{"id":347,"date":"2018-02-16T13:12:59","date_gmt":"2018-02-16T16:12:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/orapois\/?p=347"},"modified":"2018-02-16T13:12:59","modified_gmt":"2018-02-16T16:12:59","slug":"as-vezes-gente-erra-um-bocadinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/girolusofono\/2018\/02\/16\/as-vezes-gente-erra-um-bocadinho\/","title":{"rendered":"\u00c0s vezes, a gente erra um bocadinho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Divertida, brincalhona e com uma pegada de humor \u00e1cido. Assim \u00e9 a par\u00f3dia da m\u00fasica \u201c\u00c0s Vezes\u201d, do grupo portugu\u00eas D.A.M.A, criada e cantada por eles e pelo radialista e apresentador, tamb\u00e9m portugu\u00eas, Vasco Palmirim, para celebrar o Dia Internacional da L\u00edngua Portuguesa. Ap\u00f3s a transforma\u00e7\u00e3o, a can\u00e7\u00e3o tornou-se: \u201c\u00c0s Vezes \u2018Escuto e Observo Erros de Portugu\u00eas\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo de toda a letra \u00e9 poss\u00edvel ver cr\u00edticas bem elaboradas e coerentes sobre os principais erros que as pessoas cometem ao falar o idioma. Claro, que por ter sido escrita por lusofalantes de Portugal, os principais erros s\u00e3o os da realidade portuguesa, contudo, h\u00e1 gafes que s\u00e3o comuns a todos os falantes da l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ironia aplicada \u00e0 can\u00e7\u00e3o fica n\u00edtida logo na primeira estrofe: \u201c\u00c0s vezes \u2018oi\u00e7o\u2019 cada coisa e n\u00e3o fico \u2018ok\u2019\u201d; a palavra \u201coi\u00e7o\u201d n\u00e3o existe e o uso do estrangeirismo \u201cok\u201d n\u00e3o deixa nem que os ouvidos se adaptem \u00e0 letra e d\u00e3o, de pronto, dois tapas na cara da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem nunca cometeu um erro tosco de portugu\u00eas? Quem nunca em vez de dizer \u201cestiveste\u201d perguntou \u201conde \u00e9 que tu estives-te? Ou quem nunca disse \u201cquando houveram novidades\u201d? Mas o que d\u00e1 mais charme \u00e0 par\u00f3dia, al\u00e9m, claro, da parte c\u00f4mica e a vergonhosa que se sente ao ouvi-la, s\u00e3o as corre\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es que ela traz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No terceiro par\u00e1grafo, nas linhas 12 e 13, h\u00e1 uma cr\u00edtica sobre o \u2013 j\u00e1 citado \u2013 erro na conjuga\u00e7\u00e3o do verbo haver. Na linha 13, vem a explica\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea isso n\u00e3o pode. Cr\u00edtica e corre\u00e7\u00e3o, nessa ordem, demonstra dom\u00ednio sobre o idioma e capacidade e qualifica\u00e7\u00e3o para falar sobre ela e expor seus falantes ao mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, ao ver o v\u00eddeo da apresenta\u00e7\u00e3o da par\u00f3dia numa r\u00e1dio de Portugal, algo chama a aten\u00e7\u00e3o \u2013 para o lado negativo. O anfitri\u00e3o, o jornalista Vasco Palmirim, que canta ao lado dos rapazes, antes mesmo da m\u00fasica come\u00e7ar, utiliza-se de duas express\u00f5es em ingl\u00eas com o objetivo, creio, de dar \u00eanfase ao momento. Mas a escolha foi p\u00e9ssima. Ele fala: \u201call right\u201d e, fra\u00e7\u00f5es de segundos antes do in\u00edcio da m\u00fasica: \u201clet\u2019s go\u201d. Da\u00ed as perguntas que v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a s\u00e3o: Para qu\u00ea? Como \u00e9 que um jornalista que est\u00e1 prestes a cantar uma par\u00f3dia criada para exaltar a l\u00edngua e explicitar as agress\u00f5es que seus falantes cometem com ela, antes de tudo, fala termos estrangeiros?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com essa atitude, Palmirim cortou o clima e afugentou, sem d\u00favidas, os ouvintes e telespectadores mais cr\u00edticos e os defensores mais ferrenhos do idioma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enfim, apesar de ter cometido uma das agress\u00f5es mais criticadas pelos linguistas, que \u00e9 o uso de termos estrangeiros em detrimento do portugu\u00eas, o autor da can\u00e7\u00e3o cumpriu o seu papel em \u201ccutucar\u201d a ferida de muitos que enchem o peito por a\u00ed e dizem que n\u00e3o cometem erros de portugu\u00eas ou que, mesmo sem inten\u00e7\u00e3o, ferem aquilo de mais precioso que temos: a l\u00edngua. Pois somos aquilo que falamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Confira o v\u00eddeo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"R\u00e1dio Comercial | D.A.M.A e Vasco Palmeirim - \u201c\u00c0s Vezes&quot;\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/65Eysv1vR4Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Divertida, brincalhona e com uma pegada de humor \u00e1cido. 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