{"id":1183,"date":"2017-09-06T06:00:48","date_gmt":"2017-09-06T09:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1183"},"modified":"2017-09-06T06:00:48","modified_gmt":"2017-09-06T09:00:48","slug":"coluna-procura-da-poesia-flores-mal-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/09\/06\/coluna-procura-da-poesia-flores-mal-parte-ii\/","title":{"rendered":"Coluna \u00c0 procura da poesia: As flores do mal &#8211; parte II"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1184\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/09\/egon-1024x673-624x410.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"361\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Por Talles Azigon*<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>\u201cPoesia \u00e9 o que se perde na tradu\u00e7\u00e3o\u201d <\/em><br \/>\n<em>Robert Frost<\/em><\/p>\n<p>Na primeira parte de nossa conversa sobre <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/coluna-procura-da-poesia-quem-tem-medo-de-baudelaire\/\"><strong>Baudelaire<\/strong> <\/a>fizemos uma proposta de experimentar a poesia, relaxar um pouco dessa perspectiva do texto em prosa na qual sempre buscamos entender os sentidos (ou decodificar as mensagens).<\/p>\n<p>No caso do <strong>poema<\/strong>, propomos uma leitura como se fosse um quadro; primeiro voc\u00ea percebe as cores, depois as formas, o jogo de luz\/sombra. S\u00f3 depois v\u00e1 apalpando as sugest\u00f5es de sentidos que ele nos oferece.<!--more--><\/p>\n<p>Quando o <strong>livro<\/strong> \u00e9 de <strong>poemas<\/strong> traduzidos, o caso das <em><strong>Flores do Mal<\/strong><\/em>, temos uma \u201cposs\u00edvel barreira\u201d. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 lendo necessariamente o poema escrito, mas uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o dele. Afinal de contas &#8211; se esse lance de poema \u00e9 t\u00e3o \u201cde sentir\u201d \u201cde ver\u201d &#8211; cada idioma tem seus materiais pr\u00f3prios na composi\u00e7\u00e3o de suas tintas.<\/p>\n<p>Um exemplo, eis dois poemas da <em><strong>Flores do Mal<\/strong><\/em> com tradu\u00e7\u00f5es diferentes:<\/p>\n<p><em><strong>O Inimigo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>A mocidade foi-me um temporal bem triste,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Onde raro brilhou a luz d&#8217;um claro dia;<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Tanta chuva caiu, que quase n\u00e3o existe<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Uma flor no jardim da minha fantasia.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>E agora, que alcancei o outono, alquebrantado,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Que paciente labor n\u00e3o preciso \u2014 ai de mim! \u2014<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Se quiser renovar o terreno encharcado,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Cheio de boqueir\u00f5es, que \u00e9 hoje o meu jardim!<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>E quem sabe se as flores ideais que ora cobi\u00e7o<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Iriam encontrar no ch\u00e3o alagadi\u00e7o<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>O preciso alimento ao seu desabrochar?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Corre o tempo veloz, num galope desfeito,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E a Dor, a ingente Dor, que nos corr\u00f3i o peito,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Com nosso pr\u00f3prio sangue, a crescer, a medrar!<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/strong>Delfim Guimar\u00e3es<\/p>\n<p><strong>O INIMIGO<\/strong><br \/>\n<strong>A juventude n\u00e3o foi mais que um temporal,<\/strong><br \/>\n<strong>Aqui e ali por s\u00f3is ardentes trespassado;<\/strong><br \/>\n<strong>As chuvas e os trov\u00f5es causaram dano tal<\/strong><br \/>\n<strong>Que em meu pomar n\u00e3o resta um fruto sazonado.<\/strong><br \/>\n<strong>Eis que alcancei o outono de meu pensamento,<\/strong><br \/>\n<strong>E agora o ancinho e a p\u00e1 se fazem necess\u00e1rios<\/strong><br \/>\n<strong>Para outra vez compor o solo lamacento,<\/strong><br \/>\n<strong>Onde profundas covas se abrem como oss\u00e1rios<\/strong><br \/>\n<strong>E quem sabe se as flores que meu sonho ensaia<\/strong><br \/>\n<strong>H\u00e3o de achar nessa gleba aguada como praia<\/strong><br \/>\n<strong>O m\u00edstico alimento que as far\u00e1 vigorosas?<\/strong><br \/>\n<strong>\u00d3 dor! \u00d3 dor! O tempo faz da vida uma carni\u00e7a,<\/strong><br \/>\n<strong>E o sombrio Inimigo que nos r\u00f3i as rosas<\/strong><br \/>\n<strong>No sangue que perdemos se enra\u00edza e vi\u00e7a!<\/strong><br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ivan Junqueira<\/p>\n<p>Parecem dois textos completamente diferentes! A escolha das palavras \u00e9 diferente. Somente a estrutura e o esquema de rimas mantiveram-se mais ou menos semelhantes. Por isso, dica do <strong>Talles<\/strong>, se voc\u00ea souber um segundo idioma, compre livros de poemas em vers\u00f5es bil\u00edngues.<\/p>\n<p>Parece que o novelo s\u00f3 embara\u00e7a, verdade. Por que n\u00e3o? Permita-se ser uma pessoas mais afeita \u00e0s complexidades. Essa nossa vida aparentemente simplista, onde todos os bot\u00f5es prometem resolver todos nossos problemas, muitas vezes nos incute uma pregui\u00e7a de ser mais pensante. Ent\u00e3o falo no sentido acad\u00eamico, cult, falo no sentido b\u00e1sico mesmo. Com os poemas voc\u00ea pode exercitar uma reflex\u00e3o mais complexa e diversa da vida.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><em><strong>As Flores do Mal<\/strong><\/em> incomodou muito na sua \u00e9poca de publica\u00e7\u00e3o, pois os conte\u00fados de seus poemas n\u00e3o se harmonizavam com o bucolismo do campo, ou os atributos pelos da amante e do amor. Vivemos na cidade, a metr\u00f3pole se mostra em todo o seu degredo, perdemos a inoc\u00eancia, o leitor n\u00e3o \u00e9 uma crian\u00e7a inocente, o poeta tampouco.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o entramos desavisados nesse <strong>livro<\/strong>! O primeiro poema,<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/coluna-procura-da-poesia-quem-tem-medo-de-baudelaire\/\"> a carta em forma de versos de Baudelaire para n\u00f3s<\/a><\/strong>, \u00e9 certeira e nos mostra toda as torpezas da vida moderna que nos atravessam, e esfrega o T\u00e9dio, o verdadeiro grande mal da modernidade bem na nossa cara.<\/p>\n<p><strong>&#8211; A juventude, de ar singelo e fronte suave,<\/strong><br \/>\n<strong>De olhar transl\u00facido como \u00e1gua de corrente,<\/strong><br \/>\n<strong>E que se torna sobretudo, negligente,<\/strong><br \/>\n<strong>Tal qual o azul do c\u00e9u, os p\u00e1ssaros e as flores,<\/strong><br \/>\n<strong>Seus perfumes, seus cantos, seus doces calores<\/strong><\/p>\n<p>Toda uma den\u00fancia contra a apar\u00eancia do mundo e os valores atribu\u00eddos para a juventude, para a radia\u00e7\u00e3o da vida, nesses poemas, \u00e9 como se <strong>Baudelaire<\/strong> virasse o palco da vida para mostrar as costas da encena\u00e7\u00e3o, espantados, nos deparamos que nessas costas tudo \u00e9 oco.<\/p>\n<p>Logo, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 o rev\u00e9s da beleza, mas dela faz parte, o p\u00fatrido da inoc\u00eancia, e dela faz parte, a devassid\u00e3o da irrepreens\u00edvel apar\u00eancia do homem de bem, e dela faz parte. Ora, se antes as pessoas viviam no campo, cantava ovelhas, orvalhos, sol se ponto e riacho correndo, tudo compondo quadros onde o belo era incontest\u00e1vel, na cidade as coisas mudam de figura.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos becos, onde espreitam assassinos, esgotos a c\u00e9u aberto, gente desmaiada de \u00f3pio ou de fome, ou mesmo dos dois. \u00c9 preciso desconfiar das apar\u00eancias.<\/p>\n<p><em><strong>HINO \u00c0 BELEZA<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Vens tu do c\u00e9u profundo ou sais do precip\u00edcio,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Beleza? Teu olhar, divino mas daninho,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Confusamente verte o bem e o malef\u00edcio,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E pode-se por isso comparar-te ao vinho.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Em teus olhos refletes toda a luz diuturna;<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Lan\u00e7as perfumes como a noite tempestuosa;<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Teus beijos s\u00e3o um filtro e tua boca uma urna<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Que torna o her\u00f3i covarde e a crian\u00e7a corajosa.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Prov\u00e9ns do negro abismo ou da esfera infinita?<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Como um c\u00e3o te acompanha a Fortuna encantada;<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Semeias ao acaso a alegria e a desdita<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E altiva segues sem jamais responder nada.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Calcando mortos vais, Beleza, a escarnece-los;<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Em teu escr\u00ednio o Horror \u00e9 a j\u00f3ia que cintila,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E o Crime, esse berloque que te agu\u00e7a os zelos,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Sobre teu ventre em amorosa dan\u00e7a oscila.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>A mariposa voa ao teu encontro, \u00f3 vela,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Freme, inflama-se e diz: \u201c\u00d3 clar\u00e3o aben\u00e7oado!\u201d<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>O arfante namorado aos p\u00e9s de sua bela<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Recorda um moribundo ao t\u00famulo abra\u00e7ado.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Que venhas l\u00e1 do c\u00e9u ou do inferno, que importa,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Beleza! \u00d3 monstro ing\u00eanuo, gigantesco e horrendo!<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Se teu olhar, teu riso, teus p\u00e9s me abrem a porta<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>De um infinito que amo e que jamais desvendo?<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>De Sat\u00e3 ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Que importa, se \u00e9 quem fazes \u2013 fada de olhos suaves,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>\u00d3 rainha de luz, perfume e ritmo cheia! \u2013<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Mais humano o universo e as horas menos graves?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>\u00c9 de bom tom lembrarmos que As Flores do Mal sofreu condena\u00e7\u00f5es da justi\u00e7a, foi<\/strong> <\/em>censurado, ficou censurado por um longo tempo. E o motivo foi justamente o desencanto evidente de suas p\u00e1ginas (tida pelos censores de imoralidade), a forma como \u00e9 retratado o amor, sem medo de falar da carne, da c\u00f3pula, diretamente sem meias palavras.<\/p>\n<p><em><strong>XXIV<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Eu te amo como se ama a ab\u00f3bada noturna,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>\u00d3 ta\u00e7a de tristeza, \u00f3 grande taciturna,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E mais ainda te adoro quando mais te ausentas<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E quanto mais pareces, no ermo que ornamentas,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Multiplicar ir\u00f4nica as celestes l\u00e9guas<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Que me separam das imensid\u00f5es sem tr\u00e9guas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Ao assalto me lan\u00e7o e agito-me na li\u00e7a,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Como um coro de vermes junto a uma carni\u00e7a,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>E adoro, \u00f3 fera desumana e pertinaz,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>At\u00e9 essa algidez que mais bela te faz!<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Essa obra se estende, \u00e9 imensa, cheia de desvios, como uma grande metr\u00f3pole. Seria muito dif\u00edcil dar conta de tantos aspectos e tanta import\u00e2ncia. Ent\u00e3o eu convido voc\u00eas a largarem o medo e o preconceito e se deliciarem com <strong>Baudelaire<\/strong>.<\/p>\n<p>Depois da <strong>leitura<\/strong>, comente conosco, o que achou, se teve dificuldades, o nosso grande intuito aqui no <span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong><\/span> \u00e9 desanuviar o mundo dos <strong>poemas<\/strong> com voc\u00eas.<\/p>\n<p><strong>*Talles Azigon<\/strong> \u00e9 poeta, editor e produtor cultura. J\u00e1 publicou os livros Tr\u00eas Golpes D\u2019\u00c1gua e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curi\u00f3 e do banho na Sabiaguaba. \u00c0 procura da poesia \u00e9 uma coluna semanal com coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros, autores e poemas. Leia mais poetas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talles Azigon* \u201cPoesia \u00e9 o que se perde na tradu\u00e7\u00e3o\u201d Robert Frost Na primeira parte de nossa conversa sobre Baudelaire fizemos uma proposta de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1184,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[72,254,285,502,708,938,1101],"class_list":["post-1183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia","tag-a-procura-da-poesia","tag-charles-baudelaire","tag-coluna","tag-flores-do-mal","tag-livro","tag-poema","tag-talles-azigon"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1183\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}