{"id":251,"date":"2011-10-17T13:06:00","date_gmt":"2011-10-17T16:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/imae\/marisol-nasceu-de-um-parto-natural-2\/"},"modified":"2011-10-17T13:06:00","modified_gmt":"2011-10-17T16:06:00","slug":"marisol-nasceu-de-um-parto-natural-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/2011\/10\/17\/marisol-nasceu-de-um-parto-natural-2\/","title":{"rendered":"Marisol nasceu de um parto natural"},"content":{"rendered":"<p>Meninas,<br \/>Quando pedi pra minha amiga Hilda Costa fazer um relato do nascimento da <i><b>Marisol<\/b><\/i>, ela respondeu que na verdade ela ia s\u00f3 terminar, pois j\u00e1 estava fazendo para ela mesma de lembran\u00e7a desse dia t\u00e3o especial. Eu ia fazer um textinho de abertura pro relato e tal, mas gente, \u00e9 totalmente desnecess\u00e1rio, o relato da Hilda \u00e9 claro e emocionante. Um exemplo de for\u00e7a de vontade. Tudo pela<i><b> Marisol<\/b><\/i>, uma meninha de 3 meses. Voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o se arrepender de ler at\u00e9 o final. A Hilda faz quest\u00e3o de acrescentar que o parto foi sem anestesia, sem episiotomia e \u00e0 base de gatorade!<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><i><b>Relato de parto natural hospitalar na banqueta<\/b><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: center\"><i><b>&nbsp;<\/b><br \/>Marisol da Costa Cysne chegou ao mundo no dia 4 de julho de 2011, \u00e0s 03:25 da madrugada no hospital da Unimed.<\/i><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both;text-align: center\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-gaVumwAVepA\/TpxTLvwimEI\/AAAAAAAAEhI\/Eo1iTmyctPA\/s1600\/216717_260082614018714_100000509321088_1076594_4976360_n.jpg.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-gaVumwAVepA\/TpxTLvwimEI\/AAAAAAAAEhI\/Eo1iTmyctPA\/s320\/216717_260082614018714_100000509321088_1076594_4976360_n.jpg.jpeg\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<p><i><span style=\"font-size: x-small\">&nbsp;imagem emprestada do facebook da Hilda<\/span><\/i><\/div>\n<p>Era domingo, 3 de julho de 2011, dia em que eu me tornava uma mulher balzaquiana. J\u00e1 estava com 39 semanas de gesta\u00e7\u00e3o e pensei que poderia ser bacana ter um filho no dia do meu anivers\u00e1rio, mas ao mesmo tempo era coincid\u00eancia demais. <\/p>\n<p>Desperto por volta das 8 da manh\u00e3, mas a morga\u00e7\u00e3o do fim de semana n\u00e3o me deixa levantar da cama. Quando finalmente decido acordar, sinto um l\u00edquido descer involuntariamente por minhas pernas. Pensei mil coisas, mas n\u00e3o quis acreditar que por fim o trabalho de parto estava come\u00e7ando.<\/p>\n<p>Sa\u00ed correndo para o banheiro e o l\u00edquido n\u00e3o parava de jorrar. Era como se eu tivesse fazendo xixi nas cal\u00e7as! Mostrei ao Fred (meu marido) que, desesperadamente falou: \u201cLiga pra m\u00e9dica!\u201d. E assim eu fiz. A mesma disse que poderia ser um tal tamp\u00e3o mucoso (que geralmente desencadeia o trabalho de parto), ou mesmo o rompimento da bolsa. Me recomendou fazer uma checagem na emerg\u00eancia do hospital da Unimed.<br \/>Essa parte prefiro n\u00e3o detalhar porque imagino que a maioria das pessoas j\u00e1 tenha tido a infeliz experi\u00eancia de precisar a um servi\u00e7o de emerg\u00eancia. Triste! Mas resumindo: o m\u00e9dico-velho-tarado que me examinou disse que era bolsa rota e que eu precisaria me internar imediatamente para fazer uma ces\u00e1rea, pois o risco de contamina\u00e7\u00e3o era elevado.<\/p>\n<p>No entanto, desde que engravidei, procurei informar-me sobre o parto natural humanizado, atendendo a encontros e palestras, e tirando as d\u00favidas com uma das poucas obstetras verdadeiramente adeptas a esta filosofia. Por essa raz\u00e3o, tinha certeza que minha m\u00e9dica n\u00e3o concordaria com a opini\u00e3o do plantonista e adotaria outro procedimento. Conforme pensei, ela sugeriu ao telefone que eu fosse pra casa e esperasse o trabalho de parto, que deveria come\u00e7ar nas pr\u00f3ximas horas.<\/p>\n<p>Cheguei em casa por volta das 11 horas e n\u00e3o contamos a ningu\u00e9m que eu estava com a bolsa rota. Achamos melhor manter o sil\u00eancio, pois nem todo mundo entenderia essa postura. Recebi muitos telefonemas de pessoas querendo saber como seria a comemora\u00e7\u00e3o do meu anivers\u00e1rio, mas recusei o convite de todos alegando que estava me sentindo indisposta.<\/p>\n<p>Passei o dia na expectativa. Acho que nunca desejei tanto sentir dor! J\u00e1 se aproximava das 17hs e nenhum sinal! Falei com a m\u00e9dica novamente. Desta vez, ela pediu para que nos encontr\u00e1ssemos, pois ela realizaria o primeiro exame de toque (detalhe: ela vinha da praia e ainda estava de biqu\u00edni). Ela me examinou e disse que eu estava com 2cm de dilata\u00e7\u00e3o, mas que realmente precisaria esperar as contra\u00e7\u00f5es. Ela esperaria mais algumas horas e, caso o trabalho n\u00e3o iniciasse naturalmente, decidir\u00edamos se induzir\u00edamos o parto, ou part\u00edamos para a ces\u00e1rea. Como forma de estimular o in\u00edcio do trabalho de parto, ela sugeriu que eu fizesse uma caminhada e comesse um jantar bem apimentado. Fui pra casa e logo subi os 9 lances de escada 3 vezes. Vesti uma roupa de gin\u00e1stica e fui caminhar na beira-mar com minha m\u00e3e. Depois de alguns minutos de caminhada, comecei a sentir uma leve c\u00f3lica. Na hora at\u00e9 pensei: \u201cOh beleza, finalmente come\u00e7ou! E \u00e9 bem mais tranquilo do que falam. Vou tirar de letra!\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a atividade f\u00edsica, marquei com algumas pessoas no Coco Bambu, visando o jantar apimentado, e l\u00e1 fiz o an\u00fancio de que em breve Marisol estaria conosco. Todo mundo ficou chocado, principalmente pelo fato de eu ainda estar com roupa de gin\u00e1stica! Mas enfim. Comi uma pizza mexicana e, coincidentemente ou n\u00e3o, as dores come\u00e7aram a se intensificar.<\/p>\n<p>Cheguei em casa por volta das 21hs. Tomei um banho e pedi ao Fred para come\u00e7ar a cronometrar o tempo das contra\u00e7\u00f5es. Uma hora depois, o \u201cbicho come\u00e7ou a pegar\u201d. Comecei a andar pela casa e nenhuma posi\u00e7\u00e3o parecia confort\u00e1vel. Era hora de ligar para a doula (uma esp\u00e9cie de parteira moderna que eu havia contratado). Pedi que ela fosse \u00e0 minha casa, pois as dores j\u00e1 estavam muito intensas.<\/p>\n<p>A doula chegou por volta das 23hs. Eu j\u00e1 gemia impaciente e repetia que n\u00e3o ia conseguir. Com toda sua calma e experi\u00eancia ela foi me conscientizando do momento, e me fazendo canalizar as energias para aquele momento \u00fanico. Ao mesmo tempo, tentou aliviar a dor atrav\u00e9s de compressas mornas, massagens e sugerindo posi\u00e7\u00f5es mais confort\u00e1veis, inclusive na bola su\u00ed\u00e7a. Tamb\u00e9m fiquei um temp\u00e3o no chuveiro. No chuveiro senti dor, senti al\u00edvio, fiquei de c\u00f3coras, de quatro, sentei no banquinho, sentei na bola, chorei. A essa altura eu j\u00e1 havia chegado \u00e0 \u201cpartol\u00e2ndia\u201d, um lugar onde os sentimentos se misturam, as coisas v\u00e3o perdendo a nitidez e a no\u00e7\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p>Acho que era meia-noite quando vimos que era hora de ligar para a m\u00e9dica. Foi quando o desespero bateu! A m\u00e9dica estava num plant\u00e3o em Caucaia e pediu que entr\u00e1ssemos em contato com outra obstetra para ver se ela poderia fazer meu parto. Ligamos para a segunda op\u00e7\u00e3o, mas ela estava indispon\u00edvel. Com isso, minha m\u00e9dica disse que \u201cfaria de tudo para sair\u201d. Sugeriu que a doula fizesse um exame de toque. Eu j\u00e1 estava com 7cm de dilata\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Por volta de 1 da madrugada sa\u00edmos para o hospital. Logo que adentrei o hospital da Unimed, um funcion\u00e1rio chega me oferecendo uma cadeira de rodas, mas tudo o que eu menos queria era me sentar! Era menos inc\u00f4modo ficar de p\u00e9 e caminhar. O sujeito insistiu que eram \u201cnormas do hospital\u201d e que eu tinha que aceitar a cadeira. Come\u00e7a a desumaniza\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que n\u00e3o posso escolher como entrar no hospital para dar \u00e0 luz?! Tamanha \u00e9 a burocracia deste pa\u00eds que, embora sentindo muita dor, tive que ficar cerca de 20 minutos resolvendo assuntos de guia m\u00e9dico, carteirinha do plano, identifica\u00e7\u00e3o, etc. <\/p>\n<p>Estresses superados, entramos na sala de parto, que se chama PPP (parto, pr\u00e9-parto e p\u00f3s-parto). \u00c9 um quarto comum. No entanto, Kelly (a doula), que j\u00e1 realizou diversos partos l\u00e1, tem permiss\u00e3o para deixar o local mais \u201capropriado\u201d. Ela tira a maca e p\u00f5e o colch\u00e3o no ch\u00e3o, deixa uma piscina \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o (para o caso de parto na \u00e1gua), tapa os vitrais com len\u00e7ol, dentre outras coisinhas pra deixar a mulher o mais \u00e0 vontade poss\u00edvel. <\/p>\n<p>Num primeiro momento, me deitei no colch\u00e3o e fiquei em \u201cposi\u00e7\u00e3o fetal\u201d, \u00e0 espera de minha Marisol. Mas a posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava c\u00f4moda. Fiquei um pouco impaciente. O parto na \u00e1gua era uma das possibilidades, mas com o frio que fazia, nem cogitei! Foi quando Kelly me sugeriu a \u201cbanqueta m\u00e1gica\u201d. Na realidade, \u00e9 um banquinho com um furo no meio, onde se simula o parto de c\u00f3coras. Quando sentei neste bendito banquinho, \u201cme encontrei\u201d. Percebi naquele momento que teria minha filha naquela posi\u00e7\u00e3o. Fred sentou atr\u00e1s de mim, me apoiando pelas axilas. Houve um momento engra\u00e7ado em que eu estava super relaxada, esperando as contra\u00e7\u00f5es, e Fred comentou que ia ao banheiro. Eu o implorei para que n\u00e3o fosse! Que permanecesse im\u00f3vel, naquela posi\u00e7\u00e3o, e que fizesse suas necessidades ali mesmo!<\/p>\n<p>Logo vieram as contra\u00e7\u00f5es com puxo (que significa que o beb\u00ea j\u00e1 est\u00e1 encaixando). Apenas nesse momento a m\u00e9dica entrou na sala. Sim! Ela conseguiu chegar a tempo. Orientou como eu deveria direcionar a for\u00e7a. Por\u00e9m estava t\u00e3o exausta que n\u00e3o conseguia colocar for\u00e7a suficiente. Foi quando Kelly sugeriu amarrar uma canga na cintura da m\u00e9dica (que estava sentada no ch\u00e3o, na minha frente). E foi assim que consegui! Devo ter empurrado umas tr\u00eas vezes at\u00e9 sentir o t\u00e3o sonhado \u201cc\u00edrculo de fogo\u201d. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente essa quando o beb\u00ea est\u00e1 coroando. Uma queima\u00e7\u00e3o intensa, cheia de luz e energia. Nesse momento pude sentir o cabelinho dela entre minhas pernas e ali soube que dentro de poucos instantes estaria com meu tesouro em m\u00e3os. E \u00e0s 3:25 da madrugada, j\u00e1 estava com minha Marisol, a sensa\u00e7\u00e3o de t\u00ea-la em meus bra\u00e7os&#8230; isso infelizmente \u00e9 imposs\u00edvel expressar em palavras!<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00f3 lembro que nesse instante todos sa\u00edram da sala e nos deixaram curtir aquele momento sublime&#8230; s\u00f3 n\u00f3s tr\u00eas! At\u00e9 hoje tenho guardado na lembran\u00e7a o cheirinho dela&#8230; toda ensebadinha. Foi lindo! Inesquec\u00edvel.<\/p>\n<div class=\"blogger-post-footer\"><img width='1' height='1' src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/tracker\/4325677111770782217-2844033483120253283?l=imamae.blogspot.com\" alt='' \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meninas,Quando pedi pra minha amiga Hilda Costa fazer um relato do nascimento da Marisol, ela respondeu que na verdade ela ia s\u00f3 terminar, pois j\u00e1&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":101,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44,74],"tags":[],"class_list":["post-251","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-gravidez","category-relatos-de-partos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}