{"id":4000,"date":"2017-05-20T13:58:39","date_gmt":"2017-05-20T16:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=4000"},"modified":"2017-05-20T13:58:39","modified_gmt":"2017-05-20T16:58:39","slug":"indo-alem-da-dualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2017\/05\/20\/indo-alem-da-dualidade\/","title":{"rendered":"Indo al\u00e9m da dualidade"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4001 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/imagem-112-300x234.jpg\" alt=\"\" width=\"369\" height=\"288\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Nascemos da unidade &#8211; o amor &#8211; e ca\u00edmos na dualidade na nossa primeira grande mudan\u00e7a \u2013 o nascimento. O embate entre vida e morte assim que viemos ao mundo cria nossa primeira cis\u00e3o, o momento decisivo pela vida. O sentimento de completude que viv\u00edamos no \u00fatero n\u00e3o mais se reproduz. L\u00e1 dentro tudo era protegido, seguro, est\u00e1vamos numa redoma, apesar de j\u00e1 captarmos o ambiente ao redor. Na vida, buscamos repetir essa perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui fora, encontramos um mundo polarizado. Nossas percep\u00e7\u00f5es, principalmente com a crise que atravessamos, t\u00eam nos levado \u00e0 dualidade. Hoje \u00e9 tudo ou nada, bom ou ruim, certo ou errado, verdade ou mentira, culpado ou inocente, mocinho ou bandido. Temos nos distanciado do caminho do meio e da perspectiva de que estamos todos juntos no mesmo barco.<\/p>\n<p>Os julgamentos v\u00e3o fazendo parte inerente da nossa rotina, acompanhados de sensa\u00e7\u00f5es de perda ou ganho. No autom\u00e1tico classificamos situa\u00e7\u00f5es, pessoas e objetos com r\u00f3tulos definitivos que nos aproximam ou afastam. Aqui fora a vis\u00e3o parece estar turva, nossa temperan\u00e7a tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Os \u00e2nimos aflorados nos levam a condena\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias e separa\u00e7\u00f5es. Como ascender em meio a tantas decep\u00e7\u00f5es? Como nos acalmar por dentro se por fora est\u00e1 um caos? Como ir al\u00e9m da dualidade?<\/p>\n<p>Essa semana, ouvi uma palestra com o jornalista Andr\u00e9 Trigueiro, na qual ele falava sobre transi\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, momento que a Terra e n\u00f3s humanos estamos atravessando para separar o joio do trigo nesta crise \u00e9tica, moral e de relacionamentos. Uma crise sist\u00eamica, global. Segundo ele, \u00e9 como se tom\u00e1ssemos um verm\u00edfugo forte, amargo, mas que vai nos curar. Trigueiro destaca que durante essa transi\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso persistir no caminho do bem, renovar todos os dias a nossa f\u00e9, selecionando o que vemos, ouvimos, comemos, e tamb\u00e9m as pessoas com quem queremos estar.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o estejamos mais aqui para ver a solu\u00e7\u00e3o, diz o jornalista, pode demorar muito, embora j\u00e1 esteja acontecendo. Mas vale fazer a parte que nos cabe no tempo que dispomos na terra. \u201cA vida \u00e9 movimento, a\u00e7\u00e3o incessante o tempo todo. A hora \u00e9 de assumir quem voc\u00ea \u00e9 no tabuleiro e verificar se onde voc\u00ea est\u00e1 est\u00e1 bom. Se n\u00e3o, ainda d\u00e1 tempo de movimentar sua pe\u00e7a no jogo.\u201d, adverte.<\/p>\n<p>As palavras de Trigueiro me levaram at\u00e9 minha Av\u00f3 materna, base da minha educa\u00e7\u00e3o. Ela me ensinou, na sua simplicidade e olhar firme, li\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que me acompanham ao longo das escolhas di\u00e1rias. Conselhos nem sempre verbalizados, mas observados por mim como algo natural do ser humano. \u201cO que n\u00e3o for seu, devolva\u201d; \u201co que dever, pague\u201d, \u201crespeite os mais velhos\u201d, \u201cn\u00e3o d\u00ea cabimento a fofoca\u201d, \u201cisso n\u00e3o est\u00e1 certo minha filha\u201d, \u201cfale a verdade\u201d, \u201cn\u00e3o importa o que o outro fez, eu quero saber \u00e9 de voc\u00ea, diga\u201d.<\/p>\n<p>Sabedoria de V\u00f3 parece milagre, acalma o cora\u00e7\u00e3o dividido. Traz aquele sentimento de estar dentro do \u00fatero, protegida por m\u00e3os idosas e justas. Quando crian\u00e7a, se eu pensava em dar um jeitinho em alguma situa\u00e7\u00e3o, vinha logo a voz na minha cabe\u00e7a alertando &#8211; \u201cminha V\u00f3 disse para n\u00e3o fazer isso\u201d; \u201cminha V\u00f3 disse que isso era errado\u201d. Deve ser coisa de crian\u00e7a, mas ainda tenho esses pensamentos quando vejo os notici\u00e1rios, quando observo o tr\u00e2nsito, quando quero dar desculpas para me enganar.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes eu penso que essa bagun\u00e7a toda aqui fora do \u00fatero n\u00e3o tem mais jeito, \u00e9 perda, trai\u00e7\u00e3o, fim. Mas escuto Andr\u00e9 Trigueiro e ganho esperan\u00e7a. \u00c9 perd\u00e3o e recome\u00e7o. Oscilo mais um pouco vendo as not\u00edcias em todos os ve\u00edculos falando sobre mentira, propina e um monte de palavr\u00e3o. \u00c9 tristeza e nervosismo.<\/p>\n<p>Os movimentos pendulares cansam. Parece que estamos sempre arrumando uma bagun\u00e7a, lembrando-se do b\u00e1sico da vida &#8211; ser inteiro e amoroso.<\/p>\n<p>Volto \u00e0 inf\u00e2ncia, para a rede embalada pela V\u00f3. O cora\u00e7\u00e3o tranquiliza, me vejo amassando seu cotovelo (mania de crian\u00e7a), alisando o bra\u00e7o dela geladinho e a escuto dizer \u201ctenha paci\u00eancia minha filha\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascemos da unidade &#8211; o amor &#8211; e ca\u00edmos na dualidade na nossa primeira grande mudan\u00e7a \u2013 o nascimento. 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