{"id":4647,"date":"2018-01-05T00:01:28","date_gmt":"2018-01-05T03:01:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=4647"},"modified":"2018-01-05T00:01:28","modified_gmt":"2018-01-05T03:01:28","slug":"faixa-faixa-oscar-arruda-comenta-o-album-egomaquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/01\/05\/faixa-faixa-oscar-arruda-comenta-o-album-egomaquia\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa | Oscar Arruda comenta o \u00e1lbum &#8216;Egomaquia&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4649\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/11\/Oscar-Arruda-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A veia experimental de <strong>Oscar Arruda<\/strong> sempre pulsou. Da Somfus\u00e3o, banda instrumental da qual fez parte no in\u00edcio dos anos 2000, ao seu trabalho solo. Neste ano, ele lan\u00e7ou <strong>Egomaquia<\/strong>, seu segundo \u00e1lbum de est\u00fadio. O registro \u00e9 resultado da parceria com o guitarrista Felipe Lima e o baterista Guilherme Mendon\u00e7a, da banda <strong>Astronauta Marinho<\/strong>, que assinam a produ\u00e7\u00e3o do disco. A banda toda, ali\u00e1s, \u00e9 parte do processo, que inclui o baixista Caio Cartaxo e Daniel Lima no teclado e sintetizadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Oscar e Astronauta Marinho come\u00e7aram a trabalhar juntos em 2014, ap\u00f3s o artista cearense encerrar os trabalhos do seu \u00e1lbum de estreia, Revolu\u00e7\u00e3o (2012). Para seu <em>debut<\/em>, foram tr\u00eas anos entre produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o. &#8220;Tava querendo come\u00e7ar um processo novo. Um som novo, sabe? E conheci num dos shows do Revolu\u00e7\u00e3o a galera da Astronauta Marinho. Curti o som deles e entramos nessa aventura de trabalhar juntos num \u00e1lbum&#8221;, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atmosf\u00e9rica, a m\u00fasica de Oscar Arruda, lembra bem um personagem cult criado em 1966 pelos mestres dos quadrinhos Stan Lee e Jack Kirby. N\u00e3o \u00e0 toa o <strong>Surfista Prateado<\/strong> virou m\u00fasica em seu segundo \u00e1lbum. Introspectivo e filos\u00f3fico como Oscar, a viagem do Surfista se assemelha \u00e0 jornada do m\u00fasico neste registro. &#8220;O \u00e1lbum trata dessas quest\u00f5es existenciais em geral. O t\u00edtulo remete a essa luta do eu consigo mesmo. A luta do ego e do ser na sua exist\u00eancia. Viaja um pouco nessas quest\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em oito faixas, existencialismo, psicodelia, metaf\u00edsica e o estado de constante busca est\u00e3o presentes nas letras e na sonoridade on\u00edrica das can\u00e7\u00f5es. Ao <strong>Blog Rep\u00f3rter Entre Linhas<\/strong>, o artista de 42 anos comenta o processo de produ\u00e7\u00e3o, mem\u00f3rias e refer\u00eancias de cada faixa do <strong>Egomaquia<\/strong>, gravado no est\u00fadio de Yuri Kalil (<strong>Cidad\u00e3o Instigado<\/strong>), o Totem, em Fortaleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Faixa a faixa: Egomaquia (2017) &#8211; Oscar Arruda<\/strong><br \/>\n<strong>Por Oscar Arruda<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4650\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/11\/Oscar-Arruda-Egomaquia-Capa-624x624.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"550\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Lancei <strong>Vela Branca\u00a0<\/strong>como single, em 2015, antes do \u00e1lbum. Foi o primeiro dessa fase ap\u00f3s o Revolu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 parte desse processo de produ\u00e7\u00e3o junto com o Astronauta Marinho. Foi a primeira m\u00fasica que n\u00f3s produzimos juntos no est\u00fadio do (Yury) Kalil, o Totem Est\u00fadio, aqui em Fortaleza. A\u00a0primeira parte dela foi composta h\u00e1 muitos anos, e cheguei a toc\u00e1-la com uma banda instrumental que eu tinha chamada Somfus\u00e3o. A gente experimentava muito os ritmos. Isso no final dos anos 1990, come\u00e7o dos anos 2000. Ela tem um pouco da pegada do que a gente fazia na \u00e9poca. Resgatei e fiz uma segunda parte. Era mais um estudo mesmo. Trabalhei a letra e uma segunda parte e a\u00ed acho que ela se completou. Tem muito a ver com o \u00e1lbum todo. Trata um pouco da morte e essa imagem da vela branca. Tanto a morte em si como a transcend\u00eancia para outra experi\u00eancia, mas tamb\u00e9m \u00e9 sobre as pequenas mortes cotidianas. Abre o \u00e1lbum com essa ideia da morte como uma viagem, e\u00a0da pr\u00f3pria vida como uma viagem&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vela Branca - Oscar\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qVyRS0CEF6s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<strong>Sol\u00a0<\/strong>\u00e9 uma m\u00fasica que tinha uma pegada bem diferente de como ela acabou ficando. Era mais pesada, mais rock. A gente chegou a tocar dessa forma, com mais guitarra, mas n\u00e3o ficamos satisfeitos na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o e experimentamos fazer diferente. Ela tem uma referencia no \u00e1lbum Tom York com o Flea (Amok, do Atoms for Peace), que a gente tava ouvindo na \u00e9poca&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<strong>Tempo\u00a0<\/strong>tamb\u00e9m t\u00e1 nesse di\u00e1logo das quest\u00f5es existenciais, do tempo mesmo. Compus numa viagem pra Chapada Diamantina (BA). Tinha j\u00e1 a ideia da melodia, da guitarra, bastante delay. Ela foi uma das primeiras m\u00fasicas que a gente produziu em est\u00fadio. Foi uma ideia bem resolvida. N\u00e3o teve muita mudan\u00e7a do que foi pensado originalmente. H\u00e1 um di\u00e1logo com essas refer\u00eancias de p\u00f3s-rock&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4651\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/11\/Oscar-Arruda-Maloca-300x450.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"450\" \/>&#8220;<strong>Caravana\u00a0<\/strong>surgiu quando a gente j\u00e1 tinha algumas faixas pr\u00e9-produzidas. \u00c9 uma dessas composi\u00e7\u00f5es que parece que voc\u00ea ligou uma antena e captou alguma coisa. Ela praticamente veio pronta quando a gente come\u00e7ou a compor. A primeira parte \u00e9 basicamente guitarra e sintetizador, e a segunda parte entra a banda. \u00c9 a \u00fanica que tem algo mais rom\u00e2ntico, que trata do amor, da rela\u00e7\u00e3o entre duas pessoas e das v\u00e1rias vidas que a gente vive em uma vida. De lembran\u00e7as. Essa imagem da caravana como miragem das lembran\u00e7as que a gente tem na vida. Teve a participa\u00e7\u00e3o da Paula Tesser no vocalize. Ao vivo, o Felipe (Lima) e o Guilherme (Mendon\u00e7a) &#8211; ambos da Astronauta Marinho &#8211; cantam tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<strong>Caverna\u00a0<\/strong>foi composta ainda na \u00e9poca do Revolu\u00e7\u00e3o e a gente trabalhou ela. Era instrumental, mudou um pouco. \u00c9 um rock mesmo que lida com a ang\u00fastia, que flerta com o g\u00f3tico, com o progressivo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Compus <strong>Surfista Prateado<\/strong>\u00a0muito pensando na banda, na Astronauta Marinho. A \u00fanica que foi composta dessa forma. Levei a ideia inicial e depois a gente trabalhou junto. A m\u00fasica tem 9 minutos, \u00e9 meio que uma epopeia. \u00c9 inspirada no personagem Surfista Prateado, da Marvel, que eu curto. Ele \u00e9 assim como um fil\u00f3sofo, t\u00e1 sempre pensando em quest\u00f5es existenciais. \u00c9 uma viagem, n\u00e9? E teve essa constru\u00e7\u00e3o coletiva mesmo de toda a parte instrumental. Sou muito f\u00e3 do personagem. Gosto dessa ideia do cara solit\u00e1rio no espa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<strong>Labirinto\u00a0<\/strong>foi a m\u00fasica mais dif\u00edcil. A gente quase desistiu dela algumas vezes. Tem um tempo, um compasso quebrado. Veio em um outro momento que a gente tava numa produ\u00e7\u00e3o no computador mesmo, em casa. Surgiu no decorrer do processo do Egomaquia mesmo. \u00c9 uma viagem da hist\u00f3ria da imagem do labirinto. O disco tem um pouco dessa ideia da trajet\u00f3ria heroica. Da trajet\u00f3ria humana como heroica ou anti-heroica. A m\u00fasica foi meio constru\u00edda assim tamb\u00e9m como um labirinto. Na parte instrumental a gente brinca com o tempo. Tocar e ouvir essa m\u00fasica \u00e9 como entrar num labirinto e a gente quase que se perdeu nele&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<strong>Errante\u00a0<\/strong>\u00e9 quase uma vinheta. Ela emenda com Labirinto. \u00c9 bem simples, s\u00f3 guitarra e voz. D\u00e1 um elemento mesmo de finaliza\u00e7\u00e3o da narrativa do \u00e1lbum e deixa em aberto com o vento. Talvez pensando em como constru\u00ed o \u00e1lbum Revolu\u00e7\u00e3o, ela tem algo a ver tamb\u00e9m. No Revolu\u00e7\u00e3o terminei com uma vinheta da chuva caindo. N\u00e3o foi nada intencional. \u00c9 um final em aberto. Continua a trajet\u00f3ria da experi\u00eancia, do aprendizado&#8221;.<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Egomaquia\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/6Fo4jdqh7JyZ9HRfjPxHhe?utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A veia experimental de Oscar Arruda sempre pulsou. 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