{"id":1198,"date":"2017-09-13T06:00:24","date_gmt":"2017-09-13T09:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1198"},"modified":"2017-09-13T06:00:24","modified_gmt":"2017-09-13T09:00:24","slug":"coluna-a-procura-da-poesia-no-tempo-dividido-e-outros-mares-de-sophia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/09\/13\/coluna-a-procura-da-poesia-no-tempo-dividido-e-outros-mares-de-sophia\/","title":{"rendered":"Coluna \u00c0 procura da poesia: No tempo dividido e outros mares de Sophia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1199\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1199\" class=\"size-large wp-image-1199\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/09\/Sophia-de-Mello-Breyner-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-1199\" class=\"wp-caption-text\">Sophia de Mello Breyner<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Talles Azigon*<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>\u201cMeu desejo \u00e9 o rastro que ficou das aves\u201d<\/em><br \/>\n<em>Sophia de Mello Breyner Andersen<\/em><\/p>\n<p>Em 2006,<strong> Maria Beth\u00e2nia<\/strong> oferece ao mundo uma obra dupla, composta por <strong><em>Mar de Sohpia<\/em><\/strong> e <strong><em>Pirata<\/em><\/strong>. A mesma cantora, declaradamente f\u00e3 de <strong>Sophia de Mello Breyner<\/strong>, que tantas vezes cantou o Mar da Bahia utilizando os versos da <strong>poeta<\/strong> exaltadora do mar de Portugal, j\u00e1 era uma das maiores divulgadoras da obra po\u00e9tica de <strong>Mello Breyner<\/strong> no Brasil.<!--more--><\/p>\n<p>Gra\u00e7as a <strong>Beth\u00e2nia<\/strong>, eu e tantas outras gentes tivemos interesse e acesso a uma obra t\u00e3o profunda quanto os setes mares reunidos, a obra de <strong>Sophia<\/strong>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maria Beth\u00e2nia - &quot;Mar Sonoro\/Yemanj\u00e1 Rainha do Mar&quot; (Ao Vivo) \u2013 Dentro Do Mar Tem Rio\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kzMh6AfF1aI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A minha indica\u00e7\u00e3o de leitura parte do livro <em><strong>No Tempo Dividido<\/strong><\/em>, republicado em 2013 pela editora portuguesa Ass\u00edrio &amp; Alvim. Por\u00e9m, infelizmente, como n\u00e3o temos um grande mercado de poesia em nosso Pa\u00eds, n\u00e3o vamos ter o prazer de ler as obras de <strong>Sophia<\/strong> em publica\u00e7\u00f5es individuais, como nas edi\u00e7\u00f5es bel\u00edssimas da Ass\u00edrio &amp; Alvim. Mas \u00e9 poss\u00edvel encontrar, em algumas livrarias brasileiras, obras importadas de <strong>Sophia<\/strong>, como a <em><strong>Antologia MAR<\/strong><\/em>, da Editora Portuguesa Caminho.<\/p>\n<h2>Leia a poesia:<\/h2>\n<p><strong>O POETA<\/strong><\/p>\n<p><strong>O poeta \u00e9 igual ao jardim das est\u00e1tuas<\/strong><br \/>\n<strong>Ao perfume do Ver\u00e3o que se perde no vento<\/strong><br \/>\n<strong>Veio sem que os outros nunca o vissem<\/strong><br \/>\n<strong>E a suas palavras devoraram o tempo<\/strong><\/p>\n<p>Para ler os <strong>poemas<\/strong> desse &#8211; ou de qualquer livro da poetas e poetisas portuguesas &#8211; \u00e9 preciso diminuir um pouco o ritmo de cidade t\u00e3o entranhado na gente. E permitir-se um pouco adentrar um outro movimento mais cadenciado, um movimento de onda.<\/p>\n<p>Mar, vento, e chuva s\u00e3o, sobretudo, os ingredientes principais dos poemas de <strong>Sophia<\/strong>. Os elementos em si, todos eles, de modo a ter, as palavras, textura de pedra, textura de \u00e1gua, textura de ar, textura de fogo. Neles, como tantas vezes tenho repetido aqui nessa coluna, o principal sentido do poema n\u00e3o \u00e9 significar, mas \u00e9 rebentar. Do mesmo modo que rebenta as ondas nas pedras.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o te chamo para te conhecer<\/strong><br \/>\n<strong>Eu quero abrir os bra\u00e7os e sentir-te<\/strong><br \/>\n<strong>Como a vela de um barco sente o vento<\/strong><\/p>\n<p>As dist\u00e2ncias, os sil\u00eancios. A quanto tempo voc\u00ea, leitora ou leitor, n\u00e3o para e se debru\u00e7a diante dos mist\u00e9rios magn\u00edficos da exist\u00eancia s\u00f3lida? Talvez, caso voc\u00ea j\u00e1 leia poetas e poetisas nossas &#8211; tais como Cec\u00edlia Meireles ou Manoel de Barros &#8211; voc\u00ea j\u00e1 tenha esse costume de ter contato com uma palavra engajada que mostra as composi\u00e7\u00f5es da natureza. Contudo, n\u00e3o se engane, temos mais a ver com pedra, mar, \u00e1rvore e bicho do que imaginamos. Mesmo, tantas vezes estando t\u00e3o longe, e nos deparando apenas com fuma\u00e7a, carros e muito asfalto.<\/p>\n<p><strong>No mar passa de onda em onda repetido<\/strong><br \/>\n<strong>O meu nome fant\u00e1stico e secreto<\/strong><br \/>\n<strong>Que s\u00f3 os anjos do vento reconhecem<\/strong><br \/>\n<strong>Quando os encontro e perco de repente.<\/strong><\/p>\n<p>Tudo resvala sensa\u00e7\u00e3o ao ler <strong>Sophia de Mello Breyner<\/strong>. Um convite para diminuir signific\u00e2ncias e, para quem tem o prazer\/privil\u00e9gio, sentar-se \u00e0 beira d\u00e1gua e deixar simplesmente as palavras escorrerem pelos dedos.<\/p>\n<p><strong>TARDE<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que eu queria dizer-te nesta tarde<\/strong><br \/>\n<strong> Nada tem de comum com as gaivotas<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MEDITA\u00c7\u00c3O DO DUQUE DE G\u00c2NDIA, Sophia de Mello Breyner Andresen - Ana Lu\u00edsa Amaral\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZKkWIC4iLwg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Nunca mais<\/strong><br \/>\n<strong> A tua face ser\u00e1 pura limpa e viva<\/strong><br \/>\n<strong> Nem o teu andar como onda fugitiva<\/strong><br \/>\n<strong> Se poder\u00e1 nos passos do tempo tecer.<\/strong><br \/>\n<strong> E nunca mais darei ao tempo a minha vida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nunca mais servirei senhor que possa morrer.<\/strong><br \/>\n<strong> A luz da tarde mostra-me os destro\u00e7os<\/strong><br \/>\n<strong> Do teu ser. Em breve a podrid\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong> Beber\u00e1 os teus olhos e os teus ossos<\/strong><br \/>\n<strong> Tomando a tua m\u00e3o na sua m\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nunca mais amarei quem n\u00e3o possa viver<\/strong><br \/>\n<strong> Sempre,<\/strong><br \/>\n<strong> Porque eu amei como se fossem eternos<\/strong><br \/>\n<strong> A gl\u00f3ria a luz o brilho do teu ser,<\/strong><br \/>\n<strong> Amei-te em verdade e transpar\u00eancia<\/strong><br \/>\n<strong> E nem sequer me resta a tua aus\u00eancia,<\/strong><br \/>\n<strong> \u00c9s um rosto de nojo e nega\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong> E eu fecho os olhos para n\u00e3o te ver.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nunca mais servirei senhor que possa morrer.<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_1200\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1200\" class=\"size-large wp-image-1200\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/09\/Sophia-de-Mello-Breyner-foto-624x429.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"378\" \/><p id=\"caption-attachment-1200\" class=\"wp-caption-text\">Sophia de Mello Breyner<\/p><\/div>\n<p>PS: Um outra excelente dica para quem ficou com vontade de conhecer mais a <strong>Sophia<\/strong>, a Biblioteca Nacional de Portugal fez um<strong><a href=\"http:\/\/purl.pt\/19841\/1\/index.html\"> site imenso<\/a><\/strong>, cheio de poemas, fotografias e informa\u00e7\u00f5es sobre a poeta, inclusive \u00e9 poss\u00edvel ver a mesma recitando seus versos.<\/p>\n<p><strong>**Talles Azigon<\/strong> \u00e9 poeta, editor e produtor cultura. J\u00e1 publicou os livros Tr\u00eas Golpes D\u2019\u00c1gua e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curi\u00f3 e do banho na Sabiaguaba. \u00c0 procura da poesia \u00e9 uma coluna semanal com coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros, autores e poemas. Leia mais poetas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talles Azigon* \u201cMeu desejo \u00e9 o rastro que ficou das aves\u201d Sophia de Mello Breyner Andersen Em 2006, Maria Beth\u00e2nia oferece ao mundo uma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1199,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[72,285,708,758,941,945,1089,1101],"class_list":["post-1198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-a-procura-da-poesia","tag-coluna","tag-livro","tag-maria-bethania","tag-poesia","tag-poeta","tag-sophia-de-mello-breyner","tag-talles-azigon"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1198\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}