{"id":3959,"date":"2017-05-05T15:49:13","date_gmt":"2017-05-05T18:49:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=3959"},"modified":"2017-05-05T15:49:13","modified_gmt":"2017-05-05T18:49:13","slug":"uma-fala-carpinejar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2017\/05\/05\/uma-fala-carpinejar\/","title":{"rendered":"Uma Fala Carpinejar"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3961 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Carpinejar-2-300x211.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"282\" \/><\/p>\n<p>Uma noite refrescante. Ouvir o escritor ga\u00facho, Fabricio Carpinejar, conversar sobre como ser \u201cfeliz por pouco e transbordando por muito, como ser feliz criativamente\u201d, nos lembra do tempo para o afeto, do abra\u00e7o sentido, do contato honesto com o outro.<\/p>\n<p>Carpinejar, que uniu os sobrenomes da m\u00e3e (Carpi) e do pai (Nejar) para se fazer inteiro, para aproximar os pais em seu imagin\u00e1rio afetivo, diz que s\u00f3 foi ser poeta para buscar o pai. \u201cA poesia \u00e9 uma longa carta que eu escrevi para ele\u201d.<\/p>\n<p>Ele bem alerta, \u201ca gente s\u00f3 se resolve quando fica em paz com os pais\u201d. O escritor das palavras descreve os impasses do cora\u00e7\u00e3o e adverte que o grande problema da felicidade \u00e9 que a gente sempre acha que o outro pode ser melhor do que ele realmente \u00e9. \u201cA gente cobra do outro uma perfei\u00e7\u00e3o\u201d, quando n\u00f3s mesmos estamos longe disso.<\/p>\n<p>A felicidade passa, portanto, pela paz com o passado, com nossas ra\u00edzes, nossa hist\u00f3ria. Se olharmos bem, d\u00e1 at\u00e9 para perceber pedacinhos de n\u00f3s fincados no corpo dos sete anos, no muro da nossa casa da adolesc\u00eancia, nas conversas das madrugadas com amigos, nas mem\u00f3rias com o \u201cex\u201d. Ficamos por l\u00e1?<\/p>\n<p>Para ser feliz criativamente, anuncia o poeta, \u00e9 preciso sair de si, do egocentrismo e observar o outro. Alimentar a curiosidade e se reinventar a cada dia em novas linguagens.<\/p>\n<p>Em tempos virtuais, Carpinejar contesta a criatividade desperdi\u00e7ada ao se odiar tanto o outro, \u201ccriamos todo tipo de insulto, mas no elogiar somos reticentes. Para destruir algu\u00e9m usamos todas nossas reservas ideol\u00f3gicas\u201d. Por\u00e9m, nossa real dificuldade est\u00e1 em encarar os pr\u00f3prios defeitos, na tentativa de esconder nosso monstro interior.<\/p>\n<p>\u201cO quanto n\u00f3s fazemos no dia somente para provocar?\u201d, questiona. E o pensamento vaga por aquelas pequenas discord\u00e2ncias di\u00e1rias, que nem sempre deixamos passar pela irresist\u00edvel vontade de ter raz\u00e3o, em tudo. Mas a felicidade n\u00e3o mora na raz\u00e3o. E sabiamente o poeta recorda, \u201ccom o tempo eu percebi o que \u00e9 ter raz\u00e3o se tu pode ter amor.\u201d<\/p>\n<p>O homem que escreve para destruir janelas, de fala emotiva, ora aos gritos, ora baixinho, comove. Sensibiliza pelas frases simples, qual conselho de amigos, mas firmes como os rel\u00e2mpagos rasgando o c\u00e9u. Ele nos convida a falar com o cora\u00e7\u00e3o, pois sinceridade n\u00e3o \u00e9 reproduzir o que vem \u00e0 cabe\u00e7a, mas conciliar os dois tempos \u2013 o da fala e o do cora\u00e7\u00e3o \u2013 porque o outro pode n\u00e3o estar preparado para ouvir o que voc\u00ea tem a dizer.<\/p>\n<p>A fala Carpinejar nos leva a parar, a sentir, a recuperar a felicidade pelas coisas simples, a n\u00e3o dar nada por garantido, mas a aproveitar o tempo presente para dizer o quanto amamos. \u201cPorque o mais dif\u00edcil na vida n\u00e3o \u00e9 se reinventar, \u00e9 se assumir.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma noite refrescante. 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