{"id":8202,"date":"2018-07-20T09:00:37","date_gmt":"2018-07-20T12:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=8202"},"modified":"2018-07-20T09:00:37","modified_gmt":"2018-07-20T12:00:37","slug":"8202","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/07\/20\/8202\/","title":{"rendered":"Mostra teu mundo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8203\" style=\"width: 405px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8203\" class=\"wp-image-8203\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/07\/adult-1807500_1920-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"395\" height=\"263\" \/><p id=\"caption-attachment-8203\" class=\"wp-caption-text\">Mostra teu mundo<\/p><\/div>\n<p>Outro dia minha amiga disse que apresentou o mundo para a sobrinha. Levou a garota de dois anos e meio para ver o mar pela primeira vez. Desde ent\u00e3o, a pequena n\u00e3o hesita: &#8220;Tia, quero ver o muunndo&#8221;. E arregala os olhos e fala redondo a palavra que cabe toda uma vida.<\/p>\n<p>Mostrar o mundo a algu\u00e9m \u00e9 um desses atos revolucion\u00e1rios. Por momentos, o outro usa nossos \u00f3culos para ter do lado de c\u00e1, enquanto a gente se apruma no muro para espiar um pouco o lado de l\u00e1. Percurso de coragem, sem volta, sem destino. N\u00e3o se fica o mesmo. A gente fica maior. Coisa de sentir, juntar, despir, navegar.<\/p>\n<p>O mundo \u00e9 o mar, uma cidade do interior, a luz das estrelas. Do tamanho da nossa crian\u00e7a, do quanto a vista de dentro alcan\u00e7a.\u00a0Por uma janela, por uma fissura, o vento que sobra, a brisa que d\u00e1 e passa.<\/p>\n<p>O mundo \u00e9 o mar. A linha que nos contorna quando a gente salta sem rede.<\/p>\n<p>Me mostra teu mundo e eu vejo cores antes n\u00e3o sentidas. Tateio o que dizer, escuto com as lentes de aumento. Tudo isso pra tamb\u00e9m te chamar: vem mostrar teu mundo pra mim.<\/p>\n<p>Me diz quem voc\u00ea \u00e9 e as cores que te encantam, o que te surpreende entre as tantas luzes. Qual te chama para perto? Me mostra teu jeito de pintar a vida, cheirar o vento, pegar os sonhos com a m\u00e3o. Mostra o que te faz n\u00f3 e o que desentrela\u00e7a facilmente quando queres.<\/p>\n<p>Mostra teu jeito de flertar com as flores, de errar os planos e adiar as dores. Me diz o quanto \u00e9 quente e doce a noite e as manh\u00e3s.<\/p>\n<p>Do meu plano vejo tu e muitos outros. Pelo teu jeito de andar, imagino quantas idas e voltas. E me surpreende a forma como \u00e9 rico o teu dizer das curvas, o teu narrar o mundo e as criaturas.<\/p>\n<p>Me mostra teu mundo, eu te mostro meu e a gente faz uma festa pra juntar toda essa bossa que d\u00e1 poema e can\u00e7\u00e3o. Ou pode n\u00e3o dar em nada e restar ali apenas aperto de m\u00e3o.\u00a0O encontro, duvido, n\u00e3o foi viagem perdida. Foi descoberta. Uma aventura cal\u00e7ar teus sapatos, mesmo que breve, mesmo que n\u00e3o mais.<\/p>\n<p>E se vai para longe, j\u00e1 me diz da\u00ed, manda not\u00edcias. Mostra teu outro mundo, de novo, e quantas vezes for reinven\u00e7\u00e3o. Permanece em mim a sede de ver al\u00e9m mar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outro dia minha amiga disse que apresentou o mundo para a sobrinha. 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