais com algo. O que fazer? Assumimos uma derrota? Mas h\u00e1 luto ali, n\u00e3o se pode negar. Uma luta tamb\u00e9m, porque deixar o desejo fugir, cabe um desapego. Estava tudo t\u00e3o certo, sossegado\u2026 Agora falta ar naquele espa\u00e7o onde as d\u00favidas ocupam mudas.<\/p>\n<p>Sabe quando o inc\u00f4modo grita pelas manh\u00e3s, e voc\u00ea procura silenciar mente e corpo? Quer dizer para a alma n\u00e3o se rebelar \u00e0quela hora do dia, mas ela decide ter luz pr\u00f3pria. H\u00e1 turnos que s\u00e3o assim e a gente atravessa f\u00e1cil. Outros, no entanto, trazem um cansa\u00e7o, vontade de se render e acomodar.<\/p>\n<p>E sobre o que meu amigo vinha aconselhando l\u00e1 no come\u00e7o, fazer com a alma? Dia desses minha alma deu o ar da gra\u00e7a. Tentei convenc\u00ea-la a ficar, mas a criatura n\u00e3o se seduziu. Pediu por conquista e eu nada pude prometer. N\u00e3o pude garantir que andaria de m\u00e3os dadas com o corpo, ou que teria hor\u00e1rio livre com a mente. Estes s\u00e3o afoitos e vol\u00faveis. N\u00e3o h\u00e1 controle.<\/p>\n<p>Para marcar um encontro com a alma, h\u00e1 que se ter paci\u00eancia e atrevimento. Namoro \u00e0 dist\u00e2ncia, sem falsas promessas, porque ela \u00e9 matreira. Sabe antes de n\u00f3s o que acelera o peito. A tal sugest\u00e3o de \u201cfazer com a alma\u201d \u00e9 uma atitude de entrega e inoc\u00eancia. Uma conex\u00e3o com nossos talentos, com aquilo que oferecemos para tornar o mundo melhor. J\u00e1 se pode ver que a figura \u00e9 mesmo ilustre, essa dita cuja.<\/p>\n<p>Da \u00faltima vez que minha alma me fez uma visitinha mais demorada, tomamos caf\u00e9 (algo que fazemos bem), papeamos sobre sonhos e curvas. A mente puxou uma cadeira, se interessou, mas de p\u00e9 atr\u00e1s (como \u00e9 de costume), cortou o p\u00e3o pela metade e nos ponderou. Disse que os tempos n\u00e3o est\u00e3o para brincadeira. O corpo bateu \u00e0 porta, sempre chega assim, inadvertido. Pediu uma x\u00edcara e comeu bolo com leite.<\/p>\n<p>Animados, marcamos outra rodinha de conversa, a qualquer domingo. Pode ser, foi \u00f3timo, sabe como \u00e9&#8230; Quem vir\u00e1? Nunca sei. Mas j\u00e1 deixo a postos uma mesa e um bloco de notas. Dicas valiosas v\u00eam com esses encontros surpresas. Naquela tarde, ficamos n\u00f3s quatro e uma longa conversa, saboreando p\u00e3o, caf\u00e9 e possibilidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outra noite, um amigo nos dava conselho sobre um trabalho: \u201cFa\u00e7am com a alma\u201d. 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