{"id":8208,"date":"2018-07-20T05:00:00","date_gmt":"2018-07-20T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=8208"},"modified":"2018-07-20T05:00:00","modified_gmt":"2018-07-20T08:00:00","slug":"forria-abraca-o-nordeste-em-album-de-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/07\/20\/forria-abraca-o-nordeste-em-album-de-estreia\/","title":{"rendered":"Forria abra\u00e7a o Nordeste em \u00e1lbum de estreia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8209\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8209\" class=\"size-full wp-image-8209\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/07\/Forria1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><p id=\"caption-attachment-8209\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Reno Beserra)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<strong>Forria<\/strong> \u00e9 festa e m\u00fasica. \u00c9 celebra\u00e7\u00e3o derivada da alforria, a pr\u00f3pria liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. Isso segundo o dicion\u00e1rio. Para os oito jovens que formam a banda que leva o nome da merecida bagun\u00e7a, <strong>Forria<\/strong> \u00e9 uma express\u00e3o do que \u00e9 o Nordeste e como se d\u00e3o suas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 tr\u00eas anos na estrada, o grupo cearense lan\u00e7a seu primeiro \u00e1lbum autoral fruto desse entendimento cultural que os travessa. As nove faixas exalam refer\u00eancias nordestina, desaguando em uma sonoridade genu\u00edna. Fundamentalmente cearense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do bai\u00e3o ao rock, passando pelo maracatu e at\u00e9 o manguebeat, a <strong>Forria<\/strong> viaja da metr\u00f3pole ao sert\u00e3o para cantar sua poesia. O \u00e1lbum est\u00e1 dispon\u00edvel nas principais plataformas digitais. Nesta sexta-feira, 20, eles fazem show na festa Imbalan\u00e7o, no Cazu\u00e1 de Cultura, com ingressos a R$ 5.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Forria<\/strong> \u00e9 Paula Braz (viola de arco), Leonardo Rio (voz), Samuel Torquato (guitarra), Eros Augustus (teclas), Mateus Torquato (baixo), Lucas Rangel (bateria), Seu Divino e Tiago Campos (percuss\u00e3o).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Forria - Desenredo\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1BLsauJHLzM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leia entrevista:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O som tem um apelo regional muito forte. Quais s\u00e3o as refer\u00eancias que permeiam o disco?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Paula:<\/strong> O trabalho necess\u00e1rio para se chegar a uma sonoridade desejada, qualquer que seja, faz parte de uma busca constante, uma investiga\u00e7\u00e3o pra dentro e pra fora. Para mim, especificamente, e acredito que para os demais integrantes do grupo tamb\u00e9m, trazer esse apelo regional foi algo que aconteceu sem muita orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via; surgiu do nosso encontro e foi potencializado por ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez isso seja mais um sintoma do que uma inten\u00e7\u00e3o propriamente dita: os integrantes, jovens cearenses, todos com experi\u00eancias e rela\u00e7\u00f5es distintas constru\u00eddas ao longo do tempo com a m\u00fasica, se juntam na inten\u00e7\u00e3o de fazer uma m\u00fasica pr\u00f3pria, e descobrem aquilo que os atravessa: um Belchior, um Pessoal do Cear\u00e1, um Manguebeat, um forr\u00f3 mais arrochado, um gosto por melodias em mixol\u00eddio e por ritmos afro-brasileiros e suas manifesta\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o se encaixam na dicotomia tradicional x moderno\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essas refer\u00eancias passeiam pelo disco de forma bastante evidente, mas nunca engessada ou parada no tempo: queremos que nossa m\u00fasica seja atual &#8211; ainda que permeada de nostalgias. Isso nos faz tamb\u00e9m brincar com outras possibilidades, tanto no trabalho com a sonoridade quanto com as letras e seus temas. Da\u00ed algo do jazz, do rock, do blues\u2026 O que pode n\u00e3o representar ou produzir algo novo, necessariamente, mas acrescenta nuances \u00e0quilo que queremos comunicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No fim das contas, penso que, nessa mistura que fazemos, h\u00e1 uma energia de reinven\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 da experi\u00eancia est\u00e9tica na m\u00fasica produzida no Cear\u00e1, mas da forma como ela reconstr\u00f3i identidades e pontes: em di\u00e1logo com a cidade, com seus afetos e suas mazelas, com o passado contido nisso tudo e com a linha do horizonte, tocando o mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Samuel:<\/strong> Complementando o que a Paula disse, a banda nunca intencionou valorizar for\u00e7adamente a cultura regional, foi algo que surgiu espontaneamente porque \u00e9 algo que realmente faz parte de n\u00f3s, al\u00e9m disso o momento musical dos m\u00fasicos confluiu pra isso na feitura deste \u00e1lbum especificamente. Isso tornou o processo de composi\u00e7\u00e3o e arranjo todo muito fluido e prazeroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o das faixas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Samuel:<\/strong> Normalmente um membro da banda traz a m\u00fasica com letra, harmonia e melodia, e n\u00f3s arranjamos coletivamente com o Eros (tecladista) dirigindo o processo. Boa parte dos arranjos foram feitos na antiga casa do vocalista, Leonardo Rio, onde passamos tarde trabalhando nas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Paula:<\/strong> Alguns integrantes costumam trabalhar mais a escrita das m\u00fasicas, mas muito do que ouvimos no material final \u00e9 resultado de um processo coletivo de elabora\u00e7\u00e3o musical, no desenvolvimento e nos desdobramentos dos temas trazidos por um integrante em uma composi\u00e7\u00e3o sua. Quase nunca a composi\u00e7\u00e3o j\u00e1 vem fechada, ent\u00e3o o que fazemos \u00e9 trabalhar com as ideias contidas nela, pensando em onde queremos chegar, mas sempre em di\u00e1logo direto com as no\u00e7\u00f5es apresentadas pelo compositor. Esse processo acontece muito mais facilmente em encontros informais, na casa de um de n\u00f3s, em alguns bares&#8230; e s\u00e3o sempre muito ricos. Nem sempre as ideias que surgem durante a cria\u00e7\u00e3o permanecem, mas acho que se tem algo interessante a respeito do processo criativo, principalmente quando coletivo, \u00e9 o fato de ser din\u00e2mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Qual a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da faixa &#8220;O Canto da Jandaia&#8221; e qual sua rela\u00e7\u00e3o com o Parque do Coc\u00f3?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Samuel:<\/strong> Quando voltei da Fran\u00e7a para o Brasil, em 2013, estava havendo a ocupa\u00e7\u00e3o do Parque do Coc\u00f3, que mobilizou a cidade e at\u00e9 hoje ecoa no que acontece sobre a mobilidade urbana e discuss\u00e3o ecol\u00f3gica em Fortaleza. A melodia e a harmonia da m\u00fasica j\u00e1 existiam, entretanto, a letra ainda n\u00e3o. Quando pude visitar a ocupa\u00e7\u00e3o, fomos eu e o Eros na sexta feira que ocorreu o ataque da pol\u00edcia, a letra da m\u00fasica narra este dia especificamente. \u00c9 uma m\u00fasica que al\u00e9m de narrar um epis\u00f3dio espec\u00edfico, tenta fazer refer\u00eancia \u00e0 luta ecol\u00f3gica do Cear\u00e1, por isso o t\u00edtulo O Canto da Jandaia, que seria de onde viria, em tupi, o nome do nosso Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Que outras hist\u00f3rias de afetividade com a cidade est\u00e3o por tr\u00e1s das letras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Samuel:<\/strong> Para al\u00e9m da cidade em si, as letras em geral tem os ambientes mais caracter\u00edsticos do Cear\u00e1 e do Nordeste, n\u00e3o apenas da cidade na qual vivemos, que \u00e9 Fortaleza. Uma amiga me falou que todas as m\u00fasicas do \u00e1lbum tem o mesmo mote, que seria o eu l\u00edrico passando por conflitos com o meio (&#8220;O Canto da Jandaia&#8221;, &#8220;Depois do Morma\u00e7o&#8221;) &#8211; e \u00e9 interessante observar que destes conflitos surgem as discuss\u00f5es pol\u00edticas do \u00e1lbum &#8211; , ou representados por este meio em forma de met\u00e1fora (&#8220;Da Noite pro Dia&#8221;, &#8220;Jerimum&#8221;, &#8220;Pele da Flor&#8221;, &#8220;Preto dos Teus Olhos&#8221;), ou o tendo como importante paisagem de fundo com a qual o eu l\u00edrico interage (&#8220;Desenredo&#8221;, &#8220;Sombras de Coqueiro&#8221;), um neg\u00f3cio meio modernista, talvez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No fim das contas, o \u00e1lbum acaba por ser, na minha interpreta\u00e7\u00e3o, uma viagem pela metr\u00f3pole, litoral e interior, e ao longo dessa viagem s\u00e3o narradas as hist\u00f3rias que o constroem.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Show Forria, com Siri de Mangue<br \/>\nSexta-feira, 20, \u00e0s 20 horas<br \/>\nCazu\u00e1 de Cultura (Av. da Universidade no Benfica<br \/>\nIngressos: R$ 5<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Forria \u00e9 festa e m\u00fasica. \u00c9 celebra\u00e7\u00e3o derivada da alforria, a pr\u00f3pria liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. 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