{"id":7027,"date":"2015-07-28T18:14:27","date_gmt":"2015-07-28T21:14:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/imae\/?p=7027"},"modified":"2015-07-28T18:14:27","modified_gmt":"2015-07-28T21:14:27","slug":"agosto-dourado-e-a-semana-mundial-da-amamentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/2015\/07\/28\/agosto-dourado-e-a-semana-mundial-da-amamentacao\/","title":{"rendered":"Agosto Dourado e a Semana Mundial da Amamenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Por: Raisa Arruda<\/em><\/p>\n<p>O m\u00eas de Agosto \u00e9 conhecido como M\u00eas Dourado, pois \u00e9 o m\u00eas que simboliza a luta pelo incentivo \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o, recebe o nome de dourado, pela cor estar relacionada ao padr\u00e3o ouro de qualidade. H\u00e1 vinte anos entre os dias 1\u00ba e 7 de Agosto acontecem a\u00e7\u00f5es no mundo todo em prol da Amamenta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o dias de intensas atividades que buscam informar para empoderar e promover a amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva at\u00e9 o sexto m\u00eas de vida, e complementando at\u00e9 os dois anos ou mais. Apesar de acontecer h\u00e1 20 anos, ainda \u00e9 um evento que pouco se sabe a respeito, e por isso a import\u00e2ncia de divulgarmos, pois al\u00e9m de promover a amamenta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 ligado a luta pelos direitos e qualidade de vida da dupla m\u00e3e-beb\u00ea! Este ano, o tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno \u00e9 \u201cAmamenta\u00e7\u00e3o e Trabalho, para dar certo o compromisso \u00e9 de todos\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_7030\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/07\/IMG_0276-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7030\" class=\"size-medium wp-image-7030\" alt=\"semana da amamenta\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/07\/IMG_0276-1-300x430.jpg\" width=\"300\" height=\"430\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7030\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Iara Aim\u00ea<\/p><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em clima de SMAM e Agosto Dourado, o texto desse m\u00eas traz um pouco da palestra ministrada s\u00e1bado, na abertura e chamada para SMAM 2015, realizada no meu consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>Sabemos que a amamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo fisiol\u00f3gico, que o leite \u00e9 produzido no decorrer da gesta\u00e7\u00e3o, que quando o beb\u00ea nasce o c\u00e9rebro recebe a mensagem que est\u00e1 na hora de liberar o colostro e o leite (por isso \u00e9 importante que mesmo que seja por ces\u00e1rea a mulher entre em trabalho de parto, para que o leite &#8220;des\u00e7a&#8221; junto do nascimento do beb\u00ea!!!). Bom, mas se \u00e9 um processo fisiol\u00f3gico, por que tanta gente n\u00e3o consegue, por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil? N\u00f3s n\u00e3o somos apenas instinto, somos uma equa\u00e7\u00e3o entre instinto-fisiologia-cultura. A cultura interfere na rela\u00e7\u00e3o que constru\u00edmos com nosso corpo, nossa subjetividade \u00e9 constru\u00edda a partir de como absorvemos e compreendemos as regras sociais, e amamentar est\u00e1 incluso nessa rela\u00e7\u00e3o. A forma como nos relacionamos com o nosso corpo, como constru\u00edmos uma imagem de n\u00f3s mesmos, e, mais ainda, o imagin\u00e1rio do que \u00e9 a maternidade, vai interferir na amamenta\u00e7\u00e3o. Acrescente a isso todas as nossas quest\u00f5es de desprendimento ou presen\u00e7a, de medo, ang\u00fastia, controle, rela\u00e7\u00e3o com nossa m\u00e3e e av\u00f3s, rela\u00e7\u00e3o com o marido e o ideal paterno&#8230;. Pronto! Temos um grande emaranhado de trechos da nossa hist\u00f3ria que incidem numa situa\u00e7\u00e3o. Ainda temos quest\u00f5es sociais relacionadas ao consumo e ao trabalho, que cobrem a amamenta\u00e7\u00e3o de discurso negativo, apesar de todas as campanhas em prol a amamenta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar na amamenta\u00e7\u00e3o como uma situa\u00e7\u00e3o isolada.<\/p>\n<p>As exig\u00eancias culturais, acrescidas da hist\u00f3ria de vida da m\u00e3e, da rela\u00e7\u00e3o com o corpo, da rela\u00e7\u00e3o com a maternidade etc, criam um lugar para a amamenta\u00e7\u00e3o na vida dessa mulher, e consequentemente na rela\u00e7\u00e3o com o beb\u00ea.<\/p>\n<p>A amamenta\u00e7\u00e3o, isoladamente, \u00e9 a estrat\u00e9gia de maior impacto capaz de salvar a vida de cerca de 13% das crian\u00e7as menores de 5 anos em todo o mundo por causas previs\u00edveis. O est\u00edmulo da amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva salva nada menos que 6 milh\u00f5es de crian\u00e7as por ano. O leite materno \u00e9 o melhor alimento que um beb\u00ea pode receber nos seus primeiros anos de vida, sendo indicado at\u00e9 dois anos ou mais. Sua superioridade org\u00e2nica o torna de melhor digestibilidade, sendo o alimento mais completo para promover o crescimento e desenvolvimento infantil. Crian\u00e7as amamentadas tamb\u00e9m est\u00e3o mais protegidas contra doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p>Falar dos benef\u00edcios da amamenta\u00e7\u00e3o acaba se tornando uma cobran\u00e7a muito cara para muitas mulheres que ao terem filhos se esfor\u00e7am para atingir a maternidade perfeita, e amamentar carrega um peso muito grande, que quando a mulher n\u00e3o consegue, muitas vezes sucumbe \u00e0 culpa por n\u00e3o ter alcan\u00e7ado essa \u201cobriga\u00e7\u00e3o\u201d, principalmente por conta da quest\u00e3o org\u00e2nica da amamenta\u00e7\u00e3o, muitas se veem como se n\u00e3o fossem boas o suficiente, ou como se tivesse algum \u201cdefeito\u201d. Quando na verdade, ao falar dos benef\u00edcios, o intuito \u00e9 informar para que as m\u00e3es sigam adiante, com a certeza de que est\u00e3o fazendo o melhor, quando as pessoas criticam, e para que elas saibam que a dificuldade na amamenta\u00e7\u00e3o tem um contexto cultural, que interfere nessa rela\u00e7\u00e3o com o corpo e com a maternidade. Para que a amamenta\u00e7\u00e3o d\u00ea certo n\u00e3o \u00e9 apenas fun\u00e7\u00e3o da mulher, o pai, por exemplo, tem uma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica primordial de proteger a m\u00e3e e o beb\u00ea nos primeiros meses (o famoso puerp\u00e9rio) para que a rela\u00e7\u00e3o entre essa dupla se estabele\u00e7a sem maiores dificuldades, para que a hora da amamenta\u00e7\u00e3o seja protegida de estresse e perturba\u00e7\u00f5es, pois a mulher precisa estar plena e protegida emocionalmente para produzir o leite suficiente, para estar presente no momento, para que a intera\u00e7\u00e3o com o beb\u00ea seja prazerosa naquele momento. Al\u00e9m disso, se faz importante que durante o pr\u00e9-natal se busque informa\u00e7\u00f5es a respeito, e mais ainda, buscar apoio psicol\u00f3gico durante a gesta\u00e7\u00e3o e puerp\u00e9rio pode fazer muita diferen\u00e7a nos primeiros momentos de maternidade, que se constr\u00f3i desde a descoberta da gravidez, pois assim, os medos, angustias e dificuldades ser\u00e3o trabalhadas, n\u00e3o por uma maternidade perfeita, mas para se alcan\u00e7ar a maternidade real, aquela em que se reconhece os limites e dificuldades, se busca melhorar a cada dia, reconhecer a falta de controle, aprender a lidar com a frustra\u00e7\u00e3o e a maternidade como ela \u00e9.<\/p>\n<p>No Brasil a m\u00e9dia de amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e9 de 23 a 53 dias, e as duas principais causas s\u00e3o falta de apoio social e de informa\u00e7\u00e3o, se as fam\u00edlias fossem acompanhadas de forma efetiva, e n\u00e3o fossem t\u00e3o bombardeadas por discursos adversos \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o, como se amamentar fosse um fardo, essa realidade seria bastante diferente. E o ponto que este ano a Semana Mundial da Amamenta\u00e7\u00e3o quer falar \u00e9 sobre Amamenta\u00e7\u00e3o e Trabalho, pois al\u00e9m de todas as quest\u00f5es citadas acima que contribuem para dificuldade de amamentar, existe a cren\u00e7a que a mulher s\u00f3 conseguir\u00e1 voltar ao trabalho se desmamar precocemente o beb\u00ea, e isso gera muito estresse na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea, principalmente quando a m\u00e3e tem o desejo de continuar amamentando, ou desejo que o desmame aconte\u00e7a naturalmente, que seria o ideal.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, em 1919 na sua 3\u00aa Conven\u00e7\u00e3o tratou dos direitos \u00e0 maternidade \u00e0 mulher que trabalha, na qual a mulher tinha direito apenas 6 semanas antes e 6 semanas ap\u00f3s o parto de licen\u00e7a, essa conven\u00e7\u00e3o foi revisada em 1952, na Conven\u00e7\u00e3o 103, que ainda n\u00e3o garantia \u00e0 trabalhadora seguran\u00e7a no trabalho ap\u00f3s a maternidade, dentre outras coisas que n\u00e3o foram abordadas na conven\u00e7\u00e3o. Em 1998, a OIT iniciou uma plen\u00e1ria de revis\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o 103 &#8221; Como esta Conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi revisada por quase 50 anos, a preocupa\u00e7\u00e3o era assegurar a melhor prote\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para m\u00e3es e beb\u00eas por muitos anos futuros. Para assegurar os benef\u00edcios a longo prazo para todos os setores de nossa sociedade, a Conven\u00e7\u00e3o precisava refletir os pap\u00e9is essenciais das mulheres como m\u00e3es e empregadas valiosas na realidade atual e futura.&#8221; (IBFAN, 2000). Em 2000 foi aprovada a Conven\u00e7\u00e3o 183(OIT, 2000),que ampliava o direito da trabalhadora \u00e0 maternidade, assegurando sua volta ao trabalho, assim como o direito \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o: \u201c1 -A mulher tem direito a uma ou mais pausas por dia ou a uma redu\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do trabalho di\u00e1rio para amamentar o seu filho. 2 -O per\u00edodo durante o qual s\u00e3o permitidas as pausas para amamenta\u00e7\u00e3o ou a redu\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do trabalho di\u00e1rio, o n\u00famero e a dura\u00e7\u00e3o das pausas, bem como as modalidades da redu\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do trabalho di\u00e1rio, devem ser determinados pela legisla\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica nacionais. As pausas ou a redu\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do trabalho di\u00e1rio devem ser contadas como tempo de trabalho e remuneradas em conformidade\u201d (Conven\u00e7\u00e3o 183 \u2013OIT, 2000)<\/p>\n<p>Este ano, desejamos aproveitar o tema da SMAM para continuar com a luta pela melhora das condi\u00e7\u00f5es de trabalho da mulher trabalhadora que \u00e9 m\u00e3e e amamenta.<\/p>\n<p><strong>Raisa Pinheiro Arruda<\/strong><br \/>\nPsic\u00f3loga<br \/>\nCRP 11\/07646<br \/>\n(85) 9922 1192<br \/>\nraisaarrudapsi@gmail.com<br \/>\n<a href=\"http:\/\/mamaepsicologa.com.br\/\" target=\"_blank\">mamaepsicologa.com.br<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/raisaarruda.com.br\/\" target=\"_blank\">raisaarruda.com.br<\/a><br \/>\nfacebook.com\/raisaarrudapsi<\/p>\n<p><span style=\"color: #33cccc\">&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;<\/span><br \/>\n<strong>iM\u00e3e nas redes sociais:<\/strong><br \/>\nFacebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/imaeblog\" target=\"_blank\">facebook.com\/imaeblog<\/a><br \/>\nInstagram:\u00a0<a href=\"http:\/\/instagram.com\/blogimae\" target=\"_blank\">@blogimae<\/a><br \/>\nTwitter: @<a href=\"https:\/\/twitter.com\/imamaeblog\" target=\"_blank\">imamaeblog<\/a><br \/>\nPinterest:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pinterest.com\/imaeblog\/\" target=\"_blank\">www.pinterest.com\/imaeblog<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Raisa Arruda O m\u00eas de Agosto \u00e9 conhecido como M\u00eas Dourado, pois \u00e9 o m\u00eas que simboliza a luta pelo incentivo \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o, recebe&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":101,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[123,1225,1255],"class_list":["post-7027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-amamentacao","tag-amamentacao","tag-semana-da-amamentacao","tag-smam"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}