{"id":7156,"date":"2018-05-24T09:28:49","date_gmt":"2018-05-24T12:28:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=7156"},"modified":"2018-05-24T09:28:49","modified_gmt":"2018-05-24T12:28:49","slug":"e-proibido-proibir-os-ecos-do-maio-de-1968-na-cultura-ontem-e-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/05\/24\/e-proibido-proibir-os-ecos-do-maio-de-1968-na-cultura-ontem-e-hoje\/","title":{"rendered":"\u00c9 proibido proibir? Os ecos do Maio de 1968 na Cultura, ontem e hoje"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><em>Maio de 68. Os protestos organizados por oper\u00e1rios e estudantes em 1968 marcaram a produ\u00e7\u00e3o cultural dentro e fora da Fran\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7157\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/caetano-veloso-68.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"472\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A insatisfa\u00e7\u00e3o e a ousadia que levaram estudantes e oper\u00e1rios \u00e0s ruas h\u00e1 50 anos tamb\u00e9m ocuparam a produ\u00e7\u00e3o cultural. A terceira edi\u00e7\u00e3o do Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, em setembro de 1968, \u00e9 a s\u00edntese da turbul\u00eancia que atravessava o Brasil, comandado por militares desde o golpe que dep\u00f4s o presidente Jo\u00e3o Goulart quatro anos antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Caetano Veloso<\/strong>, acompanhado pelos <strong>Mutantes<\/strong>, defendia <strong>\u00c9 proibido proibir<\/strong>. Transformava em can\u00e7\u00e3o a frase que, numa foto, leu em um muro de Paris. O protesto contra o conservadorismo, no entanto, vinha com uma provoca\u00e7\u00e3o ainda maior. Os elementos de rock presentes na m\u00fasica e a entrada perform\u00e1tica de um norte-americano no palco soaram como uma submiss\u00e3o ao imperialismo e a plateia n\u00e3o perdoou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vaia, tomate, ovos foram arremessados. \u201cVoc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o entendendo nada! (&#8230;)Essa \u00e9 a juventude que diz que quer tomar o poder? (&#8230;) Voc\u00eas est\u00e3o querendo policiar a m\u00fasica brasileira. (&#8230;) Se voc\u00eas forem em pol\u00edtica como s\u00e3o em est\u00e9tica, estamos feitos\u201d, lan\u00e7ou de volta, Caetano. Tudo naquele teatro era pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Professor do departamento de Hist\u00f3ria do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Gabriel Ferreira Zacarias avalia que 1968 marca a passagem da forma de express\u00e3o pol\u00edtica. A cultura passa a ser tamb\u00e9m um ve\u00edculo. Um exemplo disso \u00e9 usar quadrinhos conhecidos com bal\u00f5es modificados, com textos muitas vezes complexos. Estrat\u00e9gia ainda usada, hoje vista at\u00e9 em meme na Internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA linguagem de contesta\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje t\u00e3o comum que o car\u00e1ter disruptivo se perdeu. N\u00e3o causa mais estranhamento\u201d, pondera. \u201cAp\u00f3s 68 veio a contracultura, com a emerg\u00eancia da juventude enquanto ato pol\u00edtico. A ind\u00fastria cultural tenta atender a essa demanda da juventude, tentando controlar a ruptura\u201d.<\/p>\n<p><strong>As lutas p\u00f3s-68<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pensar na amplia\u00e7\u00e3o nas formas de express\u00e3o como contracultura remete, por exemplo, ao movimento punk e ao grafite. \u00c9 nesse ponto que a cultura passa a se transformar em um fundamental campo pol\u00edtico e se torna eixo central de produ\u00e7\u00e3o do capitalismo. Das minissaias \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sexuais, muito do costume tamb\u00e9m mudou. Assim como as lutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO fato \u00e9 que hoje as lutas pol\u00edticas n\u00e3o est\u00e3o mais em torno das classes, como em 68, mas em torno das pautas identit\u00e1rias. Grupos tentam marcar seu espa\u00e7o dentro da l\u00f3gica representativa a partir de uma identidade cultural definida\u201d, aponta Gabriel Ferreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEnquanto em 68 vigorava uma media\u00e7\u00e3o mais ampla, entraram as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e de sexualidade. Mais especificamente na Fran\u00e7a, em 1971, com importante iniciativa do movimento homossexual\u201d, conta o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para o grafiteiro cearense Marquinhos Abu, membro do Coletivo Aparecidos Pol\u00edticos, as interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram muito diferentes das que s\u00e3o feitas hoje. O coletivo, assim como tantos outros que surgem na Capital, reflete resist\u00eancia. Reagindo \u00e0 repress\u00e3o que, segundo Abu, nunca mudou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO golpe de 2016 e a ditadura t\u00eam praticamente o mesmo modus operandi\u201d, diz. \u201cA gente mora em um Pa\u00eds que apaga sua mem\u00f3ria. \u00c9 s\u00f3 olhar para a hist\u00f3ria do negro e o projeto de apagamento. Colocar isso na rua e questionar as pessoas \u00e9 nossa forma criativa de resistir. E as artes conseguem atravessar bloqueios que s\u00e3o vest\u00edgios da ditadura militar, como a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_7163\" style=\"width: 910px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7163\" class=\"size-full wp-image-7163\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/LINHA-DO-TEMPO-1968-FRAN\u00c7A.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"695\" \/><p id=\"caption-attachment-7163\" class=\"wp-caption-text\">(Texto: Lucas Braga | Infogr\u00e1fico: Marcelo Justino\/O POVO)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As barricadas abriram caminho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os 50 anos de Maio de 68 foram tema do <strong>Festival Maloca Drag\u00e3o<\/strong>, que aconteceu em abril \u00faltimo. De acordo com o presidente do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Paulo Linhares, o atual momento do Pa\u00eds guarda singularidades com o passado. Ele destaca o momento conservador em rela\u00e7\u00e3o a comportamento e pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para Linhares, h\u00e1, no entanto, uma diferen\u00e7a fundamental entre as juventudes de 1968 e 2018: \u201cEm maio de 68 era um momento de utopia. Uma juventude explosiva do ponto de vista da liberta\u00e7\u00e3o. Hoje a juventude est\u00e1 mais descrente. E hoje o passado se repete de forma mais sombria aqui no Brasil\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAs grandes narrativas que mobilizavam essas juventudes se desconstru\u00edram\u201d, continua. \u201cElas foram estra\u00e7alhadas e n\u00e3o conduzem mais a juventude e nem a pol\u00edtica. Hoje ningu\u00e9m mais acredita em uma revolu\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 reformista, n\u00e3o de ruptura\u201d.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">+ <a href=\"https:\/\/www.opovo.com.br\/noticias\/mundo\/2018\/05\/os-ecos-do-maio-de-1968-nas-lutas-politicas-do-brasil-e-do-mundo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Os ecos do Maio de 1968 nas lutas pol\u00edticas do Brasil e do mundo<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">+ <a href=\"https:\/\/www.opovo.com.br\/noticias\/mundo\/2018\/05\/1960-a-decada-de-resistencia-no-ceara.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Entre paus, pedras e &#8220;bilas&#8221;: a d\u00e9cada de resist\u00eancia no Cear\u00e1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maio de 68. Os protestos organizados por oper\u00e1rios e estudantes em 1968 marcaram a produ\u00e7\u00e3o cultural dentro e fora da Fran\u00e7a A insatisfa\u00e7\u00e3o e a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":115,"featured_media":7158,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[292],"tags":[103,290,20,291],"class_list":["post-7156","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-caetano-veloso","tag-e-proibido-proibir","tag-festival-maloca-dragao-2018","tag-maio-de-68"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/115"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7156\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}