{"id":7870,"date":"2018-07-04T15:13:37","date_gmt":"2018-07-04T18:13:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=7870"},"modified":"2018-07-04T15:13:37","modified_gmt":"2018-07-04T18:13:37","slug":"larissa-luz-fala-sobre-novo-album-racismo-e-exterminio-do-povo-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/07\/04\/larissa-luz-fala-sobre-novo-album-racismo-e-exterminio-do-povo-preto\/","title":{"rendered":"Larissa Luz fala sobre novo \u00e1lbum, racismo e exterm\u00ednio do povo negro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_7892\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7892\" class=\"size-full wp-image-7892\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/07\/Larissa-Luz-Il\u00ea-David.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1200\" \/><p id=\"caption-attachment-7892\" class=\"wp-caption-text\">Larissa Luz (Foto: Il\u00ea David)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Dois anos depois do <strong>Territ\u00f3rio Conquistado<\/strong>, seu segundo \u00e1lbum, <strong>Larissa Luz<\/strong> prepara novo trabalho autoral. O empoderamento negro continua como tema central, mas agora ela quer &#8220;passear por novos universos&#8221;, explorando as conex\u00f5es entre ancestralidade e o moderno. Ainda sem nome, novo disco est\u00e1 previsto para outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ela falou ao Blog sobre o processo de grava\u00e7\u00e3o com o produtor Rafa Dias, as pesquisas que permeiam o disco novo e explicou a necessidade de abra\u00e7ar o empoderamento negro, dentro e fora do palco. Larissa opinou ainda sobre a recente acusa\u00e7\u00e3o de racismo de um youtuber J\u00falio Cocielo contra o\u00a0jogador franc\u00eas <strong>Mbapp\u00e9<\/strong>, durante o Mundial do futebol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 encerrando a turn\u00ea para focar no novo disco. Como est\u00e1 esse processo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O disco t\u00e1 sendo produzido por Rafa Dias, idealizador do <strong>\u00c0TT\u00d8\u00d8XX\u00c1<\/strong>. Demos uma parada agora por causa do musical (sobre Elza Soares), mas vamos lan\u00e7ar este ano ainda. \u00c9 um disco com influ\u00eancias do trap, rap, coisas que estou pesquisando, e a mistura disso com os ritmos da Bahia. Vou passear por novos universos.<\/p>\n<p><strong>Que universos s\u00e3o esses?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pra esse disco, coisas m\u00edsticos e espiritualistas, discuss\u00f5es mais aceleradas. Vai ser um disco mais dan\u00e7ante, mais pulsante. Vou trazer outras problem\u00e1ticas porque no <strong>Territ\u00f3rio Conquistado<\/strong> foquei mais no empoderamento negro. Continuo falando de cultura negra e ancestralidade, mas pontuando outras quest\u00f5es relacionadas a isso.<\/p>\n<p><strong>O que comp\u00f5e essa pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu tenho estudado o candombl\u00e9 e como essas casas dialogam com os ritmos eletr\u00f4nicos. T\u00f4 muito atenta \u00e0s vozes negras que me remetem a ancestralidade, como <strong>Lazzo Matumbi<\/strong>, pra tentar entender essas conex\u00f5es entre o ancestral e o contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Larissa Luz - Bonecas Pretas |  Clipe Oficial\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qk3-0qaYTzk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Em que momento voc\u00ea percebeu a necessidade do empoderamento negro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 uma coisa que tenho constru\u00eddo. Fui percebendo e formando dentro de mim essa coisa da autoafirma\u00e7\u00e3o e o entendimento enquanto mulher negra, a percep\u00e7\u00e3o da minha for\u00e7a e autonomia. O poder. \u00c9 uma coisa que eu fui conquistando mesmo ao longo do tempo e dos processos art\u00edsticos, profissionais. A partir de leituras e tendo conhecimento de algumas figuras como <strong>Chimamanda Ngozi Adichie<\/strong> (escritora), que foram cruzando meu caminho e me mostrando que exista um mar de possibilidades e que a gente precisa mesmo se firmar nessas refer\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea continua fiel nas suas motiva\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 o que me move, na real. Minha maior realiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente relacionada a poder estar cultuando, levando de alguma maneira a cultura negra para as pessoas, um p\u00fablico que, no geral, t\u00e1 sempre carente disso. A gente se abre pra uma nova possibilidade de exist\u00eancia porque a gente tem acompanhado diversos casos de racismo constante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acho que quanto mais a gente se aproxima desse mundo cultural, art\u00edstico, ancestral, negro, mais a gente consegue se fortalecer nesse sentido da luta contra essas coisas que v\u00eam rolando. Fazer isso artisticamente \u00e9 minha maior motiva\u00e7\u00e3o porque me sinto \u00fatil. A arte \u00e9 uma ferramente de extrema for\u00e7a. Continuar fazendo coisas ligadas a isso pra mim \u00e9 vital, essencial. N\u00e3o me vejo fazendo outra coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Vi seu show no Rec-Beat Drag\u00e3o e fui surpreendido pela sua performance. Como voc\u00ea trabalha isso de passar sua mensagem no palco?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Isso tamb\u00e9m \u00e9 constru\u00e7\u00e3o. Eu sempre estive dentro do universo do teatro, desde novinha. Apesar de ter feito coisas profissionais mais recentemente, desde muito nova descobri que queria cantar estudando teatro na escola. A coisa do palco, do corpo em cena, sempre me atraiu muito. Sempre quis usar isso nos meus shows. Venho desse mundo a\u00ed de usar os elementos c\u00eanicos, corporais e teatrais como um elemento que fortalece a minha mensagem. N\u00e3o queria s\u00f3 cantar bonito. Queria que tivesse emo\u00e7\u00e3o, vida. Passei a pesquisar isso, de como traria esse estado no meu show. Acho que as pessoas me d\u00e3o um bom feedback de que d\u00e1 certo, que a mensagem chegou. \u00c9 por isso que eu t\u00f4 l\u00e1.<\/p>\n<div id=\"attachment_7895\" style=\"width: 910px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7895\" class=\"size-full wp-image-7895\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/07\/larissa-luz-1-e1530727235507.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-7895\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: David Campbell)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Falando em palco, como est\u00e1 sendo a experi\u00eancia no musical sobre a Elza Soares?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">T\u00e1 sendo uma experi\u00eancia muito forte. Eu com certeza n\u00e3o vou sair a mesma. Primeiro porque a hist\u00f3ria da Elza \u00e9 muito forte, sabe? O que ela passou, que ela sobreviveu, me faz refletir sobre tantas coisas atuais, inclusive. Cada vez que a gente acessa esse status, corpo, conviv\u00eancia com o canto, com a musica, a gente vai num lugar muito delicado, transformador mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Achar a Elza dentro de mim t\u00e1 sendo muito transformador, impactante. Porque \u00e9 uma for\u00e7a mesmo, a invoca\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a que para mim \u00e9 sobrenatural. Todo mundo tem que conhecer a hist\u00f3ria dela pra entender o que ela realmente \u00e9. A\u00a0gente passa a v\u00ea-la de maneira mais intensa, com mais respeito ainda e mais rever\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea acompanhou o caso do youtuber J\u00falio Cocielo, que fez coment\u00e1rio de cunho racista com o jogador franc\u00eas Mbapp\u00e9? Como tem visto essa repercuss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que mais assusta \u00e9 o fato dele (youtuber) ser um influenciador. Me preocupa ver que uma figura como essa est\u00e1 influenciando uma gera\u00e7\u00e3o de jovens e que existem marcas que financiam pessoas assim, que n\u00e3o tenham percebido antes o pensamento e a postura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As marcas t\u00eam uma grande responsabilidade e precisam estar atentas quando escolhem seu representante. Podem estar propagando um pensamento doente, que mata, fere e atinge diretamente a uma camada grande da popula\u00e7\u00e3o.\u00a0E me assusta tamb\u00e9m ver coment\u00e1rios que s\u00e3o coniventes com essa monstruosidade. \u00c9 tudo muito revelador e muito assustador, mas acho que faz parte do processo a gente reconhecer essas a\u00e7\u00f5es e ver isso acontecer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Larissa Luz I Meu Sexo (Videoclipe)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c8jPGShyhbM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Algo que n\u00e3o aconteceria h\u00e1 alguns anos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fico pensando que em qualquer outro tempo n\u00e3o seria assim. Percebi que hoje a gente t\u00e1 mais atento em rela\u00e7\u00e3o a isso. Quando a gente fala &#8220;n\u00e3o passar\u00e3o&#8221;, \u00e9 porque n\u00e3o passar\u00e3o mesmo! N\u00e3o estamos deixando o racismo correr naturalmente. Passaria tranquilamente anos atr\u00e1s, mas hoje n\u00e3o passa mais. Essas pessoas precisam ser punidas pra isso come\u00e7ar a gerar algum tipo de transforma\u00e7\u00e3o. Quando a gente exp\u00f5e, as marcas come\u00e7am a refletir a quem est\u00e3o contratando, as pessoas percebem tamb\u00e9m e isso gera um movimento na dire\u00e7\u00e3o do que a gente acredita que \u00e9 real. A gente t\u00e1 se entendendo ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea acredita que, justamente por alguns desses casos n\u00e3o passarem mais despercebidos, estamos vivendo um tempo de mais esperan\u00e7a?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acho que trilhamos um caminho. O povo preto t\u00e1 conquistando isso. Quando a gente fala de empoderamento e territ\u00f3rio conquistado, \u00e9 porque acho que alcan\u00e7amos nosso processo de consci\u00eancia, do nosso poder de assumir que n\u00e3o vamos mais se permitir estar em algumas situa\u00e7\u00f5es. Apesar de achar que ainda tem muita gente que n\u00e3o acordou, existe um caminho percorrido. Estamos vivendo um grande momento, tanto \u00e9 que a gente mobilizou um movimento contr\u00e1rio a esses atos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As pessoas que t\u00eam esses pensamentos racistas\u00a0est\u00e3o preocupadas com a nossa tomada de for\u00e7a, nossa percep\u00e7\u00e3o, nosso entendimento. Quando o povo se levanta e entende o que t\u00e1 passando, resolve assumir as r\u00e9deas. Assusta, n\u00e9? Quem t\u00e1 l\u00e1 do outro lado e quer ser o detentor do poder absoluto e que fecha com a segrega\u00e7\u00e3o, com o racismo. Estamos assustando essas pessoas. E \u00e9 daqui pra mais, sabe? N\u00e3o vamos recuar nenhum cent\u00edmetro. Avante, pra cima, porque t\u00e1 muito grave.\u00a0Nosso povo t\u00e1 morrendo. Est\u00e3o exterminando o povo preto. N\u00e3o \u00e9 brincadeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois anos depois do Territ\u00f3rio Conquistado, seu segundo \u00e1lbum, Larissa Luz prepara novo trabalho autoral. 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