{"id":1037,"date":"2017-08-02T11:19:41","date_gmt":"2017-08-02T14:19:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1037"},"modified":"2017-08-02T11:19:41","modified_gmt":"2017-08-02T14:19:41","slug":"coluna-a-procura-da-poesia-uma-leitura-do-livro-lero-lero-de-cacaso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/08\/02\/coluna-a-procura-da-poesia-uma-leitura-do-livro-lero-lero-de-cacaso\/","title":{"rendered":"Coluna \u00c0 procura da poesia: uma leitura do livro Lero-Lero, de Cacaso"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1038\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1038\" class=\"size-large wp-image-1038\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/192830-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-1038\" class=\"wp-caption-text\">Cacaso, o poeta<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Talles Azigon (da p\u00e1gina Poesia Brasileira)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Pra come\u00e7o de conversa&#8230;<\/p>\n<p>Uma amiga do <strong>Clube de Leitura da Sublime<\/strong> pediu a indica\u00e7\u00e3o de uma obra para adentrar no mundo m\u00e1gico dos livros de <strong>poemas<\/strong>. Um questionamento pertinente, pois, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o g\u00eanero <strong>poesia<\/strong> n\u00e3o \u00e9 um dos mais lidos ou comprados pelos leitores e leitoras ass\u00edduos, tamb\u00e9m quase n\u00e3o \u00e9 comentado em clubes e rodas de leitura.<\/p>\n<p>Para orientar e ajudar as pessoas que buscam <strong>poesia<\/strong>, resolvemos abrir uma coluna semanal aqui no <span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong><\/span>. Sem muitas firulas ou ornatos, a ideia \u00e9 apresentar de modo n\u00edtido, simples, acess\u00edvel, uma s\u00e9rie de livros de poemas.<!--more--><\/p>\n<p>Esse espa\u00e7o \u00e9 uma perspectiva, pois sabemos do car\u00e1ter multi interpretativo de um livro de <strong>poemas<\/strong>, de suas diversas possibilidades de leitura. Essa \u00e9 a minha, de <strong>poeta<\/strong>, principalmente de leitor e amante do universo <strong>po\u00e9tico<\/strong>, logo ser\u00e1 recheado de impress\u00f5es, experi\u00eancias, lembran\u00e7as. N\u00e3o irei explicar o poema, n\u00e3o ensaiarei sobre eles. Afinal, j\u00e1 dizia o mestre Quintana:<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o tem porque interpretar um poema. O poema j\u00e1 \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Chega de <strong>Lero-Lero<\/strong>&#8230;<\/p>\n<p>Chega n\u00e3o, isso \u00e9 apenas uma das minhas horr\u00edveis tentativas de trocadilho, inclusive (mesmo abominando o uso da palavra inclusive) Cacaso ainda \u00e9 pouco lido. Muito provavelmente voc\u00ea tenha ouvido falar muito mais de um outro poeta, o Leminsk. Participante de uma mesma gera\u00e7\u00e3o intitulada de gera\u00e7\u00e3o mime\u00f3grafo, pois uma das caracter\u00edsticas dessa gera\u00e7\u00e3o era a manufatura e distribui\u00e7\u00e3o pelos pr\u00f3prios poetas de suas obras. Separar a literatura por grupos, gera\u00e7\u00f5es e escolas \u00e9 sempre problem\u00e1tico. Alguns nomes ficar\u00e3o em destaque, outros se apagam, mas vamos expandir, cada poeta \u00e9 um multiverso, falemos de Cacaso e seu <strong>Lero-Lero<\/strong>.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o da obra po\u00e9tica completa do autor, foi publicada pela extinta Cosac Naify, estreando a cole\u00e7\u00e3o de livros de bolso da editora. E s\u00f3 isso diz muito sobre como \u00e9 a poesia de Cacaso: port\u00e1til, compacta, r\u00e1pida tal qual um rel\u00e2mpago. O livro re\u00fane os seis t\u00edtulos lan\u00e7ados pelo autor em vida, mais uma parte reunindo os in\u00e9ditos e dispersos.<\/p>\n<p><strong>Arca de No\u00e9<br \/>\n<\/strong>Nasceu<br \/>\nFudeu<\/p>\n<p>Para quem t\u00e1 acostumado com os sonetos, Cam\u00f5es, ou os nossos memor\u00e1veis poemas rom\u00e2nticos pode estranhar logo de cara, Talles isso a\u00ed \u00e9 poesia? Como assim? Parece mais piadinha, reclame publicit\u00e1ria, frase de para-choque de caminh\u00e3o&#8230; poesia, soa at\u00e9 estranho<\/p>\n<p><strong>Indefini\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\npois assim \u00e9 a poesia:<br \/>\nesta chama t\u00e3o distante mas t\u00e3o perto de<br \/>\nestar fria<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que mora nossa grande dificuldade quando o assunto \u00e9 poema. Nosso conhecimento muitas vezes esbarra em estruturas solidificadas na nossa mente, elas quase sempre t\u00eam rimas, muitos versos, falam de temas grandiosos. Quando voc\u00ea for ler <strong>Lero-Lero<\/strong> \u00e9 preciso antes de tudo apertar um F5 e atualizar o conceito de poema, para ganho e felicidade nossa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1039\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/cacaso-tc3a1xi-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>A maioria dos <strong>poemas<\/strong> desse livro n\u00e3o tem mais de quatro versos, eles s\u00e3o quebrados, a gram\u00e1tica e a ortografia s\u00e3o preteridas em benef\u00edcio do ritmo, da cor, dos sentidos que as palavras t\u00eam. Afinal, \u00e9 mais gostoso falar \u201cticido\u201d, do que \u201ctecido\u201d. No poema, ritmo, forma ou conte\u00fado se quebram e requebram para o gozo do l\u00fadico, para aumentar o impacto da palavra.<\/p>\n<p><strong>Estilha\u00e7o<br \/>\n<\/strong>n\u00e3o me procure mais<br \/>\nn\u00e3o relembre<br \/>\ncada um sofre pra seu<br \/>\nlado<\/p>\n<p>Com o livro aberto, muitas vezes voc\u00ea pode visualizar de uma vez s\u00f3 at\u00e9 quatro poemas, um em cada canto de cada p\u00e1gina. E, nesse giro, voc\u00ea pode se deparar com emo\u00e7\u00f5es e tons t\u00e3o diversos, e, mesmo parecendo r\u00e1pido de ser comido, a digest\u00e3o pode ser bem lenta. N\u00e3o se espante se um dia, andando de \u00f4nibus, ou muito bem incomodado na fila do \u00f4nibus, igual um rel\u00e2mpago, voc\u00ea lembre de um desses poemas de dois versos. Pois os poemas do <strong>Cacaso<\/strong> parecem balas que se alojam Voc\u00ea nem percebe que t\u00e1 l\u00e1, mas t\u00e1 l\u00e1 e tal hora ela vai se mostrar.<\/p>\n<p><strong>M\u00ednimo divisor<\/strong><br \/>\nCada um deve ser pelo menos dois<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m esse livro como se fosse um alb\u00fam de fotografias, ou melhor, como se fosse um perfil de instagram, cada poema bem poderia ser uma fotografia, n\u00e3o se engrande, o simples n\u00e3o \u00e9 simpl\u00f3rio, o modo como o poemas se organizam graficamente no papel tamb\u00e9m faz parte do poema. Por isso, por mais que a gente ache muito dos poemas de <strong>Cacaso<\/strong> espalhados pela internet, l\u00ea-los no papel \u00e9 uma experi\u00eancia v\u00e1lida, deliciosa para melhor acentuar.<\/p>\n<p><strong>Logias e Analogias<br \/>\n<\/strong>No Brasil a medicina vai bem<br \/>\nmas o doente ainda vai mal.<br \/>\nQual o segredo profundo<br \/>\ndesta ci\u00eancia original?<br \/>\n\u00c9 banal: certamente<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 o paciente<br \/>\nque acumula capital.<\/p>\n<p>Mesmo sendo l\u00fadicas e cheias de gracinhas, as poesias do Cacaso n\u00e3o se alienam. Elas provocam tamb\u00e9m, provocam muito, a diferen\u00e7a \u00e9, muitas vezes, o autor interrompe a provoca\u00e7\u00e3o no meio do caminho para que voc\u00ea a complete. Um outro ponto para os livros de poemas, os livros de poemas sempre foram livros de colorir, antes mesmo da grande moda desse tipo de publica\u00e7\u00e3o, eles s\u00e3o potentes, mas precisam do leitor para ench\u00ea-los, n\u00e3o \u00e0 toa voc\u00ea pode e deve ler os poemas d<strong>e Lero-Lero<\/strong>, assim como qualquer poema de qualquer livro de poemas, em voz alta.<\/p>\n<p><strong>Falando s\u00e9rio<\/strong><br \/>\nOutro amor? N\u00e3o caio mais.<\/p>\n<p>Busque <strong>Lero-Lero<\/strong> nas livrarias, bibliotecas, chegue mais perto, mande poemas pelo WhatsApp para seus amigos e amigas, leia poemas para suas amigas e amigos. Vamosjuntos nessa empreitada \u00e0 procura da poesia no Leituras da Bel. Comente, diga qual livro voc\u00ea deseja ver por aqui, pode fazer perguntas, ler um poema n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente de ler a vida.<\/p>\n<p><strong>*Talles Azigon<\/strong> \u00e9 poeta, editor e produtor cultura. J\u00e1 publicou os livros Tr\u00eas Golpes D&#8217;\u00c1gua e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curi\u00f3 e do banho na Sabiaguaba. \u00c0 procura da poesia \u00e9 uma coluna semanal com coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros, autores e poemas.\u00a0Leia mais poetas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talles Azigon (da p\u00e1gina Poesia Brasileira) Pra come\u00e7o de conversa&#8230; Uma amiga do Clube de Leitura da Sublime pediu a indica\u00e7\u00e3o de uma obra&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1038,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[72,212,664,1101],"class_list":["post-1037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia","tag-a-procura-da-poesia","tag-cacaso","tag-lero-lero","tag-talles-azigon"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1037\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}