{"id":7922,"date":"2018-07-05T18:14:54","date_gmt":"2018-07-05T21:14:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=7922"},"modified":"2018-07-05T18:14:54","modified_gmt":"2018-07-05T21:14:54","slug":"abenca-durma-com-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/07\/05\/abenca-durma-com-deus\/","title":{"rendered":"&#8220;Aben\u00e7a&#8221;, durma com Deus"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-7923\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/07\/Aben\u00e7a-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"286\" \/><\/p>\n<p>Meu irm\u00e3o de oito anos me d\u00e1 um beijo, diz boa noite e deseja: Durma com Deus. Ou\u00e7o o lindo sotaque nortista que pronuncia &#8220;Deush&#8221;, a gente se abra\u00e7a e eu repondo: Durma com os anjos. Depois saltamos cada qual para o sono, esperando a noite tranquila sob o manto invis\u00edvel da prote\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>A despedida carinhosa me lembra o ritual de pedir &#8220;aben\u00e7a&#8221; de minha V\u00f3 todas as noites. Ah! Dormir s\u00f3 tinha valia se eu seguisse \u00e0 risca o cheiro, o beijo e o pedido que me blindava de ondas gigantes, fuga de fantasma e aquela sensa\u00e7\u00e3o infinita de cair em buraco sem fundo. Era um rito de sossego, seguran\u00e7a e amor. A certeza de que n\u00f3s duas atravessar\u00edamos a escurid\u00e3o e acordar\u00edamos prontas para mais um dia.<\/p>\n<p>Por vezes, levantei para curar a agonia que cansava o peito pelo esquecimento do pedido. V\u00f3 podia estar dormindo, mas eu falava baixinho no ouvido dela, dava cheiro, beijo, chega a palpita\u00e7\u00e3o passava. S\u00f3 assim a cama ficava quente e o len\u00e7ol mais acolhedor. E eu tinha certeza, n\u00f3s duas nos ver\u00edamos na manh\u00e3 seguinte.<\/p>\n<p>Por esses tempos, n\u00e3o tenho ouvido as pessoas pedirem &#8220;aben\u00e7a&#8221; com frequ\u00eancia. N\u00e3o sei se virou apenas costume interiorano, se perdeu a gra\u00e7a, ou se deixamos a candura de lado. Mas acho pedir &#8220;aben\u00e7a&#8221; um gesto assim t\u00e3o gigantesco. Parece que abre uma luz do c\u00e9u, desce um cavalo alado, faz um giro na gente que nem redemoinho em sinal benzedor. A partir dali, acredita, teu dia ser\u00e1 bom.<\/p>\n<p>Pedir &#8220;aben\u00e7a&#8221; \u00e9 uma dessas humanidades t\u00e3o \u00edntimas, que sela com o outro um pacto de gentileza e confian\u00e7a. Sopra um vento de pureza a dobrar qualquer cora\u00e7\u00e3o c\u00e9tico.<\/p>\n<p>E, nas voltas que a vida d\u00e1, chega um tempo em que a gente tamb\u00e9m passa a dar &#8220;aben\u00e7a&#8221;. Pode ser pela idade ou quando o gesto vai al\u00e9m de parentesco e hierarquia. Tem a ver com bem queren\u00e7a.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea j\u00e1 experimentou dar b\u00ean\u00e7\u00e3os para um amigo, a um colega de trabalho, ou at\u00e9 a um conhecido que disseram estar em apuros, repare como d\u00e1 uma excita\u00e7\u00e3o interior. Parece que abre uma luz do c\u00e9u, desce um redemoinho a atravessar o corpo e uma comich\u00e3o vai espalhando pelas m\u00e3os. Nessa hora, acredita, voc\u00ea \u00e9 empoderado de boas energias para enviar a quem estiver precisando.<\/p>\n<p>Na falta de algu\u00e9m pr\u00f3ximo, que lembremos de pedir &#8220;aben\u00e7a&#8221; \u00e0 vida. Ela est\u00e1 sempre junto nos guiando noite e dia. De repente, abre uma luz no c\u00e9u, desce um cavalo alado que passa correndo em redemoinho. Nessa hora, confia, teu dia ser\u00e1 bom.<\/p>\n<p>Receber ou dar &#8220;aben\u00e7a&#8221; \u00e9 dessas coisas de encher a alma de ternura e paz. &#8220;Ben\u00e7a&#8221; a &#8220;ben\u00e7a&#8221; a gente se torna mais simples, humano e gentil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu irm\u00e3o de oito anos me d\u00e1 um beijo, diz boa noite e deseja: Durma com Deus. 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