{"id":3418,"date":"2016-12-02T10:13:12","date_gmt":"2016-12-02T13:13:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3417"},"modified":"2016-12-02T10:13:12","modified_gmt":"2016-12-02T13:13:12","slug":"critica-black-mirror-terceira-temporada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/12\/02\/critica-black-mirror-terceira-temporada\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Black Mirror &#8211; Terceira Temporada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-331\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/109\/2016\/11\/blackmirror3x1-624x407.jpg\" alt=\"blackmirror3x1\" width=\"550\" height=\"359\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dentre as v\u00e1rias coisas que a <strong>Netflix<\/strong> faz como ningu\u00e9m est\u00e1 o resgate de produtos televisivos. Depois da com\u00e9dia Arrested Development, que alcan\u00e7ou status de cult, e The Killing, o melhor drama policial dos \u00faltimos 10 anos, a empresa adquiriu outro programa para chamar de seu. <strong>Black Mirror<\/strong>, criada pelo brit\u00e2nico Charlie Brooker, \u00e9 a s\u00e9rie original mais interessante da plataforma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Produzida inicialmente de 2011 a 2014 pelo Channel 4, a s\u00e9rie \u00e9 uma antologia que explora as consequ\u00eancias do mau uso da tecnologia. Nesse per\u00edodo, o programa ganhou duas temporadas de tr\u00eas epis\u00f3dios cada e um especial de natal. As tramas se desdobram de diversas formas dentro de uma realidade especulativa, em futuros nem t\u00e3o distantes assim, ou, quando \u00e9 ainda mais assustar, na sociedade como conhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para resumir em um adjetivo, o espelho negro de Brooker \u00e9 perturbador. A s\u00e9rie incomoda, para dizer o m\u00ednimo. E parece vir acompanhada de um dever de casa mental que se converte em reflex\u00f5es a partir das situa\u00e7\u00f5es apresentadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em seu epis\u00f3dio mais memor\u00e1vel, intitulado White Bear, uma mulher acorda em um mundo dist\u00f3pico estranho, mas nem tanto. De um lado, uma comunidade colada em seus smartphones, registrando cada passo dela. Do outro, pessoas querendo mat\u00e1-la. E j\u00e1 em sua segunda temporada Black Mirror talvez tenha feito o questionamento mais pesado e mais atual em todos esses anos: qual \u00e9 o limite para punir um ser humano? Tem mais. Em que medida isso deve estar ao alcance e sob decis\u00e3o da massa? Um tapa na cara da forma que s\u00f3 essa s\u00e9rie pode fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diferente de qualquer outro show que voc\u00ea tenha assistido (mas claramente referenciada no cl\u00e1ssico\u00a0Al\u00e9m da Imagina\u00e7\u00e3o), Black Mirror apresenta uma hist\u00f3ria fechada por epis\u00f3dio. Aqui n\u00e3o tem personagem para se apegar. N\u00e3o tem plot para acompanhar a longo prazo. Independentemente disso, o universo do qual Brooker se apropria, mesmo sem l\u00f3gica narrativa cont\u00ednua, \u00e9 muito bem constru\u00eddo e se dialoga a todo momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O &#8216;espelho negro&#8217; que d\u00e1 t\u00edtulo ao programa \u00e9, at\u00e9 \u00f3bvio, a pr\u00f3pria tela de aparelhos como smartphones, TV ou monitor (p\u00f3s-maratona de Black Mirror). \u00c9 aquele alento quando nos desligamos da representa\u00e7\u00e3o digital. \u00c9 o momento da reflex\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3prio e necess\u00e1rio que o roteiro da s\u00e9rie exige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A terceira temporada, j\u00e1 sob tutela da Netflix, \u00e9 cheia de grandes momentos. A premiere Nosedive, com Bryce Dallas Howard (Jurassic World) no papel principal, tra\u00e7a uma \u00e9poca em que as pessoas s\u00e3o controladas pelas notas que recebem umas das outras em uma esp\u00e9cie de aplicativo de rela\u00e7\u00e3o social. J\u00e1 o veross\u00edmil Shut Up and Dance faz um jogo psicol\u00f3gico a partir de uma armadilha online em que as pessoas precisam lutar de diferentes formas para n\u00e3o ter um segredo obscuro revelado. E aqui a s\u00e9rie apresenta seu marco maior neste temporada por apresentar uma situa\u00e7\u00e3o completamente plaus\u00edvel nos dias atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O grande trunfo da s\u00e9rie \u00e9 justamente usar essas premissas t\u00e3o assustadoramente familiares ao nosso tempo. Ainda mais quando o texto confronta a necessidade urgente de repensar a sociedade para lidar com as sequ\u00eancias das pr\u00f3prias atitudes. E isso Black Mirror faz muito bem desde o primeiro epis\u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das mais importantes da d\u00e9cada. \u00c9 at\u00e9 dif\u00edcil pensar em algo que surja nos pr\u00f3ximos quatro anos e se torne mais relevante que Black Mirror porque ela \u00e9 desses produtos que aparecem de tempos em tempos e retratam nossa sociedade como nenhum outro. Fora que \u00e9 entretenimento de qualidade. Veja o notici\u00e1rio. D\u00ea uma olhada r\u00e1pida na sua timeline. Ainda estamos falando em fic\u00e7\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre as v\u00e1rias coisas que a Netflix faz como ningu\u00e9m est\u00e1 o resgate de produtos televisivos. 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