{"id":4233,"date":"2016-02-10T11:27:59","date_gmt":"2016-02-10T14:27:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/?p=4233"},"modified":"2016-02-10T11:27:59","modified_gmt":"2016-02-10T14:27:59","slug":"carnaval-ainda-bem-que-acabou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/2016\/02\/10\/carnaval-ainda-bem-que-acabou\/","title":{"rendered":"Carnaval: ainda bem que acabou o sofrimento"},"content":{"rendered":"<p>Trila o apito do \u00e1rbitro! Est\u00e1 encerrado o Carnaval. Al\u00edvio total porque voc\u00ea h\u00e1 de concordar comigo do imenso sofrimento que atinge quem n\u00e3o gosta do per\u00edodo momino. Isso me acompanha desde sempre e se estende de forma perene, inclusive aqui na Reda\u00e7\u00e3o. Como um alien\u00edgena do presente, sou observado por olhares que variam de um estranhamento atroz at\u00e9 o de pena. O objetivo \u00e9 tentar entender o mist\u00e9rio que eu carrego de n\u00e3o suportar o Carnaval. Me julgam como a pessoa mais infeliz do mundo, um Gargamel para os Smurfs ou um Felip\u00e3o para os 7 a 1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos questionamentos p\u00fablicos, \u00e9 comum que eu seja chamado de lado por algum colega tentando me converter, miss\u00e3o quase religiosa que sempre termina fracassada. Neste ano at\u00e9 aceitei apresentar um programa que fa\u00e7o na TV O POVO com um adere\u00e7o, mas para provar como o ser humano pode ser falso.No meu lado imperador, aquele que todo mundo tem, nutro o sonho de um dia ver o Carnaval acabar. Mas n\u00e3o \u00e9 por mal ou imposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 que a euforia ef\u00eamera e a histeria coletiva me causam compaix\u00e3o. Mas como cada um tem um carma para viver, o desse pessoal certamente \u00e9 achar que vale a pena.<\/p>\n<p><strong>As alternativas<\/strong><\/p>\n<p>Como v\u00edtima contumaz de uma sociedade autorit\u00e1ria e que faz quest\u00e3o de impor o tempo todo o Carnaval como o momento mais extraordin\u00e1rio que um ser humano pode experimentar, me resta apenas a op\u00e7\u00e3o da fuga. Minha alegoria foi boa comida. Minha evolu\u00e7\u00e3o nas s\u00e9ries e filmes; no quesito fantasia, o videogame; meu enredo, a tranquilidade; em restaurantes e padarias sincronizei a harmonia e no trabalho, o conjunto.<\/p>\n<p>Transitar por Fortaleza valeu a pena. Com menos gente, a Cidade ficou, paradoxalmente, mais humana. Foram grandes dias num lugar mais bonito, vi\u00e1vel, com menos carros, mais bicicletas e sorrisos. N\u00e3o por acaso a minha torcida \u00e9 sempre para que o maior n\u00famero poss\u00edvel de habitantes deixe a Cidade (n\u00e3o \u00e9 verdade que eu tenha proposto levantarmos um muro para que quem saiu n\u00e3o volte). Mas o Carnaval em Fortaleza existe, veio forte e, melhor, n\u00e3o incomoda quem n\u00e3o gosta, fruto da iniciativa das pessoas na busca da leg\u00edtima ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos. Muita gente esteve no Mercado dos Pinh\u00f5es, Aterro da Praia de Iracema, Gentil\u00e2ndia e Domingos Olimpio.<\/p>\n<p>No mais, n\u00e3o pe\u00e7o solidariedade. Assumir que n\u00e3o se gosta de Carnaval faz parte de uma cruzada das minorias. Quero apenas o direito de n\u00e3o gostar em paz e desconhecer que a Val Marchiori quase saiu no tapa com a Geisy Arruda na TV ou que a destaque do Peruche surtou e ficou nua. Pode at\u00e9 parecer, mas n\u00e3o desejo impor meu gosto, como fazem comigo. A prova \u00e9 tanta que tem uma menininha de tr\u00eas anos olhando para a minha cara (fala oi, Pilar) e me esperando para lev\u00e1-la ao bailinho do pr\u00e9dio, com confete e serpentina.\u00a0<strong>(Fernando Graziani \u00e9 editor-chefe do N\u00facleo<br \/>\nde Esportes)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trila o apito do \u00e1rbitro! Est\u00e1 encerrado o Carnaval. 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