{"id":223,"date":"2017-10-08T12:00:38","date_gmt":"2017-10-08T15:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/orapois\/?p=223"},"modified":"2017-10-08T12:00:38","modified_gmt":"2017-10-08T15:00:38","slug":"em-portugal-chorinho-brasileiro-agrada-publico-e-e-recebido-com-entusiasmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/2017\/10\/08\/em-portugal-chorinho-brasileiro-agrada-publico-e-e-recebido-com-entusiasmo\/","title":{"rendered":"Em Portugal, chorinho brasileiro agrada p\u00fablico e \u00e9 recebido com entusiasmo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O choro, ou chorinho, como \u00e9 conhecido o tradicional g\u00eanero musical brasileiro, tem ganhado espa\u00e7o e reconhecimento n\u00e3o apenas na Europa, mas em muitos pa\u00edses mundo afora. Esta semana, o grupo brasiliense Reco do Bandolim &amp; Choro Livre est\u00e1 em Portugal, fazendo apresenta\u00e7\u00f5es com um repert\u00f3rio que inclui compositores cl\u00e1ssicos como Ary Barroso e Pixinguinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Reco do Bandolim, bandolinista e fundador da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, em Bras\u00edlia, disse que foi recebido com emo\u00e7\u00e3o e entusiasmo pelo p\u00fablico portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEu fiquei impressionado com a rea\u00e7\u00e3o explosiva das pessoas quando ouvem o choro. A identidade \u00e9 indiscut\u00edvel. A sensa\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 que isso est\u00e1 um pouquinho no DNA deles [dos portugueses] tamb\u00e9m. H\u00e1 uma troca, uma sinergia fant\u00e1stica. Na verdade, o choro come\u00e7a como uma maneira de tocar os g\u00eaneros que vinham da Europa. Os xotes, a mazurca. Aos poucos, os grandes compositores brasileiros, Henrique Alves Mesquita, Joaquim Ant\u00f4nio da Silva Calado, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazar\u00e9 e Pixinguinha, finalmente, foi quem deram forma ao choro\u201d, disse em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Reco do Bandolim, que tamb\u00e9m participou da cria\u00e7\u00e3o do Clube do Choro em Bras\u00edlia, em 1978, ressalta que a influ\u00eancia da m\u00fasica portuguesa no Brasil, principalmente do fado, \u201cdeixou na nossa alma um tra\u00e7o de certa melancolia, de nostalgia, que est\u00e1 muito presente no choro, no choro mais rom\u00e2ntico, chorado, como a gente fala\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O m\u00fasico avalia que, com a mistura de influ\u00eancias negras, europeias e ind\u00edgenas no Brasil, o choro conseguiu encontrar seu caminho genu\u00edno e se fixar como um \u201cg\u00eanero brasileir\u00edssimo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cTem a coisa da nostalgia [portuguesa], mas tem sobretudo a coisa da alegria, da sensualidade, da alegria do nosso povo. Tem similaridades, mas tem todas as suas diferen\u00e7as. Ali\u00e1s, eu acho que diante dessa globaliza\u00e7\u00e3o que a gente vive no mundo, que democratiza a informa\u00e7\u00e3o e a cultura, n\u00f3s precisamos delimitar nosso territ\u00f3rio cultural. Assim como se tem o fado em Portugal, no Brasil a gente tem o choro que \u00e9 g\u00eanero brasileir\u00edssimo, que fala muito do nosso perfil, da nossa alma profunda\u201d, afirma Reco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Integrante do Choro Livre, Henrique Neto afirma que o repert\u00f3rio escolhido para os shows no exterior sempre privilegiam compositores que falem do Brasil e buscam fazer um painel geral dos ritmos e estilos. \u201cA gente toca forr\u00f3, choro, samba choro, valsa, frevo. Procuramos dar uma no\u00e7\u00e3o bem ampla do Brasil, com m\u00fasicas tocadas na linguagem do choro. Tocamos Aquarela do Brasil, Brasileirinho\u2026 alguns choros mais conhecidos e outros nem t\u00e3o conhecidos, para mostrar que a m\u00fasica est\u00e1 viva e se renovando sempre.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Filho de Reco, o jovem violonista, de 31 anos, veio a Portugal para fazer um mestrado na cidade de Aveiro e seguir\u00e1 na Europa pelos pr\u00f3ximos meses. Ele conta que, entre os projetos atuais, est\u00e1 o lan\u00e7amento de um manual de choro, feito sob coordena\u00e7\u00e3o dele, e que se prop\u00f5e a ensinar a linguagem do estilo musical para profissionais e amadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA gente tem viajado muito com o grupo Choro Livre e agora com o manual, que \u00e9 um material super importante para divulgar essa m\u00fasica, para facilitar o aprendizado, e \u00e9 bil\u00edngue. Vem um CD de \u00e1udio, com 134 \u00e1udios, que vai possibilitar uma maior propaga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para Henrique, o choro tem conquistado um grande espa\u00e7o nos \u00faltimos anos devido ao trabalho e \u00e0 qualidade dos m\u00fasicos brasileiros. Ele conta que h\u00e1 um interesse crescente em rela\u00e7\u00e3o ao estilo porque \u00e9 uma m\u00fasica nova \u201cque ainda n\u00e3o foi descoberta pelo mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEla traz um frescor para os outros estilos. A gente v\u00ea que existe esse interesse por m\u00fasicos de v\u00e1rias vertentes, tanto do jazz quanto do cl\u00e1ssico. Na Espanha, por exemplo, tamb\u00e9m tem clube do choro, em Madri. E os m\u00fasicos flamencos se interessam bastante. Acho que \u00e9 um momento importante para a gente propagar o choro e estamos buscando fazer isso\u201d, diz Henrique.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Choro e jazz<\/strong><br \/>\nReco do Bandolin explica que, apesar da compara\u00e7\u00e3o entre choro e jazz, o movimento musical brasileiro \u00e9 anterior ao norte-americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cH\u00e1 pessoas que, no passado, faziam a compara\u00e7\u00e3o do choro com o jazz, como se o choro fosse o jazz para os brasileiros e vice-versa. Mas h\u00e1 diferen\u00e7as muito grandes. No jazz, os temas s\u00e3o curtos e os tocadores se notabilizaram pela capacidade de improvisa\u00e7\u00e3o. Eles exp\u00f5em um pequeno tema e saem improvisando. O choro \u00e9 uma m\u00fasica mais complexa, que tem frequentemente tr\u00eas partes com harmonias que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o simples. Muitas pessoas acham que tem uma influ\u00eancia de um sobre o outro. Mas o choro antecede o jazz em algumas d\u00e9cadas. No Brasil, come\u00e7ou em 1850. O jazz come\u00e7a a aparecer em 1910, 1920\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O grupo Choro Livre, um dos mais tradicionais do Brasil, j\u00e1 teve diversas forma\u00e7\u00f5es. H\u00e1 oito anos \u00e9 composto por Reco do Bandolim (bandolim), Henrique Neto (viol\u00e3o 7 cordas), George Costa (viol\u00e3o 6 cordas), Marcio Marinho (cavaquinho) e Val\u00e9rio Xavier (pandeiro). Os m\u00fasicos j\u00e1 dividiram palco com grandes nomes da m\u00fasica brasileira, como Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus, Moraes Moreira, Armandinho, Waldir Azevedo, Paulinho da Viola, Hermeto Paschoal, Jo\u00e3o Donato e Sivuca.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Brasil<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O choro, ou chorinho, como \u00e9 conhecido o tradicional g\u00eanero musical brasileiro, tem ganhado espa\u00e7o e reconhecimento n\u00e3o apenas na Europa, mas em muitos pa\u00edses&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":146,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[23,83,43],"class_list":["post-223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-turismo","tag-brasil","tag-chorinho","tag-portugal"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/146"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}