{"id":7111,"date":"2019-02-07T23:37:16","date_gmt":"2019-02-08T01:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/?p=7111"},"modified":"2019-02-07T23:49:54","modified_gmt":"2019-02-08T01:49:54","slug":"edson-carius-jamais-imaginava-um-momento-como-este","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/2019\/02\/07\/edson-carius-jamais-imaginava-um-momento-como-este\/","title":{"rendered":"Edson Cari\u00fas: \u201cJamais imaginava um momento como este\u201d"},"content":{"rendered":"<p>POR LUCAS MOTA (entrevista de agosto de 2018 publicada no Jornal O POVO)<\/p>\n<p>Das colheitas de arroz e feij\u00e3o at\u00e9 o protagonismo nos gramados de futebol. Jos\u00e9 Edson Barros da Silva, o Edson Cari\u00fas, superou as dificuldades financeiras que quase lhe fizeram abandonar o esporte para se tornar artilheiro e destaque da campanha do Ferrovi\u00e1rio at\u00e9 o t\u00edtulo da S\u00e9rie D do Campeonato Brasileiro. Em entrevista exclusiva ao O POVO, o atacante narra sua trajet\u00f3ria, a \u00e9poca da inf\u00e2ncia onde se dividia entre jogar bola e ajudar os pais na agricultura, o trabalho como vendedor de moto e o auge nas quatro linhas.<\/p>\n<p>O POVO &#8211; Como foi sua inf\u00e2ncia em Cari\u00fas?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Minha inf\u00e2ncia sempre foi na minha cidade, em Cari\u00fas. Foi um pouco dif\u00edcil porque eu vim da agricultura, trabalhava com meus pais. Mas sempre quando tinha tempo jogava bola com os amigos, na escola. Aquilo come\u00e7ou a me dar o desejo de ir pelo futebol. Sempre foi meu sonho ser jogador de futebol. As coisas come\u00e7aram acontecer, e aconteceram de forma positiva e pude realizar meu sonho.<\/p>\n<p>O POVO &#8211; E voc\u00ea ajudava na ro\u00e7a?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Trabalhava na ro\u00e7a com meu pai. Hoje meu pai n\u00e3o trabalhava mais porque as coisas come\u00e7aram a melhorar. A gente n\u00e3o iria deixar numa \u00e9poca dessa trabalhando na ro\u00e7a. Mas sempre trabalhei na agricultura com meu pai, ajudando ele nas planta\u00e7\u00f5es de milho, arroz e feij\u00e3o. Isso era um trabalho digno, aprendi muito a valorizar as coisas, que tinha que batalhar bastante para conseguir alguma coisa na vida.<\/p>\n<p>O POVO &#8211; Voc\u00ea morava com seus pais?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Morei at\u00e9 os 23 com eles. Ajudava da melhor forma poss\u00edvel. Depois que sa\u00ed da agricultura, arrumei outro emprego e passei a ajudar eles um pouco mais. Sei que eles precisavam da minha ajuda e foram fundamentais para que eu chegasse onde cheguei.<\/p>\n<p>O POVO &#8211; Voc\u00ea tem irm\u00e3os?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Tenho seis irm\u00e3os. Todos homens. S\u00e3o pessoas tamb\u00e9m que foram fundamentais na minha carreira. Me ajudam muito e torcem at\u00e9 hoje. Nesse jogo contra o Treze (1\u00ba jogo da final), eles deslocaram de Cari\u00fas para Fortaleza, 400 km, para assistir. S\u00e3o pessoas que est\u00e3o me ajudando e s\u00e3o tudo. A minha fam\u00edlia \u00e9 a base de tudo. <\/p>\n<p>O POVO \u2013 Nenhum irm\u00e3o seguiu carreira no futebol?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 S\u00f3 eu mesmo que fui pelo futebol. Os outros todos residem em Cari\u00fas, t\u00eam seus neg\u00f3cios e ainda hoje est\u00e3o por l\u00e1. <\/p>\n<p>O POVO \u2013 Quem te inspirou e motivou para passar a gostar de futebol? Como voc\u00ea come\u00e7ou a jogar bola?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Olha, no in\u00edcio, comecei a jogar atrav\u00e9s de um primo meu que incentivava a jogar futebol. Eu n\u00e3o gostava muito. Por eu ser do interior do Cear\u00e1, eu tinha um pouco de vergonha de estar no meio do povo, receio. Mas isso foi mudando a medida que ele foi me levando para os jogos. Comecei a gostar de futebol e a ver que poderia realizar meu sonho. Tinha uns 12 anos. Estava come\u00e7ando a despertar para o futebol. Jogava descal\u00e7o sem material adequado. S\u00e3o momentos que ainda hoje eu lembro e vai ficar marcado por toda minha vida.<\/p>\n<p>O POVO &#8211; Nessa \u00e9poca de jogar descal\u00e7o, qual foi o lugar mais inusitado de um \u201cracha\u201d?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Foi nos jogos interclasses, lembro bem. A gente jogava futebol de sal\u00e3o e teve um jogo \u00e0s 13 horas. E l\u00e1 em Cari\u00fas a quadra n\u00e3o era coberta, era ao ar livre. Acabou queimando meus p\u00e9s. Mas como falei, s\u00e3o momentos que v\u00e3o ficar marcados, que valeu a pena passar por isso para chegar at\u00e9 aqui (risos).<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Qual foi o time que voc\u00ea iniciou nas categorias de base?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Foi em um time da minha cidade, o Struggle. N\u00e3o \u00e9 um time profissional, mas tem tudo legalizado. Falta apenas ter mais apoio para colocar em competi\u00e7\u00f5es oficiais. Comecei a jogar l\u00e1. \u00c9 um time formado pela minha fam\u00edlia. Eles me chamaram para participar. Tinha 16 anos, disputei competi\u00e7\u00f5es locais, foi minha primeira experi\u00eancia em campo e peguei gosto de vez pelo futebol de campo. <\/p>\n<p>O POVO \u2013 Ent\u00e3o tua fam\u00edlia gosta mesmo de futebol&#8230;<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 A fam\u00edlia sempre gostou de futebol. Esse time participa de muitas competi\u00e7\u00f5es, inclusive, revelou eu e o Igor, que est\u00e1 no Paran\u00e1. Se trabalha muito com categoria de base, pega jovens de Cari\u00fas, de cidades vizinhas, e come\u00e7a a lapid\u00e1-los e tir\u00e1-los do meio da rua. \u00c9 um projeto que hoje eu tenho prazer de estar ajudando, assim como o Igor. A gente ajuda porque v\u00ea que tira muitos jovens da rua.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Voc\u00ea teve um per\u00edodo de pausa na carreira. Como foi isso? Voc\u00ea pensou em abandonar a carreira?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211;  Em 2008, teve uma peneira sub-18 do Icasa l\u00e1 em Iguatu, em julho. Como eu faria 19 anos em outubro, fui reprovado em um primeiro momento pela comiss\u00e3o do Icasa, que os observadores eram o Raimundinho e o Washington Luiz. Seriam dois dias de peneira. No primeiro dia, fui reprovado. No outro dia, fui de novo. Quando fui pegar o material, era outra pessoa que estava entregando. Ele perguntou quantos anos eu tinha e respondia que tinha 17. E o Raimundinho estava apitando e o Washington na arquibancada observando. Eles me colocaram para jogar e n\u00e3o lembraram que eu tinha vindo um dia antes. O Raimundinho parou o treino com 10 minutos e me chamou porque eu tinha feito tr\u00eas gols. Ele perguntou quantos anos eu tinha, disse 17, e pediu para que eu sa\u00edsse e esperasse. Depois, ele veio conversar comigo. Falei a verdade. \u2018Professor, n\u00e3o tenho 17. Ontem eu vim, n\u00e3o pude fazer porque j\u00e1 completo 19 em outubro\u2019. Mas a\u00ed ele pediu pra eu ficar e me levou para o sub-20 do Icasa, no mesmo ano. Quando cheguei l\u00e1 j\u00e1 tinha muita gente na base e acabei sem espa\u00e7o. Aquilo acabou me chateando e voltando para minha cidade porque vi que n\u00e3o iria ter espa\u00e7o. Pensei em desistir. Foi quando voltei para Cari\u00fas e arrumei emprego.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 E como foi esse momento?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Comecei a trabalhar, a ganhar meu pr\u00f3prio sal\u00e1rio e ajudar minha fam\u00edlia. Acabei desgostando do futebol. Fiquei tr\u00eas anos sem jogar.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 E voltou para Cari\u00fas para trabalhar com o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Voltei decidido a n\u00e3o seguir mais no futebol. Via que n\u00e3o iria ter espa\u00e7o. Consegui um emprego de vendedor de moto. Foi um emprego que me marcou muito e fiz muitas amizades. Foi meu primeiro emprego, recebi meu primeiro sal\u00e1rio e pude ajudar minha fam\u00edlia com aquele dinheiro. Foram coisas que me fizeram crescer na vida. Era um trabalho digno, mas muito dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil trabalhar como vendedor de moto. Voc\u00ea tem que bater de porta em porta e leva muito n\u00e3o. E em 2012 o Iguatu colocou o time profissional na 3\u00aa divis\u00e3o. Recebi o convite do pr\u00f3prio Washington Luiz para que eu pudesse ajud\u00e1-lo no Iguatu. Foi um momento que parei e refleti se valeria a pena, porque n\u00e3o sabia se eu iria seguir no futebol, poderia ser s\u00f3 dois ou tr\u00eas meses no futebol e tinha que largar o meu emprego que era algo garantido. Conversei com meus pais e irm\u00e3os. Eles foram fundamentais para que eu voltasse ao futebol. Perguntaram qual era o meu sonho. E eu disse que era ser jogador. Eles mandaram seguir o meu sonho, que n\u00e3o desistisse no primeiro obst\u00e1culo. Fui para o Iguatu, sou muito grato, porque me abriu as portas. A partir desse momento, as coisas come\u00e7aram a acontecer de forma positiva.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 E como surgiu esse convite do Iguatu? Voc\u00ea passou tr\u00eas anos longe e s\u00f3 batendo \u201cracha\u201d?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Estava h\u00e1 tr\u00eas anos sem jogar. Estava acima do peso, s\u00f3 rachava, quando o Iguatu me colocou na 3\u00aa divis\u00e3o. O treinador era o Washington Luiz, que j\u00e1 me conhecia. Algumas pessoas do Iguatu j\u00e1 me conheciam por eu jogar racha. E fizeram essa ponte para eu voltar. Na \u00e9poca, era uma ajuda de custo que me pagavam uns R$ 600 reais para que eu pudesse estar l\u00e1 com o grupo. Eu arrisquei e fui em busca do meu sonho. Gra\u00e7as a Deus, atrav\u00e9s do Washington, do pessoal da diretoria que me ajudaram, as coisas come\u00e7aram a acontecer. Foi minha estreia pelo profissional, em 2012.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 E o que passava pela tua cabe\u00e7a, j\u00e1 que teve que largar o emprego de vendedor no qual voc\u00ea ganhava mais? <\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Foi uma decis\u00e3o dif\u00edcil. Poderia ser s\u00f3 tr\u00eas meses no futebol e n\u00e3o ter sequ\u00eancia. E trabalho que tinha estava seguro, ganhava muito al\u00e9m do que iria ganhar no Iguatu. Se n\u00e3o fosse minha fam\u00edlia apoiando, eu n\u00e3o teria voltado para o futebol. Por mim, eu j\u00e1 achava que n\u00e3o dava mais, at\u00e9 porque estava com 22 anos. Acabou que foi uma decis\u00e3o acertada pela minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Nos tempos de vendedor de moto, teve alguma hist\u00f3ria curiosa?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Com cinco dias que estava trabalhando, por eu n\u00e3o ter nenhuma experi\u00eancia, cheguei ao trabalho, e l\u00e1 n\u00e3o poderia entrar de barba, tinha que estar feita. Quando cheguei, o gerente mandou eu voltar pra casa para tirar a barba e depois voltar para o trabalho. Atrav\u00e9s do trabalho, eu aprendi at\u00e9 a dar bom dia para os colegas de trabalho e clientes.<\/p>\n<p>O POVO &#8211; O que representa essa temporada no Ferrovi\u00e1rio? O que mudou na tua vida?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Quando tive a oportunidade de vir para o Ferrovi\u00e1rio, tinha outras propostas at\u00e9 melhores do que a do Ferrovi\u00e1rio. Mas acabei vindo porque sei que o Ferrovi\u00e1rio tem hist\u00f3ria e peso na camisa. O que imaginava que pudesse acontecer aconteceu. Fazer uma grande temporada com Ferrovi\u00e1rio e uma grande S\u00e9rie D para que as coisas pudessem acontecer de forma positiva e aparecessem coisas melhores. Eu resumiria para voc\u00ea que o Ferrovi\u00e1rio foi tudo pra mim. Sei que partir deste momento minha vida ir\u00e1 mudar.<\/p>\n<p>O POVO &#8211; Qual foi o momento voc\u00ea que teve a no\u00e7\u00e3o de que iria longe na S\u00e9rie D e como foi disputar essa competi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; A sensa\u00e7\u00e3o de disputar S\u00e9rie D foi incr\u00edvel.  Foi a minha primeira participa\u00e7\u00e3o em uma competi\u00e7\u00e3o de Campeonato Brasileiro. Me sentia realizado por disputar um Campeonato Brasileiro. O momento que vi que a gente iria chegar foi contra o Altos. A gente empatou o primeiro jogo aqui. Quando chegou l\u00e1 no interior do Piau\u00ed, que a gente fez um grande jogo, eu conversava com colegas pr\u00f3ximos e falava que a gente ia chegar e subir esse time. O time se fechou e viu que poderia chegar. E foi passando de fase, alcan\u00e7ando os resultados e as esperan\u00e7as foram aumentando.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Qual foi a maior dificuldade na competi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; N\u00e3o foi nem as viagens, mas o campo para jogar. Jogamos em dois campos muito dif\u00edceis, no campo do Cordino, no Maranh\u00e3o, e do 4 de Julho, Piau\u00ed. Era mesmo que estar jogando futebol amador. Me lembrei naquele momento da minha inf\u00e2ncia nos campos de Cari\u00fas, no terr\u00e3o. Foram essas dificuldades que fizeram a gente crescer e se fechar para que pudesse conquistar nossos objetivos.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Como voc\u00ea se sente sendo respons\u00e1vel direto em colocar um ponto final na seca de t\u00edtulos do Ferrovi\u00e1rio?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Esse momento representa muita coisa. Jamais imaginava que pudesse chegar num momento como esse, conseguir um acesso, o t\u00edtulo e ser artilheiro da competi\u00e7\u00e3o, estar entre os tr\u00eas maiores artilheiros do pa\u00eds at\u00e9 o momento. Poder fazer gol em final de Campeonato Brasil. \u00c9 um momento maravilhoso. Agrade\u00e7o tudo isso a Deus e ao Ferrovi\u00e1rio, que abriu as portas para que eu fizesse o meu melhor. <\/p>\n<p>O POVO \u2013 Voc\u00ea deu passe e marcou um gol no 1\u00ba jogo da final da S\u00e9rie D. Conseguiu dormir cedo depois desse jogo?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Fui dormir 5h30min da manh\u00e3 (risos). Se sentir numa final de Campeonato Brasileiro e ajudar a equipe a fazer um grande jogo, \u00e9 muito gratificante. Voc\u00ea sair e ver o reconhecimento do torcedor. Voc\u00ea para pra pensar e imagina se realmente est\u00e1 acontecendo ou se est\u00e1 sonhando. Mas quando abre os olhos, v\u00ea que \u00e9 real. <\/p>\n<p>O POVO \u2013 Qual foi o melhor zagueiro que voc\u00ea enfrentou?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 De todos os zagueiros que j\u00e1 encontrei o mais dif\u00edcil foi o Da Silva, do Cordino. \u00c9 um zagueiro que n\u00e3o tem uma estatura alta, mas tem um tempo de bola bom e \u00e9 muito leal. Jogamos quatro jogos contra o Cordino e foi o \u00fanico jogador que n\u00e3o foi desleal comigo. Todas as bolas que ganhou, ganhou na bola, sem precisar de covardia. Tenho que parabeniz\u00e1-lo pelo car\u00e1ter e pela forma que joga. <\/p>\n<p>O POVO \u2013 E o melhor parceiro de ataque?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Joguei com muitos jogadores bons. Mas hoje falaria em dois que est\u00e3o no mesmo n\u00edvel. Primeiro, o Juninho Quixad\u00e1, sem coment\u00e1rios. \u00c9 um cara altamente inteligente, me identifiquei muito. Tem o Lu\u00eds Soares tamb\u00e9m. Muita gente pensa que ele \u00e9 lento, mas \u00e9 excepcional e inteligente. <\/p>\n<p>O POVO \u2013 Qual a tua refer\u00eancia e inspira\u00e7\u00e3o no futebol?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Hoje, eu me inspiro no Cristiano Ronaldo. Mas um cara que vejo muito e analiso os gols \u00e9 o Jardel por eu ter um pouco das caracter\u00edsticas que ele tinha. Antes das partidas, costumo ver v\u00eddeos de centroavantes que se deram bem no futebol para eu analisar o posicionamento. E o Jardel me chama muita aten\u00e7\u00e3o pelo posicionamento dele, de como ele cabeceava a bola.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Voc\u00ea viu o que o Jardel falou, de que gostaria de lhe levar para o futebol europeu?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas &#8211; Vim ver algum tempo depois da publica\u00e7\u00e3o porque me mandaram. Fiquei muito feliz com as palavras dele, pelo interesse. Espero que um dia possa conhec\u00ea-lo pessoalmente. Ele venceu na vida, foi \u00eddolo no futebol, n\u00e3o tem como ficar feliz de saber que tem uma pessoa como o Jardel vendo o meu potencial.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Sobre o epis\u00f3dio de preconceito ocorrido na partida contra o S\u00e3o Jos\u00e9, como voc\u00ea encarou aquele momento?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Isso me deixou muito triste. Num tempo como hoje, voc\u00ea v\u00ea esse tipo de preconceito. Foi o pior absurdo que j\u00e1 vivi no futebol, gritos de nordestinos malditos e comedores de farinha. Mas me motivou muito tamb\u00e9m para fazer na partida um grande jogo e buscar a vaga na final. A gente s\u00f3 lamenta, mas espera que Deus possa aben\u00e7o\u00e1-los, que possam ver de outra forma e que isso n\u00e3o venha mais acontecer.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Quais as tuas ambi\u00e7\u00f5es e planos para o futuro? Sonha em jogar numa equipe nacional de maior renome?<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 Se eu disse pra voc\u00ea que n\u00e3o tenho ambi\u00e7\u00e3o em jogar num time de S\u00e9rie A ou B, estarei mentindo. Meu sonho \u00e9 chegar e conquistar muitas mais coisas. O Ferrovi\u00e1rio est\u00e1 sendo fundamental para que eu possa chegar num time maior, mas enquanto esse momento n\u00e3o chegar vou estar no Ferrovi\u00e1rio dando meu melhor. Algumas opini\u00f5es nos deixam tristes, de que jogador de S\u00e9rie D n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de jogar na S\u00e9rie A ou B. Quem sabe jogar, joga em qualquer canto. \u00c9 esperar o momento certo. Enquanto n\u00e3o aparece, a gente vai dando o nosso melhor.<\/p>\n<p>O POVO \u2013 Pra fechar, revela uma hist\u00f3ria curiosa de bastidor com o grupo.<\/p>\n<p>Edson Cari\u00fas \u2013 O Esquerdinha, h\u00e1 duas semanas, me ligou por volta das 23 horas. Eu estava dormindo um sono bom, cansado. Ele se passou por um rep\u00f3rter e ficou sete minutos me entrevistando. Eu n\u00e3o sabia que era ele. E quando ele falou, a gente come\u00e7ou a dar risada. S\u00f3 assim vim perceber que era ele. A gente precisa desses momentos de alegria fora de campo tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR LUCAS MOTA (entrevista de agosto de 2018 publicada no Jornal O POVO) Das colheitas de arroz e feij\u00e3o at\u00e9 o protagonismo nos gramados de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":144,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[619,205],"class_list":["post-7111","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-futebol","tag-edson-carius","tag-ferroviario"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/144"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7111"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7115,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111\/revisions\/7115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/futeboldopovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}