{"id":3435,"date":"2016-12-05T19:06:06","date_gmt":"2016-12-05T22:06:06","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3435"},"modified":"2016-12-05T19:06:06","modified_gmt":"2016-12-05T22:06:06","slug":"vida-que-queremos-ter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/12\/05\/vida-que-queremos-ter\/","title":{"rendered":"A vida que queremos ter"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3438 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/108\/2016\/12\/A-vida-que-queremos-1-300x200.jpg\" alt=\"a-vida-que-queremos\" width=\"441\" height=\"294\" \/><\/p>\n<p>Assistindo ao filme \u201cOs Desnorteados\u201d, recebi uma dica valiosa para o pr\u00f3ximo ano. O pai do protagonista recomenda: &#8220;Filho, escolha a vida que voc\u00ea quer e n\u00e3o a vida que voc\u00ea pode ter&#8221;. O conselho vem em momento oportuno; dezembro, revis\u00e3o das metas e a pertinente quest\u00e3o \u2013 \u201cQue vida vamos levar em 2017? A que queremos ou a que podemos?\u201d<\/p>\n<p>Vozes, velhas conhecidas despertam das profundezas para nos chacoalhar &#8211; &#8220;Querer n\u00e3o \u00e9 poder!&#8221;. \u201cA vida est\u00e1 muito dif\u00edcil, se apegue ao que j\u00e1 tem\u201d.\u00a0\u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode ter tudo\u201d. \u201cMelhor um p\u00e1ssaro na m\u00e3o do que dois voando\u201d. \u201cDeixe de sonhar. Os tempos n\u00e3o est\u00e3o para brincadeira\u201d. De certo, voc\u00ea tem suas cren\u00e7as, fulano tem as dele, e assim arrastamos v\u00e1rios fantasmas guiando nossas a\u00e7\u00f5es, principalmente nos per\u00edodos de mudan\u00e7a.\u00a0Mas o que diz nossa pr\u00f3pria voz?<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata aqui de apelar para a vida inconsequente, cheia de d\u00edvidas que prejudica a si e aos outros. Isso \u00e9 outra hist\u00f3ria. Pode ser que, assim como \u201cOs Desnorteados\u201d, acreditemos naquela vida dos comerciais de TV, idealizando que o melhor para n\u00f3s vem apenas com sorrisos e perfei\u00e7\u00e3o. Mas os dias t\u00eam seus atropelos e podemos rir com eles.<\/p>\n<p>O filme \u00e9 com\u00e9dia besteirol, boa para domingo \u00e0 noite. Mas com humor caricato, ainda consegue refletir quest\u00f5es atuais: desemprego, crise, a grama mais verde do vizinho e sobre vivermos a vida que os outros esperam de n\u00f3s. Spoiler \u00e0 vista.<\/p>\n<p>No roteiro, o ator principal encena um jovem espanhol de curr\u00edculo recheado, mas rec\u00e9m demitido. Cansado da crise em seu pa\u00eds, v\u00ea em um comercial de TV a solu\u00e7\u00e3o de seus problemas \u2013 Berlim est\u00e1 cheia de vagas de trabalho. Ent\u00e3o, juntamente com outro amigo desempregado, o protagonista decide tentar a vida pr\u00f3spera nas terras alem\u00e3s. L\u00e1 chegando, al\u00e9m do choque cultural, passa por apuros financeiros.<\/p>\n<p>A trama se desenrola com o jovem espanhol mentindo para seus pais, que acreditam no excelente cargo ocupado pelo filho, gerente em uma grande empresa alem\u00e3. Nada novo sob o c\u00e9u. O personagem vai escolhendo viver uma farsa para salvar os pais da fal\u00eancia, para agradar o pr\u00f3prio ego e tamb\u00e9m para prestar contas ao que se espera dele &#8211; algu\u00e9m bem sucedido ap\u00f3s anos de estudo.<\/p>\n<p>F\u00e1cil apontar o dedo para o espanhol, mas o que dizer de n\u00f3s? Estamos vivendo a vida que queremos ou a que esperam de n\u00f3s? Assumir a pr\u00f3pria verdade requer coragem, exige romper conveni\u00eancias, confiar no fluxo, que n\u00e3o avisa sobre as tempestades, bonan\u00e7a ou desafios. A vida que nos cabe, n\u00e3o a do cinema, n\u00e3o segue um roteiro definido, n\u00e3o tem ensaios e n\u00e3o permite troca de protagonista. \u00c9 valendo!<\/p>\n<p>No fazer di\u00e1rio, ser\u00e1 que tomamos a vida pelas m\u00e3os? Deixamos ir os projetos alheios e nos apropriamos da nossa rota? Recordo uma ora\u00e7\u00e3o do terapeuta americano, Bob Mandel, que sugere \u201cDeixar ir, Deixar Deus agir\u201d. Bob nos lembra de que algumas corridas n\u00e3o s\u00e3o as nossas, por isso n\u00e3o \u00e9 preciso corr\u00ea-las. Alguns projetos s\u00e3o executados melhor desacelerando e algumas respostas v\u00eam quando esperamos ao inv\u00e9s de for\u00e7ar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como Bob, \u201ceu rezo para saber o que \u00e9 meu, quando empurrar, quando permitir\u201d. Como o desnorteado do filme, eu espero ter a coragem de buscar a cada dia a vida que eu quero e n\u00e3o me contentar com a vida que eu posso ter. A todos, que tenhamos a ousadia de ir al\u00e9m da vida que escreveram para n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assistindo ao filme \u201cOs Desnorteados\u201d, recebi uma dica valiosa para o pr\u00f3ximo ano. 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