{"id":8961,"date":"2018-11-24T15:11:20","date_gmt":"2018-11-24T17:11:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=8961"},"modified":"2018-11-24T15:11:20","modified_gmt":"2018-11-24T17:11:20","slug":"e-preciso-repensar-a-resistencia-no-governo-bolsonaro-diz-o-rapper-don-l","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/11\/24\/e-preciso-repensar-a-resistencia-no-governo-bolsonaro-diz-o-rapper-don-l\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso repensar a resist\u00eancia no governo Bolsonaro, diz o rapper Don L"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8966\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8966\" class=\"size-large wp-image-8966\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/11\/don-l-740x494.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"494\" \/><p id=\"caption-attachment-8966\" class=\"wp-caption-text\">Don L (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Don L<\/strong> tem consci\u00eancia plena da efemeridade do tempo. Nascido Gabriel Linhares da Rocha, 37, filho de cearenses \u00e9 um dos fundadores do Costa a Costa, importante grupo no cen\u00e1rio hip hop alencarino dos anos 2000, mas demorou a ver o pr\u00f3prio nome decolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro \u00e1lbum solo, <strong>Roteiro pra A\u00efnouz, Vol. 3<\/strong> (2017), s\u00f3 veio 15 anos depois de entrar no rap, abrindo uma trilogia reversa autobiogr\u00e1fica inspirada no cinema de Karim A\u00efnouz (diretor de &#8220;Praia do Futuro&#8221;, &#8220;O C\u00e9u de Suely&#8221; e &#8220;Abismo Prateado&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00danico cearense na programa\u00e7\u00e3o da\u00a03\u00aa edi\u00e7\u00e3o do <strong>Favela Sounds &#8211; Festival Internacional de Cultura de Periferia<\/strong>, em Bras\u00edlia, onde se apresenta neste s\u00e1bado, 24, Don L agora se prepara para contar a segunda parte da sua hist\u00f3ria em <strong>Roteiro pra A\u00efnouz, Vol. 2<\/strong>, disco que vai narrar sua chegada em S\u00e3o Paulo, h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em entrevista exclusiva ao Blog, o artista fala sobre sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, a rela\u00e7\u00e3o com obra de\u00a0A\u00efnouz, a necessidade de se posicionar politicamente e projeta uma nova era de resist\u00eancia no governo Bolsonaro. Don L tamb\u00e9m adianta quando e como ser\u00e1 sua pr\u00f3xima passagem por Fortaleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PLpmpNbqyfcHogeZBhcm3nd_JqB_cWbf-v\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> Para ler ouvindo: <strong>Roteiro pra A\u00efnouz, Vol. 3<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea nasceu em Bras\u00edlia e cresceu em Fortaleza. Hoje vive em S\u00e3o Paulo. O que voc\u00ea guarda do Cear\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nasci em Bras\u00edlia e fui pra Fortaleza ainda crian\u00e7a. Morei um pouco em S\u00e3o Lu\u00eds. Sou de Fortaleza mesmo, minha fam\u00edlia \u00e9 do interior do Cear\u00e1. Cresci em Fortaleza. S\u00f3 vim pra S\u00e3o Paulo agora depois dos 30 anos. Eu guardo de Fortaleza a minha ess\u00eancia completa. Sou essencialmente isso. \u00c9 uma coisa mais dif\u00edcil da gente mesmo perceber porque t\u00e1 enraizado. Acho que talvez eu n\u00e3o saiba dizer o mais essencial, saca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acho que Fortaleza tem essa coisa assim de, al\u00e9m de ser uma cidade que te mostra grandes possibilidades, voc\u00ea sempre esbarra um pouco na realidade dura. \u00c9 uma cidade que est\u00e1 num estado teoricamente muito pobre, de muita dureza. Tem uma dureza de estar sempre com a escassez na cabe\u00e7a. Parece que isso n\u00e3o sai. Mesmo que voc\u00ea esteja bem, mesmo que voc\u00ea escape disso, muita gente que voc\u00ea ama e conhece continua nessa realidade. E tem a coisa do mar, da praia, da nossa facilidade de rir das coisas, de rir da nossa pr\u00f3pria mis\u00e9ria ao mesmo tempo.<\/p>\n<div id=\"attachment_8962\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8962\" class=\"size-large wp-image-8962\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/11\/don-l-roteiro-para-ainouz-iii-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" \/><p id=\"caption-attachment-8962\" class=\"wp-caption-text\">Roteiro Pra A\u00efnouz vol.3 \u00e9 o primeiro \u00e1lbum solo de Don L<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea tem uma extensa viv\u00eancia no rap antes do <\/strong>Roteiro Pra A\u00efnouz vol.3<strong>, inclusive em Fortaleza com o grupo Costa a Costa. Como \u00e9 a experi\u00eancia de lan\u00e7ar um primeiro disco solo depois desse caminho tra\u00e7ado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 o meu primeiro disco, mas no rap a gente tem um bagulho que a gente chama de mixtape. O hip hop \u00e9 um bagulho que eu acho muito foda porque a gente t\u00e1 sempre reinventando o significado das coisas e a mixtape \u00e9 uma delas, que passou a servir como um disco demo. Em 2007 (quando o <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GsYbm9Zr3hw&amp;list=PL053963B97685C9DA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Costa a Costa lan\u00e7ou a mixtape<\/a><\/span> <strong>Dinheiro, sexo, drogas e viol\u00eancia<\/strong>), eu j\u00e1 tinha alguns anos de rap. Comecei em 2002. \u00c9 deprimente contar os anos porque passa tanto tempo e voc\u00ea n\u00e3o consegue realizar metade do que gostaria com melhores condi\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea quer que o que t\u00e1 na sua cabe\u00e7a se materialize e nem sempre isso \u00e9 f\u00e1cil de se fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, tem a viv\u00eancia. Com o tempo, a gente aprende a fazer melhor e se preocupa mais com o que o impacto que o que voc\u00ea diz tem na vida das pessoas. Sempre fiz m\u00fasica para mim mesmo, mas n\u00e3o no sentido ego\u00edsta. E sim de ser o que eu preciso pra continuar vivendo. A viv\u00eancia \u00e9 o essencial da m\u00fasica. Se eu tivesse lan\u00e7ado um disco solo mais jovem, teria outra viv\u00eancia. Agora, eu conto uma hist\u00f3ria que vem de muitos anos at\u00e9 agora. Tem m\u00fasicas prontas que eu nunca lancei e vou refazer com uma vis\u00e3o mais madura. Ent\u00e3o tem esse lado positivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como surgiu esse conceito de trilogia reversa para seus discos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu tinha essa ideia de fazer uma trilogia, de contar essa hist\u00f3ria como um roteiro de filme. Sempre me disseram que as minhas m\u00fasicas s\u00e3o visuais. As pessoas falavam que, quando eu rimo, elas conseguem ver as imagens. Eu componho com imagens na minha cabe\u00e7a, e pra realizar \u00e9 aquele bagulho caro. Eu sempre fiz isso de tentar fazer as pessoas verem e sentir com a m\u00fasica. Tive a ideia de contar a minha hist\u00f3ria, e quero que seja assim em reverso. N\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria usual, n\u00e3o \u00e9 um clich\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>E a rela\u00e7\u00e3o com Karim A\u00efnouz?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando fui dar um t\u00edtulo, eu j\u00e1 tinha essa rima que eu digo que a minha vida t\u00e1 mais pra um filme de A\u00efnouz\u00a0(na m\u00fasica &#8220;Se Num For Demais&#8221;) do que para roteiros hollywoodianos espetaculares. Essa coisa de voc\u00ea estar sempre em uma busca tem nos filmes do A\u00efnouz, em que a busca interior \u00e9 a principal. Isso t\u00e1 em todos os filmes dele que eu vi. O \u00eaxodo, mesmo quando n\u00e3o \u00e9 f\u00edsico, t\u00e1 l\u00e1. At\u00e9 mesmo em &#8220;Madame Sat\u00e3&#8221; (2002), que n\u00e3o fala de \u00eaxodo, as quest\u00f5es pessoais do cara est\u00e3o l\u00e1. Essa alus\u00e3o de prestigiar as influ\u00eancias t\u00e1 na cultura hip hop. E fa\u00e7o isso porque a gente n\u00e3o \u00e9 educado a se preparar para uma obra de arte. Ent\u00e3o, foi tudo isso junto de querer mostrar e ter a ver com a ess\u00eancia do trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Ent\u00e3o voc\u00ea gosta de cinema?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu pretendo ser um cara mais ligado em cinema, mas nem sou tanto. \u00c9 mais a forma de como eu componho as m\u00fasicas, uma ambi\u00e7\u00e3o de querer fazer coisas integradas. Quando <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yKrPwhv0x24&amp;list=PLpmpNbqyfcHq-fc9bngMvXxmkBnyr8CrD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lancei a mixtape <\/a><\/span><strong><span style=\"color: #ff0000\">Caro Vapor<\/span>\u00a0<\/strong>(2013) fiz de um jeito que todo mundo hoje faz. No disco novo do Baco (Exu do Blues, <strong>Bluesman<\/strong>, 2018) cada m\u00fasica tem uma foto. Eu inventei esse bagulho e acho massa que todo mundo faz isso agora. Sempre quis trabalhar com fot\u00f3grafos fodas pra dar imagem ao que seria a m\u00fasica. Assim como tinha a ambi\u00e7\u00e3o de trabalhar com dan\u00e7a, como fiz o clipe de &#8220;Laje das Ilus\u00f5es&#8221; com dan\u00e7arinas. E o cinema \u00e9 foda, n\u00e9 cara? \u00c9 uma forma de arte muito rica. Fala muito, faz voc\u00ea sentir muito por um per\u00edodo muito r\u00e1pido. Assistir a um filme do A\u00efnouz no cinema \u00e9 uma experi\u00eancia sem distra\u00e7\u00f5es, voc\u00ea \u00e9 obrigado a sentir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Don L - Laje das Ilus\u00f5es (feat. Leo Justi)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/06WJgINbsIE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O \u00e1lbum \u00e9 repleto de parcerias. Tem o Diomedes Chinaski, Leo Justi, o pr\u00f3prio Fernando Catatau, entre outros. E hoje em dia fazer colabora\u00e7\u00f5es est\u00e1 em alta. Essa l\u00f3gica j\u00e1 era do rap?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o duas coisas. Primeiro, n\u00f3s temos essa cultura, vem do ber\u00e7o do hip hop. A outra coisa \u00e9 ter um compromisso de trazer gente nova e tamb\u00e9m gente que tem a ver com a sua hist\u00f3ria, com o lugar de onde voc\u00ea veio. Quando coloquei o Diomedes na intro do meu disco, ele ainda n\u00e3o era conhecido e ainda n\u00e3o tinha lan\u00e7ado &#8220;<span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_2r0OtMxj20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sulic\u00eddio<\/a><\/span>&#8220;. Por ironia do destino, &#8220;Sulic\u00eddio&#8221; saiu antes, todo mundo ouviu e quando lancei meu disco foi uma avalanche. Eu coloquei o Diomedes pra mostrar que tem esse cara de Recife, um dos melhores do Brasil. E tem tudo a ver com a hist\u00f3ria que eu conto no disco. N\u00e3o quero que o Diomedes demore 15 anos como eu demorei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Catatau \u00e9 um cara que eu sou muito f\u00e3 desde moleque. \u00c9 um dos melhores guitarristas do mundo. Ele \u00e9 insano! Coloquei o Thiago Fran\u00e7a que \u00e9 tipo o Catatau do sax. Quando gravei \u201cCocainterl\u00fadio\u201d fiquei impressionado com a capacidade do maluco de chegar no est\u00fadio e fazer tudo em um take. Ele \u00e9 muito virtuoso. Tem a Lay (na faixa \u201cMexe pra Cam\u201d) que \u00e9 uma mina que tamb\u00e9m precisa ser mais reconhecida. Agregar \u00e9 a ess\u00eancia do hip hop, al\u00e9m de chegar no p\u00fablico desses artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 ativo no Twitter e comenta o cen\u00e1rio pol\u00edtico. Nesses \u00faltimos meses, na discuss\u00e3o acalorada do per\u00edodo eleitoral, chegou a dizer que &#8220;n\u00e3o perdoaria&#8221; rappers que n\u00e3o se posicionavam contra o presidente eleito Jair Bolsonaro. Por que essa decis\u00e3o? O rap \u00e9 sempre pol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O rap \u00e9 pol\u00edtico. N\u00e3o tem como n\u00e3o ser. O cara fala de droga, balada e mina, mas tudo tem contexto. H\u00e1 quem veja o rap como embalagem e tente esvazi\u00e1-lo, mas todo estilo de m\u00fasica chega nesse momento de esvaziamento. A ind\u00fastria \u00e9 parte disso e o rap \u00e9 o que mais resiste. Ningu\u00e9m consegue esvaziar o hip hop. Chega o Emicida, o Mano Brown e, de repente, ressurge a origem do Marcelo D2. Se voc\u00ea pensava que o D2 falava s\u00f3 de maconha, onde voc\u00ea tava?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, chega em um momento desse e quem n\u00e3o t\u00e1 se posicionando t\u00e1 sendo est\u00fapido porque vai sofrer com isso tamb\u00e9m. Em Fortaleza tinha um grupo chamado Conex\u00e3o Racial e uma vez eles sa\u00edram do palco algemados porque falavam da pol\u00edcia na m\u00fasica. \u00c9 um dos grupos pioneiros do rap em Fortaleza. Foram eles que come\u00e7aram o bagulho. E isso durante os anos 90. O que falei foi nesse sentido de ver quem estava pela cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea acredita que a necessidade de se posicionar se intensificou nessas elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agora \u00e9 mais importante ainda se posicionar. Se tornou vital. Se a gente n\u00e3o se posicionar, vamos aceitar uma hegemonia de um cara extremamente truculento. E com m\u00e9todos novos de trucul\u00eancia que as pessoas comuns n\u00e3o est\u00e3o preparadas para lidar. Essa coisa da p\u00f3s-verdade, a fake news em pessoa usando todo mundo de fake news. Fascistas n\u00e3o sabem coisa nenhuma porque nunca estudaram e est\u00e3o se colocando como intelectuais. \u00c9 um bagulho perigoso a ponto de amea\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento de um Pa\u00eds inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Nesse contexto, os artistas v\u00e3o precisar se articular melhor para resistir a essa hegemonia que voc\u00ea citou?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 existe uni\u00e3o quando o assunto \u00e9 pol\u00edtica. A gente precisa sair s\u00f3 da arte. J\u00e1 foi constru\u00edda uma narrativa de artista e Lei Rouanet, de pessoas que teoricamente se d\u00e3o bem em um governo de esquerda. Essa articula\u00e7\u00e3o das artes j\u00e1 \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o, \u00e9 natural. \u00c9 o m\u00ednimo se posicionar contra os absurdos do pseudo intelectualismo. Para al\u00e9m disso, a gente precisa agora ver formas de trabalhar a resist\u00eancia por fora da arte. Precisamos nos preparar para esse governo com ju\u00edzes, advogados e gente que tem poder financeiro. Eu me inspiro muito no que os pretos americanos fizeram. Teve os Panteras Negras, mesmo o que os mu\u00e7ulmanos negros fizeram. Eles eram uma minoria, mas se articularam de forma que conseguiram se proteger e gerar coisas que est\u00e3o dando frutos at\u00e9 hoje. \u00c9 o que falta no Brasil.<\/p>\n<div id=\"attachment_8967\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8967\" class=\"size-large wp-image-8967\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/11\/don-l-larissa-zaidan-740x518.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"518\" \/><p id=\"caption-attachment-8967\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Larissa Zaidan)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O que voc\u00ea anda ouvindo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu t\u00f4 ouvindo pouca m\u00fasica no momento porque t\u00f4 numa fase de transi\u00e7\u00e3o. Tem um disco que t\u00f4 ouvindo mas n\u00e3o saiu ainda que \u00e9 o do Gallo, de Fortaleza. A gente t\u00e1 tentando lan\u00e7ar esse ano ainda. \u00c9 um disco muito bonito que eu t\u00f4 ouvindo pra vida mesmo. \u00c9 um disco para a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fase de transi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu t\u00f4 mudando de bairro agora, vivendo esse <em>looping<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Que <em>looping<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Voc\u00ea trabalha pra mudar de vida, pra justificar seu \u00eaxodo, construir uma vida e nem sempre o mundo te acompanha nisso. Voc\u00ea passou a vida inteira lutando pra construir sua paz e, quando consegue, t\u00e1 acontecendo uma guerra. Eu tava me preparando pra fazer um disco mais leve, mais boa vida e que tamb\u00e9m \u00e9 sobre um cara que passou a vida inteira lutando. E, de repente, o mundo desaba. A gente n\u00e3o pode deixar isso acabar com a vontade de viver. Estamos vivendo um momento tenso. Por mais que a gente busque vencer na vida, as solu\u00e7\u00f5es individuais s\u00e3o s\u00f3 individuais. E se o bagulho piorar, impacta sua vida.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 trabalhando no pr\u00f3ximo disco?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sim. E esse disco \u00e9 bem isso, n\u00e9? Na verdade, \u00e9 sobre o que aconteceu quando cheguei em S\u00e3o Paulo. \u00c9 a hist\u00f3ria que vou contar no <strong>RPA2<\/strong> (Roteiro Pra A\u00efnouz vol.2). Esse bagulho em <em>looping<\/em>. A hist\u00f3ria de repete, e h\u00e1 uma luta interna e uma luta externa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Quando voc\u00ea volta a Fortaleza?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o tenho show marcado em Fortaleza. Eu t\u00f4 com saudade de cantar em Fortaleza e passar uns dias. Pretendo ver se passo uns dias a\u00ed no fim do ano. At\u00e9 porque a gente vai lan\u00e7ar o disco do Gallo. Vamos fazer clipe, ver o que a molecada t\u00e1 fazendo a\u00ed. Quero estar mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<div id=\"attachment_8968\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8968\" class=\"wp-image-8968 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/11\/Don-L-740x494.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"494\" \/><p id=\"caption-attachment-8968\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook)<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Don L tem consci\u00eancia plena da efemeridade do tempo. 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