Leituras da Bel

Mulheres Cordelistas se Unem Contra o Machismo e levantam a tag #cordelsemmachismo

Mulheres cordelistas de diversos Estados estão unidas numa mobilização contra o machismo que também se manifesta no universo do Cordel. A Nota de Repúdio que abre a mobilização é assinada por dezenas de coletivos literários, em decorrência dos ataques nas redes sociais sofridos pela cordelista sergipana Izabel Nascimento, após o dia 27 de junho, quando ministrou uma palestra no III Encontro de Cordelistas da Paraíba e pontuou os fortes traços do machismo existentes no Cordel.

Maria da Penha

Como forma de responder às críticas de um grupo de homens poetas, as Mulheres Cordelistas se uniram e, acompanhadas da hastag #cordelsemmachismo, resolveram lutar.

Izabel Nascimento é presidente da Academia Sergipana de Cordel (ASC) e atua há mais de 30 anos como cordelista. A poeta protagoniza uma cena importante da representação e da resistência feminina no universo literário, mais especificamente no cordel.

Para aderir ao movimento, basta postar a hastag #cordelsemmachismo em suas redes sociais e assinar a nota disponível no link: http://chng.it/mhZDGqq7tg.

Leia a nota de repúdio contra o machismo no cordel:

“Os Coletivos Literários que assinam esta nota manifestam o seu repúdio em decorrência dos ataques realizados nas redes sociais contra a cordelista sergipana Izabel Nascimento.

A poeta que atua há mais de 30 anos no cordel brasileiro e protagoniza uma cena importante em representação à escrita feminina neste gênero literário, está sendo atacada nas redes sociais, desde o último sábado, dia 27 de junho, quando em palestra no III Encontro Paraibano de Cordelistas denunciou os traços do machismo que também ocorre no universo da Literatura de Cordel.

As ofensivas estão ocorrendo nas redes sociais de poetas cordelistas, em publicação no Facebook, em grupos de WhatsApp, e reverberando em espaços virtuais onde alguns poetas cordelistas de Sergipe também atuam numa investida que argui a atuação de Izabel Nascimento no cordel sergipano enquanto Presidente da Academia Sergipana de Cordel (ASC).

Para nós, o protagonismo da mulher como objetivo principal das ações que Izabel Nascimento promove, causa forte insatisfação em um grupo de poetas cordelistas que não compreende a importância da igualdade de gênero que as mulheres reivindicam, não tolera os rumos de fortalecimento que o cordel feminino está construindo com participação ativa de Izabel e busca detê-la, afim de manter a visibilidade poética restrita ao espaço masculino privilegiado ao qual pertencem.

O Brasil é o 5º país no ranking mundial de violência contra mulheres. Quando a voz de uma mulher denuncia o machismo, não o faz de maneira isolada. É por este motivo que assinamos a presente nota que vem repudiar ações apontadas contra a Cordelista sergipana Izabel Nascimento, a quem afirmamos apoio irrestrito e nos somamos à sua caminhada nas lutas do universo literário em prol da atuação feminina

Registramos através desta nota que estamos atentas às expressões e atitudes desta natureza e que não toleraremos em nenhuma hipótese tais práticas.

Somos contra o machismo e todas as formas de opressão!

#cordelsemmachismo

A nota foi assinada por entidades como ABarca Cultural – Campina Grande (PB), Clube de Leitura Kasa de Alice -Salvador (BA), Clube de Leitura Leia Mulheres – Campina Grande (PB), Clube do Cordel – São José do Egito (PE), Coletivo Intempestivas – Belo Horizonte (MG), Coletivo de Mulheres As Letradas – Umbaúba (SE),  Ganesha Produções – Fortaleza (CE), Grupo Mulheres Resistentes – Caicó (RN), Grupo Vocal Vivace – Aracaju (SE), Grupo de Estudos dos Brinquedos Culturais Populares – Campina Grande (PB),  Livro Livre Curió (CE),  Organização Mulheres no Cárcere – Campina Grande (PB), Projeto Cidade Poema – Porto Alegre (RS), Projeto Ser Tão Poeta – Petrolina (PE), Projeto Trovadoras Itinerantes – Brasil-Europa, Revista Kuruma’tá – Rio de Janeiro (RJ), Roda de Cordel – São Paulo (SP), Rede Mnemosine de Mulheres Cordelistas, Cantadoras e Repentistas do Brasil e de Portugal – Fortaleza e Lisboa,  Ser Tão Mulher – Patos (PB), Sociedade de Apoio Sócio Ambientalista e Cultural – SASAC (SE), Tupynanquim Editora – Fortaleza (CE).

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