{"id":1073,"date":"2017-08-16T05:00:58","date_gmt":"2017-08-16T08:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1073"},"modified":"2018-01-08T16:05:40","modified_gmt":"2018-01-08T19:05:40","slug":"coluna-literatura-e-mulher-xinran-e-as-as-boas-mulheres-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/08\/16\/coluna-literatura-e-mulher-xinran-e-as-as-boas-mulheres-da-china\/","title":{"rendered":"Coluna Literatura e Mulher: Xinran e as As Boas Mulheres da China"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1074\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1074\" class=\"size-large wp-image-1074\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/xinran-as-boas-mulheres-da-china-624x328.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"289\" \/><p id=\"caption-attachment-1074\" class=\"wp-caption-text\">As Boas Mulheres da China<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Alessandra Jarreta*<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Conheci <strong>Xinran<\/strong> quando ainda estava no terceiro ano do col\u00e9gio, gra\u00e7as ao empr\u00e9stimo de uma amiga. O <strong>livro<\/strong> era <strong><em>As Boas Mulheres da China<\/em><\/strong>, colet\u00e2nea de relatos escrita entre 1989 e 1997, quando a autora entrevistou mulheres de diferentes idades e classes sociais para tentar compreender a condi\u00e7\u00e3o feminina na <strong>China<\/strong> moderna. A capa meio amarelada, com pequenos recortes de fotos antigas chamou-me a aten\u00e7\u00e3o, e como eu andava ansiosa por qualquer motivo para fugir das obriga\u00e7\u00f5es do pr\u00e9-vestibular, resolvi come\u00e7ar a leitura naquele mesmo dia.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nVoc\u00ea j\u00e1 chorou com um <strong>livro<\/strong>? N\u00e3o me considero uma pessoa sens\u00edvel agora e menos ainda na \u00e9poca, mas o <strong>livro<\/strong> me levou \u00e0s l\u00e1grimas antes mesmo do pr\u00f3logo chegar ao fim. Nas primeiras p\u00e1ginas, <strong>Xinran<\/strong> nos conta como arriscou a vida durante um assalto para salvar a sua \u00fanica vers\u00e3o do <strong>livro<\/strong> que eu tinha em m\u00e3os, e como sentiu que n\u00e3o resgatava apenas anos de trabalho \u2013 salvava a mem\u00f3ria daquelas mulheres.<\/p>\n<p>Foi o primeiro <strong>livro<\/strong> que me fez avaliar o qu\u00e3o pequenos eram os meus problemas, e perceber que os problemas das mulheres, o medo da viol\u00eancia causada pelos homens e o sentimento de impot\u00eancia \u00e9 o mesmo do outro lado do mundo. O que era o meu sofrimento perto do das mulheres que viviam na Colina dos gritos, cujo \u00fatero ca\u00eddo pendia pelo meio das pernas dificultando o andar, usadas como moeda de troca, afastadas de suas fam\u00edlias, sem direito a voz, a comida, a dignidade? E por que elas, entre todas as mulheres retratadas no <strong>livro<\/strong>, pareciam ser as mais felizes? Esses s\u00e3o questionamentos que me acompanham ainda hoje, dez anos depois da minha primeira leitura.<\/p>\n<h2>Conhe\u00e7a Xinran!<\/h2>\n<p>Li <strong><em>As Boas Mulheres da China<\/em><\/strong>\u00a0por inteiro tr\u00eas vezes durante diferentes per\u00edodos da minha vida, e as tr\u00eas leituras foram igualmente chocantes e fortes. Tenho em minha casa uma edi\u00e7\u00e3o menor do que a que minha amiga me emprestou, um pocket j\u00e1 com as folhas descolando, lembran\u00e7a de empr\u00e9stimos feitos a amigos, e de vez em quando paro para reler algumas hist\u00f3rias, como a da menina que tinha uma mosca como animal de estima\u00e7\u00e3o, ou o testemunho das corajosas m\u00e3es que mantinham sozinhas um orfanato, sobreviventes do terremoto que levou seus filhos. O <strong>livro<\/strong> tamb\u00e9m trouxe a vontade de estudar e procurar compreender melhor a <strong>Revolu\u00e7\u00e3o Cultural chinesa<\/strong>, e suas marcas deixadas at\u00e9 hoje.<\/p>\n<div id=\"attachment_1076\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1076\" class=\"size-large wp-image-1076\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/xinran-boas-mulheres-da-china-foto-624x484.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"427\" \/><p id=\"caption-attachment-1076\" class=\"wp-caption-text\">Xinran. (Foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p><strong>Xinran<\/strong> \u00e9 radialista, jornalista e escritora. Durante oito anos de sua carreira apresentou o programa de r\u00e1dio<em><strong> Palavras da Brisa Noturna<\/strong><\/em>, onde teve acesso \u00e0s historias de centenas de mulheres, que a ligavam e escreviam em busca de ajuda e conselhos. Muitas vezes censurada, <strong>Xinran<\/strong> precisou mudar-se com o filho para Londres para poder publicar sua colet\u00e2nea de relatos. Em 2004, a autora fundou a <strong>The Mother&#8217;s Bridge of Love<\/strong>, uma ONG que busca ajudar as crian\u00e7as <strong>chinesas<\/strong> adotadas a melhor compreender a cultura do ocidente e a facilitar a aproxima\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as com suas novas fam\u00edlias. Atualmente colabora com o jornal<em><strong> The Guardian<\/strong><\/em> e \u00e9 professora na <strong>School of Oriental and African Studies<\/strong> da Universidade de Londres.<\/p>\n<p>A autora tem outros seis <strong>livros<\/strong> publicados de fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-ficc\u00e3o, todos retratando a vida e sofrimento do povo <strong>chin\u00eas<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>*Alessandra Jarreta<\/strong> \u00e9 estudante de Letras da UFC, mediadora dos clubes de Leitura Nordestina, Leia Mulheres, Leituras Feministas, Clube do quadrinho e Lendo Cl\u00e1ssicos. Escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel sobre Mulher e Literatura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alessandra Jarreta* Conheci Xinran quando ainda estava no terceiro ano do col\u00e9gio, gra\u00e7as ao empr\u00e9stimo de uma amiga. 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