Prazo médio chegou a quase 39 meses em outubro, enquanto a parcela caiu 43%; sete em cada dez contratos são de até R$ 3 mil

O prazo médio dos novos contratos do Crédito do Trabalhador passou de 13,3 meses, em janeiro, para 38,9 meses, em outubro de 2026. No mesmo período, a parcela média recuou de R$ 374,52 para R$ 212,34, uma redução de aproximadamente 43%. Os dados fazem parte de um levantamento do Meu Consig, correspondente bancário sediado em Terra de Areia, no Rio Grande do Sul, com base em 80.072 contratos pagos entre 1º de janeiro e 29 de outubro.
O levantamento reúne dados agregados e anônimos de 74.259 clientes atendidos pela empresa. Os números mostram uma mudança no perfil dos prazos contratados ao longo do ano: em janeiro, 74,7% dos contratos tinham duração de até 12 meses. A partir de maio, operações nessa faixa praticamente desapareceram. Em outubro, 58,9% dos novos contratos ultrapassavam 36 meses.
A redução da parcela média acompanha essa ampliação dos prazos. Embora prestações menores possam facilitar o encaixe do compromisso no orçamento mensal, um período maior de pagamento tende a elevar o custo total da operação. Por isso, a comparação entre propostas deve considerar não apenas o valor da prestação, mas também o prazo e o montante que será pago até o encerramento do contrato.
Crédito de menor valor concentra a maior parte das operações
Outro dado do levantamento aponta que o Crédito do Trabalhador tem sido utilizado principalmente para operações de valores mais baixos. Do total de novos contratos analisados, 71,7% foram de até R$ 3 mil. A faixa de até R$ 1 mil representou 22,4%, enquanto os empréstimos entre R$ 1 mil e R$ 3 mil corresponderam a 49,3%.
O valor médio contratado ao longo do período foi de R$ 2.506. Em janeiro, a média era de R$ 2.435; em outubro, chegou a R$ 2.750. Na outra ponta, apenas 1,2% das operações ultrapassaram R$ 10 mil.
Os dados também ajudam a traçar um perfil etário dos trabalhadores que contrataram o crédito. Pessoas entre 25 e 44 anos representam 66,5% da base analisada: 34,1% têm entre 25 e 34 anos, e 32,4% estão na faixa dos 35 aos 44 anos. Trabalhadores de 45 a 54 anos correspondem a 19,1%; os de 18 a 24 anos, a 10,3%; e aqueles entre 55 e 64 anos, a 4,1%.
Em relação ao sexo informado na base, 57,4% dos contratos foram associados a homens e 42,6% a mulheres.
Contratos alcançam os 27 estados brasileiros
A distribuição geográfica mostra que as operações analisadas estão presentes em todo o país. Os contratos foram registrados nos 27 estados e em aproximadamente 4 mil municípios. Apesar de ter sede no Rio Grande do Sul, o Meu Consig identificou que três em cada quatro contratos de sua base foram realizados fora da Região Sul.
O Sudeste concentra a maior participação, com 45,1% das operações. Em seguida aparecem Sul (24,4%), Nordeste (14,6%), Centro-Oeste (10,3%) e Norte (5,5%).
Entre os estados, São Paulo lidera o levantamento, com 26,6% dos contratos, seguido por Minas Gerais (9,7%), Rio Grande do Sul (9,3%), Paraná (8,1%), Santa Catarina (7%) e Rio de Janeiro (6,9%). A Bahia aparece na sétima posição, com 4,1%, seguida por Goiás, com 4%.
A presença em diferentes regiões reforça o alcance nacional da operação analisada, mas os percentuais representam exclusivamente os contratos pagos registrados na base do Meu Consig. Não se trata de uma estimativa de participação de mercado ou de um retrato de todas as operações do Crédito do Trabalhador no Brasil.
Parcela menor exige atenção ao custo total
Para Rafael Matos, CEO do Meu Consig, os números apontam para o uso do produto em despesas e necessidades cotidianas, com predominância de valores mais baixos e concentração entre trabalhadores adultos.
“Os números mostram um crédito do dia a dia: na maior parte dos casos, são valores de até R$ 3 mil, pedidos por trabalhadores de 25 a 44 anos em todo o país. O prazo mais longo trouxe parcelas menores, que cabem melhor no orçamento, mas também aumenta o total pago. Por isso orientamos cada cliente a olhar a parcela, o prazo e o custo total antes de assinar”, afirma.
A porta-voz da empresa, Talita Gonçalves, ressalta que as condições podem variar de acordo com a instituição financeira responsável pela análise da proposta.
“Duas pessoas de carteira assinada podem receber condições diferentes, porque cada banco faz a sua análise. Vale comparar mais de uma proposta e conferir o valor total antes de decidir”, afirma.
O Meu Consig atua como correspondente bancário e intermedeia o acesso a produtos financeiros. A análise de crédito, a aprovação e a concessão dos valores são responsabilidades das instituições financeiras parceiras. Por isso, as condições oferecidas podem variar conforme os critérios de cada banco e o perfil de cada trabalhador.
Antes de contratar, a recomendação é verificar o valor liberado, a quantidade de parcelas, a taxa de juros e o custo efetivo total da operação. Para entender como funciona a modalidade e consultar condições, o trabalhador pode acessar o guia e simulação do Crédito do Trabalhador.



