{"id":7062,"date":"2015-09-22T08:41:21","date_gmt":"2015-09-22T11:41:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/imae\/?p=7062"},"modified":"2015-09-22T08:41:21","modified_gmt":"2015-09-22T11:41:21","slug":"coluna-mamae-e-psicologa-a-mulher-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/2015\/09\/22\/coluna-mamae-e-psicologa-a-mulher-invisivel\/","title":{"rendered":"Coluna Mam\u00e3e \u00e9 Psic\u00f3loga: A mulher invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Raisa Arruda.<\/em><\/p>\n<p>Quando a mulher se torna m\u00e3e, ela sofre uma invisibilidade autom\u00e1tica, fica marcante como temos a cultura de apagar a mulher, o tempo inteiro, inclusive na maternidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/09\/mulherebebe2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7064\" alt=\"maternidade\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/09\/mulherebebe2.jpg\" width=\"620\" height=\"412\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/09\/mulherebebe2.jpg 620w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/09\/mulherebebe2-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/imae\/wp-content\/uploads\/sites\/50\/2015\/09\/mulherebebe2-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quando se fala em psicologia da maternidade, as pessoas buscam de prontid\u00e3o ouvir sobre desenvolvimento infantil. \u00c9 autom\u00e1tico. E a m\u00e3e, onde fica?<\/p>\n<p>Claro, h\u00e1 um momento de desconstru\u00e7\u00e3o da identidade, para reconstru\u00e7\u00e3o de uma nova identidade, de assimila\u00e7\u00e3o de novas caracter\u00edsticas e habilidades e isso se d\u00e1 num processo complexo que envolve um terceiro que toda sua exist\u00eancia depende dessa m\u00e3e. Para que a mulher se torne m\u00e3e, ela precisa desocupar outros pap\u00e9is sociais de ser mulher, para ocupar um lugar emp\u00e1tico com as necessidades do beb\u00ea, criar um la\u00e7o, uma conex\u00e3o com ele, para que ela possa exercer seu papel e fun\u00e7\u00e3o de forma equilibrada e saud\u00e1vel para ambos. E isso acontece num momento bem marcado da maternidade, o puerp\u00e9rio. Sabe o resguardo que nossas m\u00e3es e av\u00f3s nos mandam ter todo cuidado? Ele serve para que essa rela\u00e7\u00e3o se construa, por isso elas nos antecipam necessidades, para que as m\u00e3es pu\u00e9rperas n\u00e3o precisem se preocupar com mais nada. Atualmente a coisa n\u00e3o acontece t\u00e3o rom\u00e2ntica assim, a falta dessa rede de apoio e uma cobran\u00e7a desmedida, descabida e n\u00e3o questionada sobre o papel feminino e a maternidade, tem sido um n\u00f3 ao pensarmos a mulher m\u00e3e moderna.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, essa mulher n\u00e3o pode desaparecer, pois quem ir\u00e1 cuidar desse beb\u00ea se ela n\u00e3o estiver presente? A mulher que desaparece em si, vai aparecer intensamente no beb\u00ea, porque ela s\u00f3 vai poder existir atrav\u00e9s dele. Ser\u00e1 que isso \u00e9 saud\u00e1vel? A troca que acontece na rela\u00e7\u00e3o pais-crian\u00e7a, m\u00e3e-beb\u00ea \u00e9 muita intensa, a m\u00e3e serve como um espelho que funda a subjetividade dessa crian\u00e7a, e essa crian\u00e7a serve de espelho no qual a m\u00e3e se v\u00ea atrav\u00e9s dele, e enxerga a crian\u00e7a que foi, e entra em contato com o beb\u00ea que foi, e com todo afeto e desafeto da sua hist\u00f3ria. Dessa forma, esse espelho que reflete a m\u00e3e, a reflete para o beb\u00ea. Ambos se reconhecem nesse movimento e rela\u00e7\u00e3o. O que recai sobre o beb\u00ea \u00e9 o desejo da m\u00e3e (e do pai, e da fam\u00edlia\u2026), ele \u00e9 revestido e investido de afeto, atrav\u00e9s da fantasia que se fez dele, e da hist\u00f3ria de vida de quem o materna (cuida investindo afetivamente). Apesar da fus\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea na gesta\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante que a m\u00e3e esteja consciente de que ela e o beb\u00ea s\u00e3o pessoas diferentes, e que essa diferen\u00e7a ultrapassa a quest\u00e3o f\u00edsica, mas se a mulher, ap\u00f3s a maternidade s\u00f3 passa a existir atrav\u00e9s desse beb\u00ea, como separar? Como perceber que aquilo que se diz sobre o beb\u00ea, aquilo que se investe naquele beb\u00ea, tamb\u00e9m diz sobre essa m\u00e3e?<\/p>\n<p>Quando exclu\u00edmos a exist\u00eancia da mulher que vive na m\u00e3e, qual possibilidade de ela viver a intensidade desse momento como aprendizagem e autoconhecimento?<\/p>\n<p>E se s\u00f3 podemos dar aquilo que temos, como a m\u00e3e poder\u00e1 investir presen\u00e7a e afeto se ela for destitu\u00edda de si pr\u00f3pria? Ser\u00e1 que por isso a m\u00e3e n\u00e3o se cr\u00ea como suficiente, e cai nas armadilhas de todos os objetos sup\u00e9rfluos e desnecess\u00e1rios? E sem investir em si mesma em afeto, n\u00e3o cr\u00ea na sua capacidade de amamentar e cuidar? Como dar o que n\u00e3o se tem? Ent\u00e3o, se compra? E os objetos cumprem o papel afetivo necess\u00e1rio e imprescind\u00edvel para m\u00e3e e beb\u00ea?<\/p>\n<p>\u00c9 preciso pensar nas m\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Raisa Pinheiro Arruda<\/strong><br \/>\nPsic\u00f3loga<br \/>\nCRP 11\/07646<br \/>\n(85) 9922 1192<br \/>\nraisaarrudapsi@gmail.com<br \/>\n<a href=\"http:\/\/mamaepsicologa.com.br\/\" target=\"_blank\">mamaepsicologa.com.br<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/raisaarruda.com.br\/\" target=\"_blank\">raisaarruda.com.br<\/a><br \/>\nfacebook.com\/raisaarrudapsi<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff99cc\">&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;\u00a0\u00a0&#x2665;<\/span><br \/>\n<strong>iM\u00e3e nas redes sociais:<\/strong><br \/>\nFacebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/imaeblog\" target=\"_blank\">facebook.com\/imaeblog<\/a><br \/>\nInstagram:\u00a0<a href=\"http:\/\/instagram.com\/blogimae\" target=\"_blank\">@blogimae<\/a><br \/>\nTwitter: @<a href=\"https:\/\/twitter.com\/imamaeblog\" target=\"_blank\">imamaeblog<\/a><br \/>\nPinterest:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pinterest.com\/imaeblog\/\" target=\"_blank\">www.pinterest.com\/imaeblog<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Raisa Arruda. 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