{"id":1120,"date":"2017-08-24T06:00:14","date_gmt":"2017-08-24T09:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1120"},"modified":"2017-08-24T06:00:14","modified_gmt":"2017-08-24T09:00:14","slug":"leia-a-cronica-coisas-infindas-da-escritora-ayla-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/08\/24\/leia-a-cronica-coisas-infindas-da-escritora-ayla-andrade\/","title":{"rendered":"Leia a cr\u00f4nica &#8216;Coisas Infindas&#8217;, da escritora Ayla Andrade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1110\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1110\" class=\"size-large wp-image-1110\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/leituras-da-bel-blog-blog-blog-624x519.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"457\" \/><p id=\"caption-attachment-1110\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00e9ssica Gabrielle Lima<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Ayla Andrade*<br \/>\n<\/strong><\/em><strong>Ayla Andrade escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel. Cronista, escritora e pedra de atiradeira, ela utiliza as palavras para narrar e costurar o cotidiano. Nessa semana, Ayla fala sobre as coisas infindas. Voc\u00ea pode apreciar esse texto enquanto espera o pr\u00f3ximo eclipse solar em Fortaleza! Confira:<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>Dizia eu na <strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/leia-a-cronica-o-ontem-amarrotado-da-escritora-ayla-andrade\/\">cr\u00f4nica passada<\/a><\/strong>\u00a0 sobre as<strong> coisas esquecidas<\/strong>, deixadas de lado e do bem que isso pode ou deveria nos fazer. Soltar os pesos, o ar, os ombros.<\/p>\n<p>Acontece que aparentemente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil e preciso, eu mesma, me soltar do tema referido, com a ajuda de voc\u00eas, que tamb\u00e9m compartilharam comigo, em conversas informais, os v\u00e1rios objetos e pessoas perdidas na sarjeta da cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>Pois bem, esse abandono \u00e9 assunto recorrente em mim.<\/p>\n<p>E como agosto aparentemente termina pr\u00f3xima semana, tem esse vento que tudo leva e ainda sobrevivemos ao <strong>eclipse solar<\/strong> penso que seja hora de encerrar esse tema.<\/p>\n<p>N\u00e3o me prendo aqui a pessoas ou amores ou ainda a objetos do passado, mas sim a uma lembran\u00e7a, uma mem\u00f3ria, um sentimento do que quer que seja. Do que primeiro vier a sua mente, para que voc\u00ea me entenda, mas que voc\u00ea guarda, voc\u00ea sabe. \u00c1s vezes n\u00e3o sabe para qu\u00ea, nem aonde guarda, mas em algum momento, a sirene toca e voc\u00ea sabe.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/leia-a-cronica-o-ontem-amarrotado-da-escritora-ayla-andrade\/\">Leia a cr\u00f4nica \u2018O ontem amarrotado\u2019, da escritora Ayla Andrade<\/a><\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/leia-cronica-olhar-com-olhos-de-quem-ve-da-escritora-ayla-andrade\/\">Leia a cr\u00f4nica \u2018Olhar com olhos de quem v\u00ea\u2019, da escritora Ayla Andrade<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Veja bem, n\u00e3o falo de mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia, do balan\u00e7o no jardim, o entardecer na praia, aquele tio que a gente n\u00e3o gosta\u2026<\/p>\n<p>Falo de <strong>coisas infindas<\/strong>, as que ficam no caminho, aquelas em que a gente constr\u00f3i o trilho do trem, a esta\u00e7\u00e3o, o t\u00fanel, a sa\u00edda do t\u00fanel, mas nem sequer chega a sentar no vag\u00e3o\u2026 o que deveria ser, mas nem chegou a estar. E isso vira um n\u00e3o-sei-qu\u00ea dentro da gente.<\/p>\n<p>Alguns chamam isso de plano, projeto, sonho. Eu, sinceramente, n\u00e3o sei por qual nome chamar. Por falta de nome batizo de \u201c<strong>coisas infindas<\/strong>\u201d. O que deveria ser, mas nem chegou a estar. E isso \u00e9 um inc\u00f4modo, um engodo que me inquieta a escrita.<\/p>\n<p>Voc\u00ea, leitor, deve se perguntar sobre o que exatamente estou a escrever.<\/p>\n<p>Olha, te digo, do fundo do meu verbo que tento entender essa cor, essa bossa do passado na mente. Esse sentimento que aciono e que me p\u00f5e a pensar. Que me faz voltar e ver se a porta est\u00e1 mesmo trancada, aquela sensa\u00e7\u00e3o \u201cser\u00e1 que esqueci algo?\u201d. E sempre chego no mesmo lugar, essa <strong>coisa infinda<\/strong>, esse meio do caminho, esse qualquer deixado pra tr\u00e1s.<br \/>\nPode ser frustra\u00e7\u00e3o, pode ser a little bitterness, uma nostalgia. Pode ser.<\/p>\n<p>E n\u00e3o que isso seja de todo ruim. O tempo tem esse dom de criar ru\u00ednas, de amontoar as lembran\u00e7as, de nos apressar e ent\u00e3o sa\u00edmos sempre deixando uma pe\u00e7a pra tr\u00e1s, seja por descuido ou por vontade. \u00c9 desconfort\u00e1vel. E essa pe\u00e7a, que a gente n\u00e3o pode voltar pra pegar parece faltar no quebra-cabe\u00e7a. E a\u00ed est\u00e1 a quest\u00e3o: que agonia ver o jogo finito da vida com uma pe\u00e7a faltando enquanto ainda est\u00e1 valendo a jornada.<\/p>\n<p>Mas isso tudo foi antes de tentar escrever essa <strong>cr\u00f4nica<\/strong> e antes do <strong>eclipse solar<\/strong>.<\/p>\n<p>Estou na aposta de que come\u00e7arei um novo quebra-cabe\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>*Ayla Andrade \u00e9 assistente social, cronista, contista e amante do cotidiano. Ela j\u00e1 publicou o livro <em>Mais feliz dos sil\u00eancios <\/em>(Editora Subst\u00e2nsia, 2014) e publicou contos em algumas antologias, entre elas <em>Encontos e desencontos<\/em>, <em>Antologia Massanova<\/em> e <em>O cravo roxo do Diabo: o conto fant\u00e1stico<\/em> no Cear\u00e1.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ayla Andrade* Ayla Andrade escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel. Cronista, escritora e pedra de atiradeira, ela utiliza as palavras para narrar e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1110,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[159,258,281,428,683],"class_list":["post-1120","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica","tag-ayla-andrade","tag-cidade","tag-coisas-infindas","tag-escrita-criativa","tag-literatura"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1120\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}