{"id":1189,"date":"2017-09-07T10:42:19","date_gmt":"2017-09-07T13:42:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1189"},"modified":"2019-07-16T14:43:23","modified_gmt":"2019-07-16T17:43:23","slug":"leia-cronica-olhar-com-olhos-de-quem-ve-da-escritora-ayla-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/09\/07\/leia-cronica-olhar-com-olhos-de-quem-ve-da-escritora-ayla-andrade\/","title":{"rendered":"Leia a cr\u00f4nica &#8216;Olhar com olhos de quem v\u00ea&#8217;, da escritora Ayla Andrade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1177\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1177\" class=\"size-large wp-image-1177\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/09\/tumblr_mzuxvzZoRw1tq6aaco1_1280-624x513.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"452\" \/><p id=\"caption-attachment-1177\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00e9ssica Gabrielle Lima<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Ayla Andrade*<\/strong><\/em><br \/>\n<strong>Ayla Andrade escreve quinzenalmente para o <span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel<\/span>. Cronista, escritora e pedra de atiradeira, ela utiliza as palavras para narrar e costurar o cotidiano. Nessa semana, Ayla fala sobre os lugares e a cidade.\u00a0 Confira:<\/strong><\/p>\n<h2>Leia a cr\u00f4nica:<\/h2>\n<p>H\u00e1 lugares na <strong>cidade<\/strong> que s\u00e3o t\u00e3o habituais aos nossos olhos que j\u00e1 n\u00e3o os vemos.<br \/>\nAquele <strong>caminho<\/strong> que a gente faz todo dia pra chegar ao trabalho, pra chegar a faculdade, pra voltar pra casa, aquela \u00e1rvore no mesmo local, as pessoas corridas\u2026 a gente nem percebe as ranhuras de algo novo qualquer que se apresente. <!--more--><\/p>\n<p>No <strong>dia-a-dia<\/strong> a gente vai empurrando tudo pro c\u00e9rebro dar conta: j\u00e1 sei o caminho, que bom, sem surpresas.<\/p>\n<p>Claro que nos habituamos a olhar determinados lugares e reconhec\u00ea-los. Reconhecimento como conduta do conhecer novamente, do afeto, do apego. N\u00e3o d\u00e1 para viver o tempo todo de surpresas.<\/p>\n<p>Mas&#8230; e o cora\u00e7\u00e3o? E os olhos de admira\u00e7\u00e3o do mundo? Acostumados ficam. \u00c9 quase susto observar uma constru\u00e7\u00e3o nova, um buraco na cal\u00e7ada, uma rua em desvio. Atrapalha o dia.<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o \u00e9: e aquele sopro de novidade no olhar? Aquele descortinar-se para algo quando da primeira vez, onde voc\u00ea guarda pra usar na sua <strong>cidade<\/strong> costumeira?<br \/>\nSer\u00e1 que percebemos que a <strong>cidade<\/strong> \u00e9 habitada de pessoas tantas? Que ela muda constantemente nos lugares de sempre? Que \u00e9 poss\u00edvel o arrebatamento na <strong>cidade<\/strong> corriqueira? E que h\u00e1 uma <strong>cidade<\/strong> invis\u00edvel por baixo de todo o pano de fundo usual? Percebemos ou sabemos como verdade aceita?<\/p>\n<p>\u00c0s vezes o olhar est\u00e1 t\u00e3o contrafeito que s\u00f3 enxergamos borr\u00e3o e achamos que vemos. \u00c9 como constatar de perto que a senhora idosa, que vende bombons no sinal \u00e9, na verdade, feita de rugas, manchas, sinais e suor. Tudo real demais.<\/p>\n<p>A gente assume uma forma de lidar com o vizinho, com o \u00f4nibus, com o hor\u00e1rio do almo\u00e7o, com a sa\u00edda do trabalho. Tudo um grande borr\u00e3o sem contempla\u00e7\u00e3o de nada. Se a gente contemplasse o infinito ou a fresta na cal\u00e7ada com mais afinco talvez nos surpreend\u00eassemos com o que de fato nunca enxergamos. Olhar com olhos de quem realmente deseja ver. Ir para al\u00e9m, estar disposto, olhar e ver. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil para olhares alijados pela falta de aten\u00e7\u00e3o, pelo gesto limitado do apenas avistar. A gente se acostuma a n\u00e3o ver. \u00c9 mais simples. Amanh\u00e3 tem a vida de novo. 42 notifica\u00e7\u00f5es pra ler. 13 grupos de whatsapp pra interagir. A gente j\u00e1 olha pra tanta coisa&#8230;<\/p>\n<p>Mas a <strong>cidade<\/strong> \u00e9 potencial mutante, mesmo quando nos arrefecemos no t\u00e9dio, nos of\u00edcios e na inobserv\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Vai ver a gente n\u00e3o quer mesmo \u00e9 sentir. Vai empurrando tudo pro c\u00e9rebro dar conta.<\/p>\n<p><strong>*Ayla Andrade \u00e9 assistente social, cronista, contista e amante do cotidiano. Ela j\u00e1 publicou o livro <em>Mais feliz dos sil\u00eancios<\/em> (Editora Subst\u00e2nsia, 2014) e publicou contos em algumas antologias, entre elas <em>Encontos e desencontos<\/em>, <em>Antologia Massanova<\/em> e <em>O cravo roxo do Diabo: o conto fant\u00e1stico no Cear\u00e1<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>https:\/\/open.spotify.com\/episode\/4E8R7dk8mj2RWMTjLKAn54?si=AIAkIfjXTk-6877U64qXDA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ayla Andrade* Ayla Andrade escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel. Cronista, escritora e pedra de atiradeira, ela utiliza as palavras para narrar e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1177,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[159,258,430,683,708],"class_list":["post-1189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica","tag-ayla-andrade","tag-cidade","tag-escritora","tag-literatura","tag-livro"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1189"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6403,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189\/revisions\/6403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}