{"id":4163,"date":"2017-07-05T18:36:19","date_gmt":"2017-07-05T21:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=4163"},"modified":"2017-07-05T18:36:19","modified_gmt":"2017-07-05T21:36:19","slug":"como-amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2017\/07\/05\/como-amar\/","title":{"rendered":"Como amar?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4164 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/07\/Ninguem-vai-nos-dizer-como-amar-300x150.png\" alt=\"\" width=\"496\" height=\"248\" \/><\/p>\n<p>Poderia falar sobre escrever cartas apaixonadas, poemas, mensagens, ou sobre o medo de se declarar para a outra pessoa. Quem sabe seja melhor recuar, j\u00e1 que pode n\u00e3o haver correspond\u00eancia do outro lado. N\u00e3o. Talvez valha a pena arriscar, a espera d\u00f3i mais do que permanecer na d\u00favida. De repente, tudo vai ficando em segundo plano, enquanto ou\u00e7o um refr\u00e3o na <em>timeline<\/em> do <em>facebook<\/em>. \u201cNingu\u00e9m vai poder querer nos dizer como amar\u201d.<\/p>\n<p>Eu, que s\u00f3 conhecia Johnny Hooker de nome, fiquei absorta em \u201cFlutua\u201d. A m\u00fasica foi apresentada durante o programa de entrevistas do jornalista Pedro Bial. Flutuei em pensamentos. Ouvi duas, tr\u00eas, quatro vezes. Ouvirei mais. A melodia lembra estranhamente tempos que n\u00e3o vivi, sentimentos de uma revolu\u00e7\u00e3o, toques de nostalgia. Entre as belas frases, importa tanto o fato de \u201cningu\u00e9m vai poder querer nos dizer como amar\u201d.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei o que \u00e9 certo para voc\u00ea, o que te faz feliz, tampouco voc\u00ea sabe sobre mim. Mas por que insistimos em conselhos que n\u00e3o foram pedidos? Quantas vezes ao dia, poder\u00edamos recolher nossa fala, nosso \u201ceu acho\u201d, \u201cvoc\u00ea deveria\u201d, \u201cele tem que\u201d, e permitir a curiosidade de assistir ao cap\u00edtulo seguinte de uma vida sem roteiros. \u201cMeu amor, seja feliz\u201d, como dizem muitos v\u00eddeos por a\u00ed. Seja feliz, que o outro tamb\u00e9m ser\u00e1, tateando os caminhos dele.<\/p>\n<p>Ouvindo \u201cFlutua\u201d, algumas cenas acabam surgindo na mente. Vejo pessoas gritando sobre o que \u00e9 certo, errado, esperado, adequado, ado, ado, ado. Observo dedos de desconhecidos apontando \u201cverdades\u201d entre si. \u00c9 uma passeata? Um protesto? N\u00e3o sei ao certo, mas parecem imagens cotidianas das vidas cruzadas. A raz\u00e3o parece virar abelha, ora zunindo no ouvido de um, ora no ouvido de outro. Na algazarra, todos querendo ter raz\u00e3o, dizer como amar, mas amar da maneira \u201ccerta\u201d, porque deve existir \u201ca f\u00f3rmula do amor\u201d, como queria L\u00e9o Jaime.<\/p>\n<p>Mas \u201cUm novo tempo h\u00e1 de vencer para que a gente possa florescer, e a gente possa amar sem temer.\u201d, alerta Hooker. Que novo tempo \u00e9 esse? Eu me questiono. Parece algo ainda t\u00e3o distante, quando nos perdermos em tra\u00e7ar uma linha reta para a vida do outro, embora a nossa seja cheia de abismos e colinas. Quando o amor, algo t\u00e3o genu\u00edno e transformador, murcha em formas de papel untadas com sangue e \u00f3leo. Amar sem temer ainda flutua, \u00e0s vezes, n\u00e3o raro, evapora.<\/p>\n<p>Por que nos incomodamos tanto com a parede do vizinho, seus brindes e dedicat\u00f3rias, se podemos ser felizes com a diversidade de uma pontua\u00e7\u00e3o sem v\u00edrgulas? Algo estremece por dentro quando vejo o outro esbravejar certezas de Deus. Um Deus que n\u00e3o \u00e9 meu, n\u00e3o \u00e9 seu, \u00e9 de todos. Eu permane\u00e7o sem entender o mal que h\u00e1 em ver o outro ser feliz, amar do pr\u00f3prio jeito.<\/p>\n<p>Um novo tempo h\u00e1 de vencer, Hooker. Creio que sim. Quando? Espero que n\u00e3o demore. H\u00e1 pressa em ser feliz. H\u00e1 urg\u00eancia em amar. Precisamos. O mundo pede. Os seres, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Por hoje, fico o tempo do meu dia pensando sobre minha forma de amar sem medo, desajeitada. \u00c0s vezes, esque\u00e7o o quanto o outro est\u00e1 ali por escolha e o quanto n\u00e3o sou imortal, apesar de o amor ainda ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poderia falar sobre escrever cartas apaixonadas, poemas, mensagens, ou sobre o medo de se declarar para a outra pessoa. 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