{"id":1046,"date":"2017-08-04T06:00:14","date_gmt":"2017-08-04T09:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1046"},"modified":"2019-07-24T10:20:37","modified_gmt":"2019-07-24T13:20:37","slug":"coluna-cartas-as-poetas-nosso-tempo-micheliny-verunschk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/08\/04\/coluna-cartas-as-poetas-nosso-tempo-micheliny-verunschk\/","title":{"rendered":"Coluna Cartas as poetas do nosso tempo: Micheliny Verunschk"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1048\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1048\" class=\"size-large wp-image-1048\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/Micheliny-Verunschk-blog-624x624.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"550\" \/><p id=\"caption-attachment-1048\" class=\"wp-caption-text\">Micheliny Verunschk<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Nina Rizzi*<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A escritora <strong>Nina Rizzi<\/strong> \u00e9 a nova colunista do blog <span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong><\/span>. Mensalmente, sempre nas primeiras sextas-feiras, ela vai falar sobre mulher e poesia. Novos nomes passam a incorporar o blog &#8211; pois esse espa\u00e7o carrega o meu nome, mas \u00e9 feito de coletividade (&lt;3). Aguardem! Muita gente boa vai escrever por aqui a partir de agora. No primeiro texto, Nina apresenta a escritora e historiadora pernambucana\u00a0<strong>Micheliny Verunschk.<\/strong> Leia abaixo:<\/p>\n<p><strong>quem tem medo de micheliny verunschk?**<\/strong><br \/>\n<strong>quem tem medo da mulher-on\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>bicho on\u00e7a todo mundo sabe que espreita, espreita, encara. at\u00e9 os olhos se encantar. a gente pode nunca ter visto, mas sabemos que ataca, feita tigre. espreita, encara, encanta. ataca quando \u00e9 preciso; e tantas vezes \u00e9 preciso.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>ainda que saibamos on\u00e7a, on\u00e7a n\u00e3o dispensa apresenta\u00e7\u00f5es. porque n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m no mundo que possa dizer <em>muito exatamente<\/em> o que s\u00f3 uma mulher pode dizer; esta mulher-on\u00e7a. poderia dizer num rasgo objetivo:<\/p>\n<p><strong>Micheliny Verunschk<\/strong> tem oito livros publicados, tr\u00eas romances, quatro livros de poesia. Autora de <em>Geografia \u00cdntima do Deserto<\/em> (Landy, 2003), finalista do Pr\u00eamio Portugal Telecom e <em>Nossa Teresa \u2013 vida e morte de uma santa suicida<\/em> (Patu\u00e1, 2014), Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura de 2015.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Micheliny Verunschk - Encontros de Interroga\u00e7\u00e3o (2004)\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NFXjZtfDiMk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>mas isso \u00e9 fiapo de on\u00e7a. on\u00e7a se esgueira. me olha. n\u00e3o tenho medo. encanto-me.<br \/>\na verdade \u00e9 que eu n\u00e3o posso dizer, embora seja preciso sempre dizer, apresentar e dizer o que quem j\u00e1 leu sabe: seus poemas nos estalam e disparam de um tal modo a nos fazer escrever assim-assim, no disparamento. porque nenhuma de n\u00f3s podemos mais nos calar &#8211; sim a mulher-on\u00e7a nos lembra dizer e n\u00e3o calar. redigo assim-assim:<\/p>\n<p><em>o que \u00e9 uma mulher quando on\u00e7a? o que n\u00e3o somos quando \u00e9 urgente arder e ardemos? que \u00e9 uma mulher? que \u00e9 uma on\u00e7a? que \u00e9 uma escrita-on\u00e7a? que pode uma mulher? [tudo? tudo!] &#8211; quem tem medo de uma mulher que escreve, de mulher-on\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>&#8212; sigo lendo pensando sendo e digo ainda:<\/p>\n<p><em>mulher,<\/em><br \/>\n<em>safo coatclue maria pachamama teresa<\/em><br \/>\n<em>: mulher, essa que nos escorre em p\u00ealo<\/em><br \/>\n<em>pelos pap\u00e9is at\u00e9 os olhos, mulher<\/em><br \/>\n<em>ou\u00e7a! uma mulher escreve \u2013 \u00e9 on\u00e7a.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_1047\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1047\" class=\"wp-image-1047\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/Micheliny-Verunschk-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"312\" \/><p id=\"caption-attachment-1047\" class=\"wp-caption-text\">Micheliny Verunschk, poetisa e historiadora<\/p><\/div>\n<p>mas sim, \u00e9 preciso ainda deixar de dizer, deixar dizer quem melhor pode dizer, a on\u00e7a em-si, mulher, micheliny ela:<\/p>\n<p><strong>Pensamento enquanto te\u00e7o um pequeno tapete<br \/>\n<\/strong><br \/>\nse os nomes das mulheres<br \/>\nassassinadas<br \/>\nfossem l\u00e3<br \/>\na l\u00e3 que tece os tapetes<br \/>\nse o nome das mulheres<br \/>\nassassinadas fosse linha<br \/>\na linha em torno dos dedos<br \/>\nou na trama do tear<br \/>\ndar\u00edamos voltas e voltas<br \/>\ne voltas e voltas<br \/>\nmovimento de rota\u00e7\u00e3o<br \/>\nnesse planeta triste para mulheres<br \/>\nvoltas e voltas<br \/>\nvoltas e voltas<br \/>\num novelo imenso<br \/>\nmuito maior que o planeta<br \/>\ncom nossos nomes<br \/>\ncom nossas l\u00e1grimas,<br \/>\nav\u00f3 aranha.<\/p>\n<div id=\"attachment_1050\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1050\" class=\"size-medium wp-image-1050\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/on\u00e7a-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><p id=\"caption-attachment-1050\" class=\"wp-caption-text\">Micheliny Verunschk, a On\u00e7a<\/p><\/div>\n<p><em>[ela diz \u2013 cada mulher-on\u00e7a \u00e9 que poder\u00e1 dizer os rasgos, o atravessamento, o deserto dentro, o melhor jardim. ela diz \u2013 escreve! s\u00ea on\u00e7a: espreita, encara e encanta, deixa dizer o poema: um algo enigma e pot\u00eancia que alcan\u00e7a as entranhas de mulher-on\u00e7a, a animalidade reencantada. ela diz, silenciosamente enquanto lemos, como segredo dito ao cora\u00e7\u00e3o. segredos que sentimos junto bem-fundo, na leitura que nunca poder\u00e1 revelar tudo. assim \u00e9 que os poemas se fazem miraculosos: se escrevem, abrem esses mil s\u00f3is sob a terra violenta; sentimos, ainda bem. continuamos a te ler, on\u00e7a. escrevemos-on\u00e7a. e nunca mais morremos.]<\/em><\/p>\n<p>*<strong>Nina Rizzi<\/strong> \u00e9 escritora, tradutora e poeta. Tem textos publicados em revistas, jornais, suplementos e antologias. \u00c9 tamb\u00e9m integrante do grupo Leituras P\u00fablicas. Gosta de saraus, de periferia, do Centro de Fortaleza e de eventos liter\u00e1rios. Ela escreve mensalmente no blog Leituras da Bel sobre mulher e poesia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"POESIA COMO LUTA: 5 ESCRITORES QUE LEVANTAM BANDEIRAS EM VERSOS | EPIS\u00d3DIO 05 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2X1zIvHLS60?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nina Rizzi* A escritora Nina Rizzi \u00e9 a nova colunista do blog Leituras da Bel. 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