{"id":1147,"date":"2017-08-30T11:35:50","date_gmt":"2017-08-30T14:35:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1147"},"modified":"2017-08-30T11:35:50","modified_gmt":"2017-08-30T14:35:50","slug":"coluna-literatura-e-mulher-margaret-atwood-e-o-conto-da-aia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/08\/30\/coluna-literatura-e-mulher-margaret-atwood-e-o-conto-da-aia\/","title":{"rendered":"Coluna Literatura e Mulher: Margaret Atwood e O Conto da Aia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1154\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1154\" class=\"wp-image-1154\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/image-6-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" \/><p id=\"caption-attachment-1154\" class=\"wp-caption-text\">Margaret durante filmagem de O Conto da Aia<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Alessandra Jarreta*<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Eu sempre fui a primeira a reclamar que n\u00f3s n\u00e3o temos mulheres o suficiente na fic\u00e7\u00e3o cientifica. N\u00e3o que elas n\u00e3o escrevam; escrevem, e muito. \u00c9 o machismo do mercado que n\u00e3o lhes d\u00e1 a oportunidade. As maiores premia\u00e7\u00f5es do meio como o pr\u00eamio Hugo, Clarke e Nebula s\u00e3o sempre alvo de pol\u00eamicas e reclama\u00e7\u00f5es (geralmente vindas do p\u00fablico masculino) quando uma mulher chega ao m\u00ednimo de ser citada para alguma categoria. \u00c9 o velho \u201cn\u00e3o queremos as meninas brincando no parquinho dos meninos\u201d. Esses meninos, entretanto, esquecem que o pr\u00f3prio g\u00eanero foi criado por uma mulher no ver\u00e3o de 1816, quando Mary Shelley cansou de brincar com os meninos e retirou-se para o seu quarto para escrever Frankenstein, aos 19 anos. Em 2014, quando uma grande editora nacional veio a Fortaleza anunciar seus lan\u00e7amentos do g\u00eanero, prontamente ergui a m\u00e3o para questionar a aus\u00eancia de nomes femininos na lista e autoras do nosso pa\u00eds. A resposta dos editores foi autom\u00e1tica: Era extremamente dif\u00edcil sequer cogitar a possibilidade de publicar mulheres \u2013 brasileiras ent\u00e3o, nem pensar.<!--more--><\/p>\n<p>Com todos esses fatores na mesa, pode-se imaginar minha alegria quando, vasculhando uma lista de grandes obras feministas da literatura, me deparei com uma fic\u00e7\u00e3o cientifica, escrita em 1985, sobre um mundo governando por homens que sequestravam mulheres para procria\u00e7\u00e3o. O livro era<em><strong> O Conto da Aia<\/strong><\/em>, de <strong>Margaret Atwood<\/strong>.<\/p>\n<p>Margaret Atwood, hoje com seus 77 anos, \u00e9 uma escritora canadense com in\u00fameros pr\u00eamios liter\u00e1rios, al\u00e9m de ter sido agraciada com a Ordem do Canad\u00e1, a mais alta distin\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds. Seus livros, amplamente publicados no Brasil pela editora Rocco, passaram muito tempo esquecidos, em edi\u00e7\u00f5es pouco cuidadosas de papel grosseiro. Eu nunca tinha ouvido falar dela. Consegui encomendar minha edi\u00e7\u00e3o do Conto da Aia na livraria com algum esfor\u00e7o e relut\u00e2ncia do vendedor, pois o exemplar era o \u00fanico de uma s\u00e9rie j\u00e1 esgotada, com a lombada machucada e as p\u00e1ginas manchadas. Meses depois de ter a castigada obra em m\u00e3os, vi que Emma Watson (mais conhecida por ter interpretado a Hermione nos filmes do Harry Potter) em seu clube do livro online o leria e debateria durante dois meses.<\/p>\n<div id=\"attachment_1149\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1149\" class=\"wp-image-1149\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/image-1-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" \/><p id=\"caption-attachment-1149\" class=\"wp-caption-text\">Margaret Atwood<\/p><\/div>\n<p>Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, a s\u00e9rie hom\u00f4nima produzida pela plataforma Hulu, um servi\u00e7o de streaming nos moldes da Netflix, come\u00e7ou a ser exibida pouco depois, ganhando fortes elogios da cr\u00edtica e trazendo o nome da autora (e tamb\u00e9m produtora da s\u00e9rie) para os holofotes. A edi\u00e7\u00e3o brasileira ganhou uma nova roupagem que rapidamente voou das prateleiras e, inspirado pela iniciativa de Emma, que escondeu edi\u00e7\u00f5es do livro pelas ruas de Londres, a editora, junto com o clube de leitura Leia Mulheres, espalhou Contos da aia por diversos cantos do pa\u00eds. Ficou dif\u00edcil falar sobre outra coisa.<\/p>\n<div id=\"attachment_1151\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1151\" class=\"wp-image-1151\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/image-3-300x206.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"310\" \/><p id=\"caption-attachment-1151\" class=\"wp-caption-text\">Elisabete Moss e Margaret Atwood<\/p><\/div>\n<p>Sendo a segunda de tr\u00eas filhos e filha de pai entom\u00f3logo, Margaret Atwood cresceu em meio a florestas e come\u00e7ou a escrever hist\u00f3rias com apenas 6 anos. Aos 16 j\u00e1 sabia que queria viver como escritora profissional e formou-se em Artes e Ingl\u00eas pela Universidade de Toronto, recebendo posteriormente um diploma honor\u00e1rio de Doutora em Literatura pela Universidade Nacional da Irlanda e v\u00e1rias outras universidades canadenses. Seu livro O conto da aia j\u00e1 \u00e9 considerado um dos grandes cl\u00e1ssicos da fic\u00e7\u00e3o cientifica, entretanto, a autora nega a classifica\u00e7\u00e3o. Prefere considerar sua obra uma \u201cfic\u00e7\u00e3o especulativa\u201d, algo que est\u00e1 muito pr\u00f3ximo da nossa realidade, como explica em entrevista para o The Guardian \u201cA fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 feita de monstro e naves espaciais; a fic\u00e7\u00e3o especulativa \u00e9 algo que poderia realmente acontecer.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_1152\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1152\" class=\"wp-image-1152\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/08\/image-4-300x149.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"248\" \/><p id=\"caption-attachment-1152\" class=\"wp-caption-text\">Cena da s\u00e9rie<\/p><\/div>\n<p>Eu n\u00e3o sei se toda fic\u00e7\u00e3o especulativa pode ser uma fic\u00e7\u00e3o cientifica, ou vice-versa, mas comparo o Conto da aia com outras distopias igualmente especulativas como 1984, Fahrenheit 451 e Admir\u00e1vel Mundo Novo. Para mim, o que destaca o universo criado pela autora canadense dos demais \u00e9 ele ser o mais aterrorizante entre eles. Enquanto lemos, temos a sensa\u00e7\u00e3o de que aquilo pode acontecer a qualquer momento \u2013 basta um descuido.<\/p>\n<p>Margaret Atwood tem 16 romances publicados, al\u00e9m de livros de infantis, contos, poesia e obras de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, que abordam principalmente t\u00e9cnicas de escrita. Al\u00e9m disso, participa do Future Library (Biblioteca do Futuro), um projeto iniciado em 2014 no qual 100 autores escrever\u00e3o um livro para uma colet\u00e2nea que ser\u00e1 lan\u00e7ada apenas em 2114. Em entrevista, a autora compara o projeto como algo sa\u00eddo de um conto de fadas: &#8220;\u00c9 como a Bela Adormecida. Os textos ficaram dormindo por 100 anos e ent\u00e3o acordar\u00e3o e ganhar\u00e3o vida&#8221;. Uma escritora que, com toda a certeza, vale a pena conhecer.<\/p>\n<p><strong>*Alessandra Jarreta<\/strong> \u00e9 estudante de Letras da UFC, mediadora dos clubes de Leitura Nordestina, Leia Mulheres, Leituras Feministas, Clube do quadrinho e Lendo Cl\u00e1ssicos. Escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel sobre Mulher e Literatura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alessandra Jarreta* Eu sempre fui a primeira a reclamar que n\u00f3s n\u00e3o temos mulheres o suficiente na fic\u00e7\u00e3o cientifica. N\u00e3o que elas n\u00e3o escrevam;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1154,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37,41],"tags":[90,285,305,654,691,757],"class_list":["post-1147","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura-estrangeira","category-livro","tag-alessandra-jarreta","tag-coluna","tag-conto-da-aia","tag-leia-mulheres","tag-literatura-e-mulher","tag-margaret-atwood"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1147\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}