{"id":3416,"date":"2016-12-02T10:08:24","date_gmt":"2016-12-02T13:08:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3416"},"modified":"2016-12-02T10:08:24","modified_gmt":"2016-12-02T13:08:24","slug":"critica-3-primeira-temporada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/12\/02\/critica-3-primeira-temporada\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: 3% &#8211; Primeira Temporada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-388\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/109\/2016\/12\/3-por-cento-poster-300x444.jpg\" alt=\"3-por-cento-poster\" width=\"300\" height=\"444\" \/>Qu\u00e3o longe voc\u00ea iria por uma vida perfeita? A pergunta feita pelo argumento da s\u00e9rie <strong>3%<\/strong>, a primeira produ\u00e7\u00e3o brasileira original da <strong>Netflix<\/strong>, sugere um roteiro de possibilidades a partir da distopia. O g\u00eanero, mesmo cansado na literatura estrangeira, ainda n\u00e3o ganhou representatividade significante na fic\u00e7\u00e3o brasileira. Pelo menos n\u00e3o na tev\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Longe de ser novidade, o enredo da s\u00e9rie criada por Pedro Aguilera com dire\u00e7\u00e3o de C\u00e9sar Charlone (Cidade de Deus) traz jovens residentes do Continente, uma esp\u00e9cie de mundo velho e miser\u00e1vel, para disputar uma vaga no Maralto, a sociedade ideal para onde s\u00f3 passam 3% da popula\u00e7\u00e3o. Uma s\u00e9rie de provas marcam esse momento que se estende pela primeira temporada e muito lembra a literatura para jovens adultos que se popularizou nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 no primeiro epis\u00f3dio \u00e9 poss\u00edvel identificar problemas que se agravam nos cap\u00edtulos seguintes. Num primeiro momento, <strong>3%<\/strong> apresenta um elenco fora de sintonia, perdido em di\u00e1logos vergonhosos que nada acrescentam \u00e0 narrativa. O roteiro n\u00e3o apresenta os personagens devidamente e os atores, em meio a um evidente conflito de dire\u00e7\u00e3o de elenco, n\u00e3o conseguem despertar empatia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo quando recorre ao passado para tentar mostrar quem s\u00e3o os concorrentes a um lugar no Maralto, a s\u00e9rie n\u00e3o constr\u00f3i apropriadamente os personagens. N\u00e3o cumpre o m\u00ednimo. Tirando os conflitos que retratam a juventude negra na periferia e defici\u00eancia f\u00edsica, deles n\u00e3o se sabe nada. S\u00e3o pessoas que, pelo que parece, nada viveram nesses 20 anos &#8211; idade que os moradores do Continente se tornam aptos para participar do Processo &#8211; al\u00e9m do sonho de atravessar o mar. N\u00e3o h\u00e1 subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ezequiel, o l\u00edder do Processo, foge \u00e0 regra. Interpretado por <strong>Jo\u00e3o Miguel<\/strong>, claramente desconfort\u00e1vel no papel inicialmente, \u00e9 o fio condutor das possibilidades que permeiam esse universo. Se por um lado, orienta os candidatos no processo seletivo, por outro, \u00e9 capaz de derrub\u00e1-los ou desestabilizar sua pr\u00f3pria equipe. A figura autorit\u00e1ria \u00e9 tamb\u00e9m a personifica\u00e7\u00e3o do Big Brother, de Orwell, ou at\u00e9 mesmo do pr\u00f3prio Pan-\u00f3ptico, de Bentham, conceito de vigil\u00e2ncia baseado na disciplina e no controle. O personagem tem seu passado revelado no quinto epis\u00f3dio, intitulado &#8220;\u00c1gua&#8221;. Nele, Jo\u00e3o Miguel contracena com Mel Fronckowiak, atriz com pouqu\u00edssima experi\u00eancia nas telas at\u00e9 ent\u00e3o. Pois \u00e9 ela quem entrega\u00a0uma interpreta\u00e7\u00e3o extremamente equilibrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As refer\u00eancias s\u00e3o v\u00e1rias. Do cl\u00e1ssico Admir\u00e1vel Mundo Novo (Aldous Huxley), passando pelo contempor\u00e2neo Jogos Vorazes (Suzanne Collins), <strong>3%<\/strong> se apropria tamb\u00e9m da obra-prima O Senhor das Moscas, de William Golding, e de filmes ultra violentos para o epis\u00f3dio &#8220;Port\u00e3o&#8221;, ponto de virada da trama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Alguns problemas s\u00e3o corrigidos do meio para o fim da temporada, com o roteiro come\u00e7ando a se amarrar e um ou outro bom epis\u00f3dio que destoa da pavorosa experi\u00eancia inicial. Ainda assim, muito do eixo criativo precisa ser revisto para a s\u00e9rie fazer jus ao selo Netflix que carrega e reivindicar sua\u00a0identifica\u00e7\u00e3o\u00a0com a fic\u00e7\u00e3o dist\u00f3pica. A produ\u00e7\u00e3o pouco lembra o promissor piloto divulgado em 2011 no Youtube e talvez este n\u00e3o seja mesmo o caminho. Falta \u00e0 s\u00e9rie\u00a0ousadia para cruzar o Processo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"3% | Trailer Oficial - Netflix [HD]\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LR5vVv2RDLw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qu\u00e3o longe voc\u00ea iria por uma vida perfeita? 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