{"id":9113,"date":"2018-12-28T01:01:55","date_gmt":"2018-12-28T03:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/?p=9113"},"modified":"2018-12-28T01:01:55","modified_gmt":"2018-12-28T03:01:55","slug":"os-melhores-albuns-brasileiros-de-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2018\/12\/28\/os-melhores-albuns-brasileiros-de-2018\/","title":{"rendered":"Os melhores \u00e1lbuns brasileiros de 2018"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Foi um ano grandioso para a m\u00fasica no Brasil. Em especial, para o que se convencionou no chamado midstream, aquele espa\u00e7o privilegiado &#8211; e cada vez mais respeitado &#8211; entre o underground e o popular (ele mesmo, o famoso mainstream).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Elza<\/strong> e <strong>Gal<\/strong> entregaram alguns dos melhores discos do ano e das suas carreiras dialogando com a vanguarda e com a nova gera\u00e7\u00e3o. Por outro lado, <strong>Baco Exu do Blues<\/strong> colocou no mundo o combativo <strong>Bluesman<\/strong>, e <strong>Duda Beat<\/strong> entrou para a linha de frente das can\u00e7\u00f5es de amor com <strong>Sinto Muito<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E 2018 foi tamb\u00e9m o ano em que a m\u00fasica brasileira se reconheceu enquanto refer\u00eancia para fundar um novo rumo criativo e de tend\u00eancia para a m\u00fasica pop. \u00c9, como dizem, um triunfo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para justificar o que falo acima, listo 10 dos melhores \u00e1lbuns nacionais lan\u00e7ados em 2018. N\u00e3o est\u00e3o em ordem &#8220;do melhor para o pior&#8221; e n\u00e3o s\u00e3o exatamente melhores do que algum que ficou de fora. \u00c9, antes de tudo, uma rela\u00e7\u00e3o para discutir a m\u00fasica que est\u00e1 sendo feita hoje no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Baco Exu do Blues, Bluesman<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9125\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/baco-exu-do-blues-bluesman-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O segundo \u00e1lbum de Diogo Moncorvo, nome de batismo de <strong>Baco Exu do Blues<\/strong>, \u00e9 uma necess\u00e1ria explos\u00e3o de questionamentos e cr\u00edticas sociais. \u00c9 preciso ouvir e entender o que Baco diz em um ano em que o Brasil luta para prestar contas com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e insiste em n\u00e3o se reconhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 sintom\u00e1tico que esse <strong>Bluesman<\/strong> grite contra a opress\u00e3o crescente, a depress\u00e3o e os amores perdidos. Tudo \u00e9 pessoal. Para al\u00e9m das parcerias imprevis\u00edveis, Baco se projeta como protagonista na virada de chave do rap brasileiro nos \u00faltimos anos. \u00c9 um artista \u00e0 frente do seu tempo no g\u00eanero. N\u00e3o a toa seu disco \u00e9 o mais importante do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Pabllo Vittar, N\u00e3o Para N\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-9126\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/pabllo-vittar-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><strong>Pabllo Vittar<\/strong> segue sua pesquisa pelos g\u00eaneros brasileiros como for\u00e7a motriz da m\u00fasica pop que aqui se forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do pagode baiano ao eletrobrega e passando, mais um vez, pelo forr\u00f3 &#8211; h\u00e1 espa\u00e7o at\u00e9 para flertar com o R&amp;B &#8211; Pabllo costura com intelig\u00eancia uma miscel\u00e2nea de sons populares e faz tudo isso funcionar no universo das divas da m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E, justamente por isso, consegue encontrar o brilhantismo. <strong>N\u00e3o Para N\u00e3o<\/strong> \u00e9 fren\u00e9tico e fugaz com suas faixas que n\u00e3o chegam a tr\u00eas minutos de dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Bemti, Era Dois<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Boa surpresa do ano, <strong>Bemti<\/strong> coloca toda sua sensibilidade e transforma a fragilidade dos relacionamentos em for\u00e7a para se reerguer no \u00e1lbum <strong>era dois<\/strong>. Uma combina\u00e7\u00e3o de melancolia e pot\u00eancia no melhor indie folk que o Brasil tem a oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fundador da banda Falso Coral une viola caipira e elementos eletr\u00f4nicos no universo do amor queer &#8211; que, sim, \u00e9 universal &#8211; mas \u00e9, tamb\u00e9m, s\u00edmbolo de resist\u00eancia conhecida e reconhecida por poucos setores da sociedade. Bemti mostra que cantar o amor LGBT em 2018 \u00e9 necess\u00e1rio. Ressignificar abusos em aprendizado, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9127\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/bemti-era-dois-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" \/><\/p>\n<p><strong>Duda Beat, Sinto Muito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 algo de original e inspirado que torna o som de <strong>Duda Beat<\/strong> t\u00e3o brasileiro e atual. As refer\u00eancias do Nordeste, a m\u00fasica eletr\u00f4nica, o fino do brega &#8211; t\u00e3o popular em tempos de sofr\u00eancia pop &#8211; e at\u00e9 batidas jamaicanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 essa concentra\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias sonoras e cole\u00e7\u00e3o de viv\u00eancias da pr\u00f3pria pernambucana que ajuda o formar um dos melhores \u00e1lbuns do ano.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9130\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/Duda-Beat-Sinto-Muito-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Programa\u00e7\u00f5es, teclados, percuss\u00e3o, sintetizadores e cordas, muitas cordas. Est\u00e1 tudo l\u00e1 com uma certa dose de genialidade, resultado de dois anos de produ\u00e7\u00e3o, que coloca a artista no cerne do que h\u00e1 de mais interessante na m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 do parceiro Tom\u00e1s Tr\u00f3ia. Com <strong>Sinto Muito<\/strong>, Duda Beat \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do ano.<\/p>\n<p><strong>Elza Soares, Deus \u00c9 Mulher<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A aura punk de <strong>Elza Soares<\/strong> nunca esteve t\u00e3o forte. A artista reivindica lugar de fala em \u00e1lbum que, se n\u00e3o \u00e9 um manifesto feminista, \u00e9 o mais combativo da carreira.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-9135\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/Elza-Soares-Deus-\u00e9-Mulher-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Deus \u00c9 Mulher<\/strong> surge ap\u00f3s o elogiad\u00edssimo <strong>A Mulher do Fim do Mundo<\/strong> (2015) e, embora n\u00e3o seja uma continua\u00e7\u00e3o, segue uma linha conceitual estabelecida naquele registro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Destaque para a participa\u00e7\u00e3o visceral de Edgar em &#8220;Ex\u00fa nas Escolas&#8221; e &#8220;Banho&#8221;, escrita por Tulipa Ruiz.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/2018\/06\/06\/eu-sou-a-propria-forca-da-natureza-diz-elza-soares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Entrevista: &#8220;Eu sou a pr\u00f3pria for\u00e7a da natureza&#8221;, diz Elza Soares<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Lia Clark, \u00c9 da Pista<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A <em>drag queen<\/em> paulistana se provou com <strong>\u00c9 da Pista<\/strong>, primeiro \u00e1lbum cheio desde que estreou com o single \u201cTrava Trava\u201d, em 2016. <strong>Lia Clark<\/strong> agarrou o posto de funkeira usando deboche como ferramenta para afrontar o conservadorismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cantora brinca com a sexualidade, n\u00e3o descarta os palavr\u00f5es e traz refer\u00eancias at\u00e9 do funk melody, como na faixa \u201cNude\u201d, can\u00e7\u00e3o digna de um heartbreak \u00e1lbum no tempo dos aplicativos de pega\u00e7\u00e3o. Lia \u00e9 exemplo de como entrar na onda do funk pop sem, de fato, esquecer o funk.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9137\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/lia-clark-\u00e9-da-pista-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Rubel, Casas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 justo que <strong>Rubel<\/strong> n\u00e3o queira se repetir. <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/2018\/03\/06\/rubel-experimenta-e-mostra-toda-sua-pluralidade-em-casas-seu-novo-album\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Casas<\/strong>, o segundo \u00e1lbum do m\u00fasico<\/a><\/span> e cineasta carioca \u00e9 pensado para soar \u00fanico. Por mais ambicioso que possa parecer. E, se n\u00e3o soa \u00fanico, soa novo.<\/p>\n<div id=\"attachment_5898\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5898\" class=\"size-medium wp-image-5898\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/casas-rubel-capa-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-5898\" class=\"wp-caption-text\">Capa de &#8216;Casas&#8217;<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">O sucessor de <strong>Pearl<\/strong>\u00a0(2013) tem 14 faixas, com participa\u00e7\u00f5es luxuosas de Emicida, em &#8220;Mantra&#8221;, e <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/2018\/05\/28\/com-rincon-sapiencia-rubel-lanca-clipe-de-musica-que-faz-critica-a-temer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rincon Sapi\u00eancia na esperan\u00e7osa &#8220;Chiste&#8221;<\/a><\/span> &#8211; um protesto a seu modo. A relev\u00e2ncia do hip hop para o que Rubel e seus parceiros criam nesses momentos \u00e9 fundamental para a pluralidade que o disco representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rubel explora inteligentemente os percursos que a m\u00fasica oferece, e isso inclui abra\u00e7ar elementos eletr\u00f4nicos sem esquecer da brasilidade. A musicalidade segue suave, ainda que seja evidente a complexidade desse trabalho. E o resultado \u00e9 um disco que reflete o que h\u00e1 de mais moderno na MPB.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/2018\/06\/02\/faixa-a-faixa-rubel-comenta-album-casas-que-inclui-parcerias-com-emicida-e-rincon-sapiencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Faixa a faixa: Rubel comenta o \u00e1lbum Casas<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Gal Costa, A Pele do Futuro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais de 50 anos de carreira desaguam no belo <strong>A Pele do Futuro<\/strong>. Inspirada na black music, Gal abra\u00e7a as pistas, acena para os primeiros anos de palco &#8211; a exemplo de &#8220;Minha M\u00e3e&#8221;, com Maria Beth\u00e2nia &#8211; e fala com as novas gera\u00e7\u00f5es cantando Silva, Emicida, Tim Bernardes, Dani Black e Mar\u00edlia Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a cantora sertaneja, <strong>Gal Costa<\/strong> brada &#8220;Cuidando de Longe&#8221;, uma das mas bonitas can\u00e7\u00f5es interpretadas pela baiana nos \u00faltimos anos, dando a Mar\u00edlia Mendon\u00e7a status de gigante j\u00e1 percebido pelo gosto popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A grandiosidade se estende com m\u00fasicas de Hyldon, Adriana Calcanhotto, Guilherme Arantes, Gilberto Gil, Paulinho Moska, Djavan, Jorge Mautner, Nando Reis e Erasmo Carlos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9142\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/gal-costa-a-pele-do-futuro-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" \/><\/p>\n<p><strong>J\u00e3o, Lobos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 muito pr\u00f3prio o caminho musical que <strong>J\u00e3o<\/strong> est\u00e1 trilhando. Dos covers no YouTube para a super produ\u00e7\u00e3o <strong>Lobos<\/strong>, assinada pela pela Head Media com a Universal, o vers\u00e1til artista cria uma narrativa de dores da juventude veross\u00edmil para uma gera\u00e7\u00e3o que sofre pelos amores enquanto dan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e3o abre o disco avisando que vai morrer sozinho, pede por beijo no meio de uma briga, assume que \u00e9 imaturo e que, acima de tudo, ainda ama. Todos os dilemas v\u00eam carregados de emo\u00e7\u00e3o abra\u00e7ando uma sofr\u00eancia &#8211; olha ela aqui de novo &#8211; de um jeito que s\u00f3 o pop brasileiro consegue fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 uma ousadia bonita de se ouvir quando brinca com o funk em &#8220;Vou Morrer Sozinho&#8221; e flerta com o samba em &#8220;A Rua&#8221;, mas \u00e9 no sertanejo, que costura quase todo o disco, que o artista se encontra. Destaque para &#8220;Me Beija com Raiva&#8221;, um hino da sofr\u00eancia pop com excel\u00eancia no arranjo e apelo popular.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9145\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/reporterentrelinhas\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/12\/j\u00e3o-lobos-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Carne Doce, T\u00f4nus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 uma diferen\u00e7a de est\u00e9tica evidente em <strong>T\u00f4nus<\/strong>. A psicodelia e os gritos podem at\u00e9 ter ficado nos \u00e1lbuns anteriores, mas \u00e9 justo dizer que a intensidade sonora permanece no terceiro disco da banda <strong>Carne Doce<\/strong> ao discutir a dualidade humana sem fugir da tens\u00e3o caracter\u00edstica do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A banda goiana faz rock como ningu\u00e9m hoje no Brasil. Al\u00e9m da l\u00edrica provocativa, \u00e9 imprevis\u00edvel e moderno na sonoridade. E, dessa vez, encontrou uma eleg\u00e2ncia ainda mais afinada para falar de sexo e amor despudorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por tudo isso, \u00e9 ir\u00f4nico e\u00a0<span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/twitter.com\/fretenindo\/status\/1077271515433975809\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doloroso saber que a banda foi na contram\u00e3o do que tem sido feito na ind\u00fastria cultural ao lidar com os pr\u00f3prios conflitos<\/a><\/span> que vieram a se tornar p\u00fablicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi um ano grandioso para a m\u00fasica no Brasil. 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