{"id":6581,"date":"2015-02-12T09:13:15","date_gmt":"2015-02-12T12:13:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/imae\/?p=6581"},"modified":"2015-02-12T09:13:15","modified_gmt":"2015-02-12T12:13:15","slug":"mamae-e-psicologa-por-que-e-tao-dificil-conversar-com-crianca-sobre-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/2015\/02\/12\/mamae-e-psicologa-por-que-e-tao-dificil-conversar-com-crianca-sobre-a-morte\/","title":{"rendered":"Mam\u00e3e \u00e9 psic\u00f3loga: Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil conversar com crian\u00e7a sobre a morte?"},"content":{"rendered":"<p>O tema de hoje da coluna <em>Mam\u00e3e \u00e9 psic\u00f3loga, da Raisa Arruda<\/em>, fala sobre a morte e como devemos conversar com as crian\u00e7as sobre o assunto. O tema foi um pedido meu, afinal a\u00a0gente sabe que nossos filhos j\u00e1 ouviram falar em morte. No meu caso a La\u00eds tem contato, pois eu perdi minha m\u00e3e quando eu tinha 12 anos e ela sempre estranhou n\u00e3o conhecer aquela pessoa das fotos pela minha casa e sempre pergunta porque o pai dela tem m\u00e3e e a mam\u00e3e n\u00e3o tem. A morte\u00a0est\u00e1 nos livros infantis, nos filmes <em>O Rei Le\u00e3o<\/em>, Frozen etc), est\u00e1 naquele bichinho ou na florzinha que murchou. Enfim, eles t\u00eam contato desde cedo e \u00e9 dif\u00edcil, mas n\u00e3o h\u00e1 problema em falar sobre o assunto.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5\">Ent\u00e3o vamos l\u00e1!<\/span><\/p>\n<p><strong>Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil conversar com crian\u00e7a sobre a morte?\u00a0<\/strong><br \/>\n<em>Por Raisa Arruda<\/em><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5\">Falar sobre a morte, sobre perdas e luto nem sempre \u00e9 coisa f\u00e1cil, na nossa cultura isso \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de abordar que at\u00e9 pra escrever a respeito passei horas rodeando as palavras sem encontrar a maneira ideal de come\u00e7ar, at\u00e9 me dar o estalo de que o primeiro aspecto e mais importante \u00e9 que fazer rodeios n\u00e3o levam a lugar nenhum; se \u00e9 assim para um adulto, ent\u00e3o quando se trata de falar disso para uma crian\u00e7a costumamos florear ainda mais.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_6582\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/02\/04619620000.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6582\" class=\"size-full wp-image-6582\" alt=\"Vilma, a mulher do cartunista Ziraldo e av\u00f3 de Nina (que tinha 7 anos na \u00e9poca), morreu em 2000. Dois anos depois, a hist\u00f3ria dela com os netos se transformou em Menina Nina, Duas Raz\u00f5es para N\u00e3o Chorar (Ed. Melhoramentos). \" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/02\/04619620000.jpg\" width=\"300\" height=\"400\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/02\/04619620000.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/02\/04619620000-120x160.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6582\" class=\"wp-caption-text\">Vilma, a mulher do cartunista Ziraldo e av\u00f3 de Nina (que tinha 7 anos na \u00e9poca), morreu em 2000. Dois anos depois, a hist\u00f3ria dela com os netos se transformou em Menina Nina, Duas Raz\u00f5es para N\u00e3o Chorar (Ed. Melhoramentos). Ilustra\u00e7\u00e3o: Ziraldo.<\/p><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A morte est\u00e1 sempre presente, enquanto estivermos vivos, mas existe uma tend\u00eancia de ocultar e negar que h\u00e1 um fim. Antes de falar sobre isso com as crian\u00e7as precisamos avaliar nossa postura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perdas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte, para poder conversar com a crian\u00e7a de forma honesta, e de acordo com os valores religiosos e familiares. Permitir que haja uma lacuna sem explica\u00e7\u00e3o para a crian\u00e7a faz com que ela tenha que criar sua pr\u00f3pria teoria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esta perda ou \u00e0 falta, e nem sempre a teoria que a crian\u00e7a cria para suprir a falta de explica\u00e7\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel, pois ela n\u00e3o possu\u00ed atributos de realidade e experi\u00eancia suficiente para dar conta da realidade que se mostra, por exemplo, para compreender que a morte \u00e9 a falta para sempre de algu\u00e9m, a crian\u00e7a (antes dos oito anos, mais ou menos) n\u00e3o consegue ter dimens\u00e3o do que seria o para sempre.<\/p>\n<p>Falar sobre a morte com a crian\u00e7a \u00e9 importante que essa fala seja feita de maneira concreta, e objetiva, explicar o falecimento de um av\u00f4, por exemplo, pode-se falar que seu corpo j\u00e1 estava velhinho, e parou de funcionar; deixar claro que a pessoa n\u00e3o vai voltar \u00e9 importante, pois a crian\u00e7a vai esperar, e pautar a conversa numa mentira para amenizar o sofrimento, vai alimentar o sofrimento da espera.<\/p>\n<p>Quando a fam\u00edlia possui alguma religi\u00e3o que tenha uma explica\u00e7\u00e3o para a morte, quem for dar a explica\u00e7\u00e3o para crian\u00e7a tem que ter em mente que ela vai levar para o plano da realidade, ent\u00e3o dizer que algum ente querido foi para o c\u00e9u, mas na verdade voc\u00ea est\u00e1 se referindo \u00e0 alma, ess\u00eancia, e n\u00e3o ao corpo, fica confuso para ela, e pode levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de planos de tentar chegar \u00e0 este lugar em que o parente se encontra, ou quest\u00f5es de se ele est\u00e1 l\u00e1, porque ele n\u00e3o vem aqui? \u00c0 medida em que ela amadurecer, e sua capacidade de abstra\u00e7\u00e3o for aprimorada com as experi\u00eancias que ela vai adquirir com o tempo, ela vai compreender as quest\u00f5es religiosas, mas enquanto ela est\u00e1 no processo de aquisi\u00e7\u00e3o de linguagem, e ainda constr\u00f3i seu racioc\u00ednio em cima do que \u00e9 concreto, o ideal \u00e9 falar de acordo com o que ela compreende.<\/p>\n<p>\u00c9 importante respeitar o tempo de assimila\u00e7\u00e3o dessa nova realidade, pois pouco a pouco a crian\u00e7a vai construir novas rela\u00e7\u00e3o de afeto com a mem\u00f3ria, j\u00e1 que a pessoa n\u00e3o estar\u00e1 mais presente. De acordo com Freud, j\u00e1 em 1915\/1917, no artigo Luto e Melancolia, diz que pode ser in\u00fatil ou at\u00e9 &#8220;mesmo prejudicial qualquer interfer\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o e ele&#8221; (p. 249). O corte que a realidade da morte faz \u00e9 abrupto, e a retirada do afeto \u00e0quele objeto que n\u00e3o se faz presente \u00e9 t\u00e3o intenso, que pode levar \u00e0 um desvio de realidade, gerando apego ao objeto, at\u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da morte, por um per\u00edodo. Aos poucos os sentimentos que estavam relacionados ao objeto de amor ir\u00e3o se desligar do objeto em si, e se reconstr\u00f3i uma nova rela\u00e7\u00e3o de afeto com a mem\u00f3ria. Durante este processo, o mundo se torna desinteressante e vazio, at\u00e9 que as liga\u00e7\u00f5es com o objeto encontrem novos objetos de amor.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o de como decorre o luto e as orienta\u00e7\u00f5es de como abordar o tema s\u00e3o gerais, cada caso, cada fam\u00edlia, tem seus limites e sua maneira particular de encarar a realidade da morte. Logo, as explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o substituem a orienta\u00e7\u00e3o de um profissional presente, e acompanhamento, quando isso for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Raisa Arruda<\/strong><br \/>\n<strong> Psic\u00f3loga Cl\u00ednica\/Assessoria em Psicologia Escolar<\/strong><br \/>\nCRP 11\/07646<br \/>\n(85) 99221192<br \/>\nhttp:\/\/mamaepsicologa.com<br \/>\nfacebook.com\/raisaarrudapsi<\/p>\n<p><span style=\"color: #cc99ff\">&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;<\/span><\/p>\n<p><strong>iM\u00e3e nas redes sociais:<\/strong><br \/>\nFacebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/imaeblog\" target=\"_blank\">facebook.com\/imaeblog<\/a><br \/>\nInstagram:\u00a0<a href=\"http:\/\/instagram.com\/blogimae\" target=\"_blank\">@blogimae<\/a><br \/>\nTwitter: @<a href=\"https:\/\/twitter.com\/imamaeblog\" target=\"_blank\">imamaeblog<\/a><br \/>\nPinterest:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pinterest.com\/imaeblog\/\" target=\"_blank\">www.pinterest.com\/imaeblog<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema de hoje da coluna Mam\u00e3e \u00e9 psic\u00f3loga, da Raisa Arruda, fala sobre a morte e como devemos conversar com as crian\u00e7as sobre o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":101,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[597,945],"class_list":["post-6581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicologia-infantil","tag-falar-sobre-morte-com-criancas","tag-morte-e-criancas"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}