{"id":934,"date":"2016-01-06T13:35:50","date_gmt":"2016-01-06T13:35:50","guid":{"rendered":"https:\/\/reporterentrelinhas.wordpress.com\/?p=934"},"modified":"2016-01-06T13:35:50","modified_gmt":"2016-01-06T13:35:50","slug":"espetaculo-metropole-discute-a-morte-do-teatro-em-curta-temporada-na-caixa-cultural-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/2016\/01\/06\/espetaculo-metropole-discute-a-morte-do-teatro-em-curta-temporada-na-caixa-cultural-fortaleza\/","title":{"rendered":"Espet\u00e1culo &#8216;Metr\u00f3pole&#8217; discute a &#8220;morte&#8221; do teatro em temporada na Caixa Cultural"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_973\" style=\"width: 5194px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-973\" class=\"alignnone size-full wp-image-973\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/reporterentrelinhas.files.wordpress.com\/2016\/01\/metrocc81pole-foto-de-sol-coecc82lho-14.jpg\" alt=\"Metro\u0301pole - Foto de Sol Coe\u0302lho 14.JPG\" width=\"5184\" height=\"3456\" \/><p id=\"caption-attachment-973\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Sol Co\u00ealho<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align:justify\">&#8220;O teatro n\u00e3o est\u00e1 morrendo. As pessoas est\u00e3o&#8221;, aponta o dramaturgo Rafael Barbosa, respons\u00e1vel pelo texto de &#8216;<strong>Metr\u00f3pole<\/strong>&#8216;. O espet\u00e1culo inicia curta temporada nesta quinta-feira, 7, na <strong>CAIXA Cultural Fortaleza<\/strong>, onde segue em cartaz at\u00e9 o pr\u00f3ximo domingo. A trama surgiu em um momento em que Rafael\u00a0almejava discutir o teatro, a arte contempor\u00e2nea e as dificuldades de ser artista em uma &#8220;metr\u00f3pole capitalista&#8221;. O teatro, diz, &#8220;\u00e9 uma extens\u00e3o da vida humana&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A\u00a0encena\u00e7\u00e3o de <strong>Silvero Pereira<\/strong> e Gyl Giffony\u00a0\u00e9\u00a0constru\u00edda a partir de espa\u00e7os n\u00e3o convencionais do equipamento cultural, que permite integrar o p\u00fablico em\u00a0um ambiente at\u00e9 ent\u00e3o restrito. Giffony, ali\u00e1s, dirige a hist\u00f3ria de seu personagem Charles e\u00a0o\u00a0irm\u00e3o Caetano (Silvero).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A pe\u00e7a, que estreou em 2012 na sala de dan\u00e7a Hugo Bianchi do\u00a0Theatro Jos\u00e9 de Alencar, j\u00e1 passou pelo\u00a0Crato e\u00a0Juazeiro do Norte, no Cear\u00e1, al\u00e9m de S\u00e3o Paulo (SP), Curitiba (PR), Natal (RN) e Porto Alegre (RS). Estas duas \u00faltimas capitais est\u00e3o nos planos da\u00a0Inquieta Cia de Teatros para retornar com &#8216;Metr\u00f3pole&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em conversa com o <strong>Rep\u00f3rter Entre Linhas<\/strong>, Rafael e Giffony discutem a cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo e o debate em torno do mercado art\u00edstico, no qual, lembram, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 garantias&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_media-5\" style=\"width: 5194px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-media-5\" class=\"alignnone size-full wp-image-1002\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/reporterentrelinhas.files.wordpress.com\/2016\/01\/metrocc81pole-foto-de-sol-coecc82lho-12.jpg\" alt=\"Metro\u0301pole - Foto de Sol Coe\u0302lho 12.JPG\" width=\"5184\" height=\"3456\" \/><p id=\"caption-attachment-media-5\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Sol Co\u00ealo<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como surgiu a ideia para escrever o espet\u00e1culo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Rafael Barbosa:<\/strong> Eu iniciei um processo e elabora\u00e7\u00e3o de question\u00e1rios de m\u00faltipla escolha para entender melhor as inquieta\u00e7\u00f5es do Cia. Naquela minha fase como dramaturgo, aos 20 anos, eu almejava constantemente discutir na cena, o teatro, a arte contempor\u00e2nea e as dificuldades de ser artista em uma metr\u00f3pole capitalista. Ent\u00e3o, seguindo essas preposi\u00e7\u00f5es iniciais, surgiu uma tem\u00e1tica central para Metr\u00f3pole: \u201cQuando a arte come\u00e7a a sucumbir no artista\u201d ou \u201cQuando somos obrigados a deixar a arte pela necessidade financeira\u201d, em outras palavras, sendo mais simples, \u201cQuando deixamos de fazer arte para n\u00e3o morrer de fome\u201d. Ent\u00e3o, surge a ideia de colocar Caetano como o ator que, embora fosse extraordin\u00e1rio nos palcos, agora faz bolos e doces para levar uma vida sem batalhas. <strong>Ser artista \u00e9 assim. H\u00e1 os riscos de instabilidade, n\u00e3o h\u00e1 garantias.\u00a0Os incentivos s\u00e3o poucos para cultura, as pessoas v\u00e3o muito pouco ao teatro e Caetano desistiu de se arriscar, parou de caminhar na avenida e foi para a comodidade da cal\u00e7ada.<\/strong> Para a pe\u00e7a n\u00e3o terminar apenas com essa tem\u00e1tica pessimista, embora realista, da arte em terreno fr\u00e1gil, criei Charles, o irm\u00e3o que surge no espa\u00e7o de Caetano mostrando aquilo que ele era quando, no passado, era trabalhador de teatro. \u201cNo entanto, ser\u00e1 que eu posso voltar ao of\u00edcio de Dion\u00edsio?\u201d Charles e Caetano s\u00e3o a mesma pessoa, e seus di\u00e1logos s\u00e3o porosos dando margem de interpreta\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico; Charles e Caetano s\u00e3o, consequentemente, o passado e o presente, e nessa arena civil surgem os conflitos do \u201cser ou n\u00e3o ser\u201d.<\/p>\n<p><strong>A sinopse fala de um &#8220;cen\u00e1rio de morte do teatro dentro da carne&#8221;. O teatro est\u00e1 morrendo ou \u00e9 algo mais particular?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Rafael:<\/strong> O teatro n\u00e3o est\u00e1 morrendo. As pessoas est\u00e3o. <strong>Teatro n\u00e3o existe sem pessoas, ent\u00e3o posso dizer que ele \u00e9 uma extens\u00e3o da vida humana.<\/strong> Sejam aqueles que fazem jus a etimologia de \u201clugar onde se v\u00ea\u201d, sendo assim o p\u00fablico, ou aquelas que s\u00e3o artistas, sendo assim o int\u00e9rprete. A morte do teatro na carne \u00e9 na verdade, a morte dele na vida de Caetano. Morte como met\u00e1fora de distanciamento f\u00edsico, mas a cabe\u00e7a de Caetano ainda cintila sobre um elipse, suas mem\u00f3rias ainda est\u00e3o em Shakespeare enquanto ele decora um bolo ou polvilha sal na massa, por exemplo. O teatro n\u00e3o morreu na sua cabe\u00e7a, mas por ociosidade f\u00edsica, morre na sua carne. Por isso &#8216;Metr\u00f3pole&#8217; \u00e9, tamb\u00e9m, uma pe\u00e7a metalingu\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Gyl Giffony:<\/strong> Essa refer\u00eancia est\u00e1 no espet\u00e1culo a partir da desist\u00eancia que um dos irm\u00e3os, Caetano, faz por abrir m\u00e3o de sua voca\u00e7\u00e3o, daquilo que tem aptid\u00e3o para ser e fazer, que \u00e9 atuar no teatro, a\u00ed est\u00e1 &#8220;um cen\u00e1rio de morte do teatro dentro da carne&#8221;. Em oposi\u00e7\u00e3o seu irm\u00e3o, Charles, est\u00e1 come\u00e7ando no teatro, cheio de \u00edmpeto, e a pe\u00e7a mostra esse encontro dos dois irm\u00e3os, dessas duas a\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o para al\u00e9m de uma conversa sobre teatro, falam para qualquer um que tem vontades e abri m\u00e3o delas por outras circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p><strong>O mote geracional parece a oportunidade para falar do of\u00edcio do ator em si. A inten\u00e7\u00e3o sempre foi essa?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_1004\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1004\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1004\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/reporterentrelinhas.files.wordpress.com\/2016\/01\/metrocc81pole-foto-de-sol-coecc82lho-4.jpg?w=300\" alt=\"Metro\u0301pole - Foto de Sol Coe\u0302lho 4\" width=\"300\" height=\"200\" \/><p id=\"caption-attachment-1004\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Sol Co\u00ealho<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Rafael:<\/strong>\u00a0N\u00e3o s\u00f3 essa. Metr\u00f3pole \u00e9 tamb\u00e9m sobre ser plateia. Por isso o grupo percebeu essa discuss\u00e3o quase invis\u00edvel na pe\u00e7a e optou pelos espelhos. \u201cVejam, todos n\u00f3s somos respons\u00e1veis da banaliza\u00e7\u00e3o da arte pelo sistema de exclus\u00e3o\u201d. A plateia, os apreciadores da obra art\u00edstica s\u00e3o obrigadas a se deparar com o seu oficio de observador, e ver aquilo que est\u00e1 por tr\u00e1s do espet\u00e1culo, os bastidores da vida, a frustra\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia de um p\u00fablico apreciador, que embora fa\u00e7a parte de uma sociedade consumista, pouco consomem aquilo que est\u00e1 fora do eixo cultural de massa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o da arte com a carne e como ela influencia a percep\u00e7\u00e3o narrativa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Gyl:<\/strong> Ela est\u00e1 na subjetividade e no corpo dos personagens, mas tamb\u00e9m no que o sistema e a cidade em que vivem, no ambiente familiar e de amigos que convivem. Ela fala de tudo que os formam, e o que levam inscritos em seus corpos. <strong>O corpo aqui \u00e9 mais que mat\u00e9ria, \u00e9 pensamento e a\u00e7\u00e3o.<\/strong> O que forma e influencia as decis\u00f5es, a forma de ser de cada um \u00e9 seu corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Metr\u00f3pole estreou no TJA e j\u00e1 passou por v\u00e1rios outros teatros. Por ultilizar espa\u00e7os n\u00e3o convencionais, \u00e9\u00a0necess\u00e1rio\u00a0se readaptar quando o espet\u00e1culo muda de equipamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Gyl:<\/strong> Sim, por que cada espa\u00e7o tem arquitetura e qualidades pr\u00f3prias.\u00a0No caso, n\u00e3o podemos nem considerar s\u00f3 como adapta\u00e7\u00f5es como algo que j\u00e1 est\u00e1 na encena\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo que o olhar para o espa\u00e7o, e o p\u00fablico \u00e9 convidado para ser c\u00famplice tamb\u00e9m desse dispositivo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Rafael:<\/strong> (No texto)\u00a0N\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Na temporada de estreia, a plateia podia ver a pe\u00e7a refletida em um espelho no equipamento do TJA. Isso vem de uma reflex\u00e3o proposital do texto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Rafael:<\/strong>\u00a0Creio que sim, embora o texto n\u00e3o fale sobre espelhos. Vale lembrar tamb\u00e9m que o grupo ensaiava na sala de dan\u00e7a do Teatro Jos\u00e9 de Alencar, e uma sacada inteligente do grupo foi usar os elementos da sala, como quadros, portas, e o espelho da sala, que mais tarde se tornou o principal elemento da pe\u00e7a e sendo indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Espet\u00e1culo Metr\u00f3pole<br \/>\nTemporada: de 7 a 10 de janeiro<br \/>\nHor\u00e1rio: de quarta-feira a s\u00e1bado \u00e0s 20 horas; domingo \u00e0s 19 horas.<br \/>\nLocal: CAIXA Cultural Fortaleza (av. Pessoa Anta, 287)<br \/>\nIngresso: R$ 10 (inteira); R$ 5 (meia).<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o indicativa: 14 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Metr\u00f3pole inicia curta temporada em Fortaleza nesta quinta. Leia entrevista com realizadores<\/p>\n","protected":false},"author":115,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159],"tags":[104,2780,2781,2782,1031,1409],"class_list":["post-934","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista","tag-caixa-cultural-fortaleza","tag-gyl-giffony","tag-metropole","tag-rafael-barbosa","tag-silvero-pereira","tag-teatro"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/115"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/934\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/foradaordem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}