{"id":6627,"date":"2015-03-09T10:32:34","date_gmt":"2015-03-09T13:32:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/imae\/?p=6627"},"modified":"2015-03-09T10:32:34","modified_gmt":"2015-03-09T13:32:34","slug":"coluna-mamae-e-psicologa-por-que-e-tao-dificil-amamentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/2015\/03\/09\/coluna-mamae-e-psicologa-por-que-e-tao-dificil-amamentar\/","title":{"rendered":"Coluna Mam\u00e3e \u00e9 psic\u00f3loga: Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil amamentar?"},"content":{"rendered":"<div><em>Por Raisa Arruda &#8211; psic\u00f3loga, blogueira e colunista do iM\u00e3e<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Parece f\u00e1cil quando pensamos que somos mam\u00edferas, e que nosso corpo produz leite suficiente para alimentar nossas crias, e at\u00e9 seria, se f\u00f4ssemos apenas instinto, o choro do nosso beb\u00ea n\u00e3o nos traria d\u00favida alguma sobre o que fazer, sobre como colocar no peito, e nos daria toda certeza que precisamos de que nosso leite \u00e9 o suficiente at\u00e9 determinado per\u00edodo, e ele desmamaria f\u00e1cil, como acontece com todos os mam\u00edferos, mas a coisa n\u00e3o acontece assim, t\u00e3o simples.<\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/03\/amamentar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6650\" alt=\"amamentar\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/03\/amamentar-625x625.jpg\" width=\"625\" height=\"625\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><!--more--><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O instinto \u00e9 um \u00edmpeto que leva a satisfa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o, mas o que acontece \u00e9 que o instinto passa por uma modifica\u00e7\u00e3o causada pela cultura, que barra o \u00edmpeto. De uma forma simples e geral, vem a for\u00e7a em busca de satisfa\u00e7\u00e3o (sim, amamentar tamb\u00e9m \u00e9 satisfa\u00e7\u00e3o) e dependendo de como essa for\u00e7a (desejo) foi constru\u00edda no decorrer da vida da mulher, dependendo da maneira como foi barrada, como foi transformada, por conta da cultura e suas normas, amamentar vai ser algo simples, ou extremamente dif\u00edcil.<\/div>\n<div>Essa dificuldade tem rela\u00e7\u00e3o com a maneira como a mulher se relaciona com seu pr\u00f3prio corpo, seus\u00a0desejos\u00a0e seus medos. Vivemos numa sociedade em que o corpo \u00e9 proibido, ter uma rela\u00e7\u00e3o de amor e liberdade com o pr\u00f3prio corpo \u00e9 um tabu, principalmente para a mulher, tocar-se e conhecer o pr\u00f3prio corpo causa vergonha, medo, para algumas \u00e9 um ato transgressor. E a maternidade \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o complexa, do corpo, e da rela\u00e7\u00e3o da mulher com esse corpo que media a rela\u00e7\u00e3o dela com o mundo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 do corpo que sai o \u00edmpeto de satisfa\u00e7\u00e3o, e para ele que esse \u00edmpeto retorna, e\u00a0quando n\u00e3o \u00e9 satisfeito,\u00a0vem os sintomas, que s\u00e3o maneiras de alcan\u00e7ar a satisfa\u00e7\u00e3o indiretamente, mesmo que esse sintoma seja o total oposto do que o desejo buscava, por exemplo: uma mulher pode desejar inconscientemente amamentar, mas ela n\u00e3o consegue de forma alguma dar de mamar. E como o desejo de amamentar \u00e9 inconsciente, ela n\u00e3o se d\u00e1 conta desse desejo, talvez, sempre que esse desejo vem, o sintoma aparece, pois o desejo n\u00e3o pode se tornar consciente, por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es que s\u00f3 a hist\u00f3ria de vida dessa mulher ir\u00e1 dizer, e raz\u00f5es que s\u00f3 ser\u00e3o descobertas num processo de an\u00e1lise onde a mulher vai escavar sua vida, sua hist\u00f3ria, e a constru\u00e7\u00e3o do seu sintoma&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Claro que os sintomas s\u00e3o os mais diversos, e cada mulher vai apresentar de uma maneira diferente e por raz\u00f5es \u00fanicas, particulares. A dificuldade de amamentar vai se constituir de uma maneira bem particular para cada uma, para algumas o apoio e incentivo, que\u00a0\u00e9 fundamental, ser\u00e1\u00a0o suficiente para conseguir levar em frente; para outras, apesar de todo apoio e incentivo, ainda assim \u00e9 extremamente dif\u00edcil, por quest\u00f5es pr\u00f3prias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A dificuldade de amamentar \u00e9 uma quest\u00e3o muito recorrente, no Brasil a m\u00e9dia de amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e9 de apenas 28 dias, s\u00e3o muitos\u00a0imperativos culturais sobre corpo da mulher, e tantas proibi\u00e7\u00f5es em cima desse corpo. Al\u00e9m de quest\u00f5es de mercado e consumo, onde \u00e9 melhor que as mulheres continuem inseguras com sua produ\u00e7\u00e3o de leite, e que os mitos sobre amamenta\u00e7\u00e3o perpetuem por conta do mercado&#8230; \u00c9, isso deve ser refletido tamb\u00e9m, porque isso \u00e9 cultura, consumo \u00e9 mercado, e constr\u00f3i comportamentos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A amamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 prazerosa apenas para o beb\u00ea, a m\u00e3e tamb\u00e9m obt\u00e9m satisfa\u00e7\u00e3o nesse ato, pois \u00e9 uma nova liga\u00e7\u00e3o que preenche o vazio que fica ap\u00f3s o nascimento. Quando o cord\u00e3o \u00e9 cortado, e a crian\u00e7a se separa da m\u00e3e, \u00e9 atrav\u00e9s da amamenta\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a e m\u00e3e retornam essa liga\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m, claro, das quest\u00f5es nutricionais, que s\u00e3o imprescind\u00edveis!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outro fator que torna a amamenta\u00e7\u00e3o importante para al\u00e9m da sua import\u00e2ncia nutritiva \u00e9 o momento. Amamentar \u00e9 um momento de comunica\u00e7\u00e3o entre m\u00e3o e beb\u00ea \u00fanico, onde a crian\u00e7a se v\u00ea refletida no olhar da m\u00e3e, onde a m\u00e3e tem tempo de conhecer seu beb\u00ea, muitas m\u00e3es nesse momento reconhecem seu beb\u00ea, transmitem seu amor. Ou\u00e7o de v\u00e1rias m\u00e3es o quanto elas se emocionam quando recebem o olhar de ternura de seus beb\u00eas, enquanto amamentam.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sabendo disso tudo, se faz importante que cada mulher questione seus motivos, reflita sobre sua hist\u00f3ria, converse a respeito, exponha seus medos, e entre em contato com seus fantasmas! Buscar apoio em grupos de gestantes, grupos de m\u00e3es, apoio psicol\u00f3gico, acompanhamento na amamenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o formas de tentar lidar com isso de maneira menos dolorosa. J\u00e1 que o desejo de amamentar existe na maioria das mulheres, e por conta de todos esses motivos explicados acima, muitas n\u00e3o conseguem, e carregam culpa por n\u00e3o terem conseguido.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Claro que n\u00e3o amamentar n\u00e3o faz da mulher uma m\u00e3e pior, ou ruim por isso, vivemos sob v\u00e1rios chamados culturais que dificultam e impedem a mulher de conseguirem sentir-se inteiras e capazes para isso. Nossa sociedade ainda relaciona aquilo que \u00e9 pertinente do feminino, como fracasso ou fraqueza, e muitas mulheres temem assumir sua maternidade, por medo do mercado de trabalho, medo de n\u00e3o conseguir dar conta do que s\u00e3o solicitadas pelo mundo&#8230; Mas tenham em mente que essa solicita\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 justa, a imagem que constroem da mulher que trabalha e tem filhos nem sempre condiz com a realidade poss\u00edvel e humana. Encontrar solu\u00e7\u00f5es \u00e9 urgente e necess\u00e1rio, pois implica na primeira inf\u00e2ncia tamb\u00e9m.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Amamentar \u00e9 um ato de amor, por ser uma forma da m\u00e3e comunicar seu amor e seu desejo pelo seu filho, mas todos os cuidados que a m\u00e3e d\u00e1 ao seu beb\u00ea, todo toque, todo olhar, toda fala carinhosa e terna dirigida a ele, tamb\u00e9m expressam seu amor e desejo pelo seu beb\u00ea.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Raisa Pinheiro Arruda<\/strong><\/div>\n<div>Psic\u00f3loga Cl\u00ednica\/Assessoria em Psicologia Escolar<\/div>\n<div>(85)99221192<\/div>\n<div><a href=\"mailto:raisaarrudapsi@gmail.com\" target=\"_blank\">raisaarrudapsi@gmail.com<\/a><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/mamaepsicologa.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/mamaepsicologa.com<\/a><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/facebook.com\/raisaarrudapsi\" target=\"_blank\">facebook.com\/raisaarrudapsi<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><span style=\"color: #ffcc99\">&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;<\/span><\/p>\n<p><strong>iM\u00e3e nas redes sociais:<\/strong><br \/>\nFacebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/imaeblog\" target=\"_blank\">facebook.com\/imaeblog<\/a><br \/>\nInstagram:\u00a0<a href=\"http:\/\/instagram.com\/blogimae\" target=\"_blank\">@blogimae<\/a><br \/>\nTwitter: @<a href=\"https:\/\/twitter.com\/imamaeblog\" target=\"_blank\">imamaeblog<\/a><br \/>\nPinterest:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pinterest.com\/imaeblog\/\" target=\"_blank\">www.pinterest.com\/imaeblog<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Raisa Arruda &#8211; psic\u00f3loga, blogueira e colunista do iM\u00e3e Parece f\u00e1cil quando pensamos que somos mam\u00edferas, e que nosso corpo produz leite suficiente para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":101,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[],"class_list":["post-6627","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicologia-infantil"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6627\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}