{"id":3686,"date":"2017-02-23T19:27:31","date_gmt":"2017-02-23T22:27:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3686"},"modified":"2017-02-23T19:27:31","modified_gmt":"2017-02-23T22:27:31","slug":"critica-moonlight-sob-luz-do-luar-2016-de-barry-jenkins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2017\/02\/23\/critica-moonlight-sob-luz-do-luar-2016-de-barry-jenkins\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Moonlight &#8211; Sob a Luz do Luar (2016), de Barry Jenkins"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3687\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/Moonlight-poster-300x435.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"435\" \/>Uma das mais aut\u00eanticas\u00a0possibilidades do cinema \u00e9 realizar um recorte social do seu tempo. Produ\u00e7\u00f5es recentes como <strong>Spotlight<\/strong> (2015), <strong>Her<\/strong> (2013) e, trazendo para mais pr\u00f3ximo da nossa realidade, o pernambucano <strong>Aquarius<\/strong> (2016), fizeram isso brilhantemente. Cada um \u00e0 sua maneira e \u00e0 medida do que o cerne narrativo exigia. S\u00e3o filmes com debates leg\u00edtimos, complexos e, principalmente, atuais. E s\u00e3o, tamb\u00e9m, completamente diferentes.<\/p>\n<p>Em <strong>Moonlight: Sob a Luz do Luar<\/strong> (2016), o diretor e roteirista norte-americano Barry Jenkins compreende bem o papel social que tem o cinema. Segundo da sua filmografia &#8211; o primeiro foi Medicine for Melancholy (2008), ainda in\u00e9dito no Brasil &#8211; o longa se vale de uma juventude marginalizada para narrar a jornada de Chiron, um garoto <strong>negro<\/strong>, <strong>gay<\/strong> e <strong>perif\u00e9rico<\/strong>.<\/p>\n<p>Carregando pr\u00eamios por onde passa, \u00e9 dele o trof\u00e9u de Melhor Filme de Drama, do \u00faltimo Globo de Ouro. Tamb\u00e9m levou dois Critic&#8217;s Choice Awards e pr\u00eamios bem vistos no mercado como o do Sindicato dos Atores e o Gotham Independent. No Oscar, onde concorre em oito categorias, \u00e9 um dos favoritos ao pr\u00eamio m\u00e1ximo, ao lado de <strong>La La Land<\/strong>, de Damien Chazelle.<\/p>\n<p>Dividido em tr\u00eas fases (inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e maturidade), o drama se apropria de questionamentos t\u00e3o fortes quanto veross\u00edmeis para justificar a forma\u00e7\u00e3o do seu protagonista.<\/p>\n<p>Nos idos dos 30 min de tela, o roteiro pergunta, por meio de Little, como era chamado Chiron na inf\u00e2ncia, o que \u00e9 &#8220;uma bicha&#8221;. A sequ\u00eancia, como tantas outras dos 110 minutos, \u00e9 devastadora. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para clich\u00e9 e nem para excessos. Numa performance excepcional do pequeno Alex R. Hibbert, a honestidade dolorosa na postura de Little \u00e9 suficientemente forte. O di\u00e1logo segue nas d\u00favidas da autodescoberta e do debate moral em que se fecha a comunidade onde o filme \u00e9 situado, em Miami.<\/p>\n<p>O estreante Hibbert contracena com Mahershala Ali e Janele Mon\u00e1e, que tamb\u00e9m est\u00e3o no elenco de <strong>Estrelas Al\u00e9m do Tempo<\/strong>, concorrente a Melhor Filme no Oscar. Nas fases seguintes, Chiron \u00e9 interpretado por Ashton Sanders e Trevante Rhodes, ambos bem mergulhados no personagem. Outro ponto impactante \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o de Naomie Harris como a dependente qu\u00edmica Paula, m\u00e3e do garoto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Moonlight | Official Trailer HD | A24\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9NJj12tJzqc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Com dom\u00ednio da importante obra que tinha em m\u00e3os, Barry Jenkins fez um trabalho not\u00e1vel ao pontuar as nuances que acertam\u00a0a hist\u00f3ria. Do \u00e2mago do ambiente estabelecido pela fam\u00edlia, do contexto escolar\u00a0que acompanha qualquer sujeito e das descobertas guiadas pelo barulho\u00a0do mar, <strong>Moonlight<\/strong> brilha ao se comunicar com quem n\u00e3o tem lugar de fala. Mais importante\u00a0que isso, mostra uma realidade ignorada por quem n\u00e3o tolera\u00a0o enfrentamento.<\/p>\n<p>Realizado em um tempo\u00a0em que o protecionismo,\u00a0a intoler\u00e2ncia e a opress\u00e3o saem do arm\u00e1rio, <strong>Moonlight<\/strong> tem muito a dizer a quem encontra na resist\u00eancia um alento. Um retrato cruel do mundo como ele \u00e9: lugar onde\u00a0se colocar \u00e9 regra de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica: Moonlight: Sob a Luz do Luar\u00a0<\/strong>(EUA, 2016), de Barry Jenkins. Drama. 111 minutos. <strong>Estreia nesta quinta-feira, 23 de fevereiro.<\/strong><\/p>\n<p>* Originalmente publicado no blog <strong>Cinema \u00e0s 8<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das mais aut\u00eanticas\u00a0possibilidades do cinema \u00e9 realizar um recorte social do seu tempo. 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