{"id":1069,"date":"2017-08-16T06:00:27","date_gmt":"2017-08-16T09:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1069"},"modified":"2017-08-16T06:00:27","modified_gmt":"2017-08-16T09:00:27","slug":"coluna-procura-da-poesia-flores-de-alvenaria-de-sergio-vaz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/08\/16\/coluna-procura-da-poesia-flores-de-alvenaria-de-sergio-vaz\/","title":{"rendered":"Coluna \u00c0 procura da poesia: Flores de Alvenaria, S\u00e9rgio Vaz"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1070\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/sergio-vaz-624x392.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"346\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Por Talles Azigon (da p\u00e1gina Poesia Brasileira)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Pode-se ler um livro de <strong>poesia<\/strong> sob diferentes modo &#8211; pensando na forma, ou seja, como ele \u00e9 escrito, quais as palavras escolhidas, como ele se organiza, se por estrofes ou numa grande estrofe. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel fazer a leitura atrav\u00e9s dos conte\u00fados nele impresso. OU at\u00e9 mesmo pelo ritmo, o jogo das palavras, com suas rimas, ritmo, e, at\u00e9 mesmo, pensando no jeito em que as palavras se deitam no papel.<!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 mil maneiras h\u00e1 de se ler um livro de poemas.<\/p>\n<p>Outros milhares de tipos de livros de poemas existem.<\/p>\n<p>E aqui \u00e9 necess\u00e1rio destacar esse ponto, pois algumas pessoas denominadas cr\u00edticos gostam de classificar ou simplificar um livro de poemas em bom ou ruim, em presta ou n\u00e3o presta. Ato com grande chances de desencadear grandes equ\u00edvocos e colaborar ainda mais para distanciar voc\u00ea, leitor, dos livros de poemas. Afinal, muitas vezes essas opini\u00f5es simplistas, ou irrespons\u00e1veis, dessas pessoas tidas como cr\u00edticos, afastam o livro de poemas de lugares importantes. Como a sala de aula, por exemplo.<\/p>\n<p>Sim, Talles Azigon, para que tanto palavreado, onde voc\u00ea quer chegar como essa introdu\u00e7\u00e3o? Minhas queridas leitoras, meus queridos leitores, isso tudo para dizer, antes de qualquer coisa, um poema \u00e9 uma express\u00e3o, e sabemos c\u00e1 para n\u00f3s, nem todos tem direito de se expressar e serem ouvidos nessa nossa sociedade bestialmente desigual<\/p>\n<p>Mas, gra\u00e7as a um bocado de gente insubmissa, essa realidade vai se transformando aos poucos, no mundo e no Brasil. A aqui, um dos respons\u00e1veis por essa mudan\u00e7a \u00e9 um sujeito chamado <span style=\"color: #ff6600\"><strong>S\u00e9rgio Vaz<\/strong><\/span>, melhor dizendo, <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Poeta S\u00e9rgio Vaz<\/strong><span style=\"color: #000000\">.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Sou um alvo f\u00e1cil para os meus inimigos<\/strong><br \/>\n<strong>assino poeta n\u00e3o s\u00f3 quando escrevo, mas quando vivo<\/strong><br \/>\n<strong>escrevo coisas no papel que na boca viram guizo<\/strong><br \/>\n<strong>olhos fracos e na boca sempre um sorriso<\/strong><\/p>\n<p>O quase sempre sorridente escritor de <strong><em>Flores de Alvenaria<\/em><\/strong> foi o criador da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) e um dos criadores do Sarau da Cooperifa, que re\u00fane comunidades e favelas toda semana para falar e ouvir poesia. Isso por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 motivo suficiente para lermos esse livro<\/p>\n<p><strong>Minha poesia vem das ruas <\/strong><br \/>\n<strong>que os anjos n\u00e3o costumam frequentar<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1071\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/poeta-sergio-vaz-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><\/p>\n<p>Entretanto, <strong><em>Flores de Alvenaria<\/em><\/strong> consegue ser ainda mais importante, ele re\u00fane poemas, e algumas cr\u00f4nicas. Afinal, ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a seguir padr\u00e3o. Esses poemas, express\u00e3o do <strong>S\u00e9rgio<\/strong>, conseguem a fa\u00e7anha de ser express\u00e3o de muitas\/muitos de n\u00f3s, mulheres e homens das comunidades e favelas espalhadas pelo Brasil todo, gente insubmissa, que n\u00e3o aceita a realidade da Literatura ser o privil\u00e9gio de umas poucas pessoas<\/p>\n<p><strong>Canto das negras l\u00e1grimas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Afundei o navio negreiro do cora\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>n\u00e3o me sinto escravo de nada, sei nadar,<\/strong><br \/>\n<strong>mas ele ainda singra na mem\u00f3ria<\/strong><br \/>\n<strong>como o sangue derramado no mar.<\/strong><br \/>\n<strong>Do al\u00e9m-mar ao sul Gab\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>a dor que se v\u00ea na pele vai te afogar,<\/strong><br \/>\n<strong>e ainda que falte ar \u00e0 hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\n<strong>uma rima me faz respirar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Poetas e marujos mergulham na solid\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>enquanto mergulham nos becos sujos \u2013 ou em porta de bar<\/strong><br \/>\n<strong>do fundo da noite sem estrelas<\/strong><br \/>\n<strong>o canto torto das gal\u00e9s vai se fazer escutar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cSe o mar est\u00e1 calmo,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00e9 claro que precisa escurecer.<\/strong><br \/>\n<strong>E se me cai uma l\u00e1grima,<\/strong><br \/>\n<strong>essa l\u00e1stima vai ter que beber.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Calar a boca branca da escurid\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>como o grito retino da voz lunar<\/strong><br \/>\n<strong>usar uma letra faminta, como isca<\/strong><br \/>\n<strong>que belisca quem n\u00e3o sabe pescar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nas noites profundas da imensid\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>um poema revolto agira beira-mar<\/strong><br \/>\n<strong>um povo com os p\u00e9s limpos de areira<\/strong><br \/>\n<strong>outrora nau sem rumo, vai se encontrar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E o canto torto das gal\u00e9s vai se fazer escutar:<\/strong><br \/>\n<strong>\u201cSe o mar est\u00e1 calmo,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00e9 claro que precisa escurecer.<\/strong><br \/>\n<strong>E se me cai uma l\u00e1grima,<\/strong><br \/>\n<strong>essa l\u00e1stima vai ter que beber.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ao amanhecer da noite, juntar as m\u00e3os<\/strong><br \/>\n<strong>para que nenhuma fique livre pra a\u00e7oitar,<\/strong><br \/>\n<strong>vamos cuspir o navio encravado na garganta<\/strong><br \/>\n<strong>par que em negras l\u00e1grimas n\u00e3o se navegue mais.<\/strong><\/p>\n<p>No meio, nas pontas, voc\u00ea encontra nesse livro muita representatividade. \u00c9 um livro de cinema &#8211; onde, ao inv\u00e9s de s\u00f3 pessoas brancas, ricas e bem sucedidas &#8211; voc\u00ea pode ver a gente numerosa desse pa\u00eds. Insistentemente apagada, desacreditada, um povo artista, mas submetido a uma classifica\u00e7\u00e3o inferior a sua arte, um povo cheio de Magia Negra. Como em um dos poemas maravilhosos no qual o poeta vai citando v\u00e1rios nomes de gente preta intelectual, artista, ativista, que ajuda a fazer esse mundo mais trag\u00e1vel<\/p>\n<p>L\u00f3gico, voc\u00ea n\u00e3o vai s\u00f3 ler louvores, os poemas do<strong><em> Flores de Alvenaria<\/em> <\/strong>tamb\u00e9m batem, de uma maneria sucinta, direta, eficaz, em textos de poucos versos, realidades expostas com maestria.<\/p>\n<p><strong>Muitas vezes, <\/strong><br \/>\n<strong>quem tem a inf\u00e2ncia roubada<\/strong><br \/>\n<strong>acaba furtando o futuro de algu\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p>E alerta-nos:<br \/>\n<strong>A rotina \u00e9 m\u00e1quina de moer gente<\/strong><\/p>\n<p>E nos bota a pensar:<br \/>\n<strong>Temporal<\/strong><\/p>\n<p><strong>A mulher,<\/strong><br \/>\n<strong>repleta de lama, chora.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O homem,<\/strong><br \/>\n<strong>feito de barro,<\/strong><br \/>\n<strong>desaba em l\u00e1grimas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>De a\u00e7o mesmo,<\/strong><br \/>\n<strong>s\u00f3 a vida<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; essa l\u00e2mina cega<\/strong><br \/>\n<strong>que corta<\/strong><br \/>\n<strong>sempre do mesmo lado.<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea pode pegar o <em><strong>Flores de Alvenaria<\/strong><\/em> para ler no \u00f4nibus, metr\u00f4. Ele fica bem tendo por fundo o barulho da cidade, o movimento das pessoas, o <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Poeta S\u00e9rgio Vaz<\/strong><\/span> consegue olhar as frestas do cotidiano e imprimi-las nas p\u00e1ginas desse livro.<\/p>\n<p>Salve <strong><span style=\"color: #ff6600\">Poeta S\u00e9rgio Vaz<\/span><\/strong>, salve Sarau da Cooperifa!<\/p>\n<p><strong>*Talles Azigon<\/strong> \u00e9 poeta, editor e produtor cultura. J\u00e1 publicou os livros Tr\u00eas Golpes D\u2019\u00c1gua e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curi\u00f3 e do banho na Sabiaguaba. \u00c0 procura da poesia \u00e9 uma coluna semanal com coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros, autores e poemas. Leia mais poetas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talles Azigon (da p\u00e1gina Poesia Brasileira) Pode-se ler um livro de poesia sob diferentes modo &#8211; pensando na forma, ou seja, como ele \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1071,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[72,285,312,501,946,1061,1101],"class_list":["post-1069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia","tag-a-procura-da-poesia","tag-coluna","tag-cooperifa","tag-flores-de-alvanaria","tag-poeta-sergio-vaz","tag-sergio-vaz","tag-talles-azigon"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1069\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}