{"id":1229,"date":"2017-09-20T05:00:12","date_gmt":"2017-09-20T08:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1229"},"modified":"2019-07-24T10:08:41","modified_gmt":"2019-07-24T13:08:41","slug":"coluna-procura-da-poesia-quando-vieres-ver-um-banzo-cor-de-fogo-de-nina-rizzi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/09\/20\/coluna-procura-da-poesia-quando-vieres-ver-um-banzo-cor-de-fogo-de-nina-rizzi\/","title":{"rendered":"Coluna \u00c0 procura da poesia: Quando vieres ver um banzo cor de fogo, da poeta Nina Rizzi"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ensaio de ci\u00fame\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y11Y8WgmA0M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em><strong>Por Talles Azigon*<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Poemas<\/strong> s\u00e3o bichos selvagens. Aparentemente dif\u00edceis de entender. Aparentemente estranhos. Aparentemente impenetr\u00e1veis. Por\u00e9m, poemas s\u00e3o f\u00e1ceis de comer. \u00c9 poss\u00edvel lamber um poema. \u00c9 f\u00e1cil. Voc\u00ea precisa a boca dos olhos, e ler em voz alta com os olhos da boca, nessa pequena receita abstrata est\u00e1 uma das poss\u00edveis chaves para ler poemas. \u00a0Recomendo que voc\u00ea fa\u00e7a esse exerc\u00edcio utilizando o livro <em><strong>Quando vieres ver um banzo com de fogo<\/strong><\/em>, da <strong>poeta Nina Rizzi<\/strong>.<!--more--><\/p>\n<p><strong>um livro na cabeceira que teimava<\/strong><br \/>\n<strong>n\u00e3o ser escrito ser inc\u00eandio a bordo<\/strong><br \/>\n<strong>quando vieres ver um banzo cor de fogo<\/strong><\/p>\n<p>Para leitura de qualquer uma das <strong>poemas<\/strong> desse livro (voc\u00ea n\u00e3o leu errado, \u00e9 uma <strong>poema<\/strong>) seria bom estar munido de uma lista de emo\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>1. A emo\u00e7\u00e3o de ter um corpo livre, um corpo com a possibilidade de ser beijado, chupado, lambido, comido, esfregado, mordido &#8211; entre outras boas coisas que s\u00f3 se pode fazer com o corpo.<\/p>\n<p><strong>o que vou fazer <\/strong><br \/>\n<strong>quando n\u00e3o restar sequer <\/strong><br \/>\n<strong>as paredes de te me esfregar?<\/strong><\/p>\n<p>2. A emo\u00e7\u00e3o de saber e sentir a emo\u00e7\u00e3o de ter no sangue, nas linhas do rosto, nos cabelos, nos dentes, no jeito de comer, falar, transar, amar, lutar, dormir, cantar. Tra\u00e7os gen\u00e9ticos de povos das Am\u00e9ricas pr\u00e9-colombiana, do mesmo modo, tra\u00e7os gen\u00e9ticos de povos da \u00c1frica.<\/p>\n<p><strong>Umas horas y listo<\/strong><br \/>\n<strong>quedas para o alto<\/strong><br \/>\n<strong>um rio para nasciso<\/strong><\/p>\n<p><strong>uns lugares sem olhos y<\/strong><br \/>\n<strong>me exorbita toda sangre<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; &#8211; at\u00e9 pura \u00e1gua negra<\/strong><\/p>\n<p><strong>fios brancos encarnados esparramados<\/strong><br \/>\n<strong>pela casaoca \u2013 y canta a casaoca \u00f3\u00f3ca<\/strong><br \/>\n<strong>o coyote ri! \u00c9 um selvagem y uiva y ri<\/strong><\/p>\n<p>3. A emo\u00e7\u00e3o de que toda vida humana \u00e9 explos\u00e3o, impon\u00eancia, for\u00e7a e possibilidade, incluindo nossa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&#8211;<strong> \u00e9 pr\u00e9ciso cuidar bem do cora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>te mando um salve enquanto<\/strong><br \/>\n<strong>os manos incendeiam uma viatura aqui na rua<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; \u00e9 preciso politizar a ferida<\/strong><br \/>\n<strong>com a m\u00e3o inteira acari\u00f1ar a chispa<\/strong><br \/>\n<strong>que arde fundo c\u00e1 dentro. d\u00e1-me tua m\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; \u00e9 preciso cuidar bem do cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Sabendo disso, podemos avan\u00e7ar nas entranhas desse livro. A <strong>Nina Rizzi<\/strong>, assim como sua xar\u00e1, Nina Simone, sente o jazz do ritmo e do som de suas palavras &#8211; de modo que recomendo a leitura em voz alta desse <strong>livro<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_985\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-985\" class=\"size-large wp-image-985\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/07\/nina-rizzi-624x840.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"740\" \/><p id=\"caption-attachment-985\" class=\"wp-caption-text\">Nina Rizzi<\/p><\/div>\n<p>Durante esse percurso voc\u00ea vai se deparar com a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra poema no g\u00eanero feminino, \u201cA poema\u201d, \u201cda poema\u201d, \u201cna poema\u201d. O motivo, eu diviso, mas n\u00e3o tenho certeza, por isso prefiro deixar com voc\u00eas essa resposta, quando voc\u00eas terminarem a leitura do mesmo.<\/p>\n<h2>Nina, a poeta<\/h2>\n<p>Esse livro vai funcionar melhor para as pessoas partidas. Sim, aquelas pessoas saudosas de amores, pessoas perdidas no meio da cidade grande, cheia de pol\u00edcia, viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m cheia de <strong>poesia<\/strong> e possibilidades de prazeres.<\/p>\n<p>Sendo uma pessoa partida, esse <strong>livro<\/strong>, cheio de dic\u00e7\u00f5es, cheio de diferentes formas e idiomas no uso da linguagem, \u00e9 ainda mais compreens\u00edvel. Ap\u00f3s a leitura de Quando vieres ver um banzo com de fogo, \u00e9 poss\u00edvel perceber: para compreender um livro de poemas precisamos apenas de um corpo e de um cora\u00e7\u00e3o (sejam eles naturais ou artificiais).<\/p>\n<p><strong>Veja mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/coluna-cartas-poetas-nosso-tempo-patricia-alves\/\">Coluna Cartas as poetas do nosso tempo: Patr\u00edcia Alves<\/a><\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/coluna-cartas-as-poetas-nosso-tempo-micheliny-verunschk\/\">Coluna Cartas as poetas do nosso tempo: Micheliny Verunschk<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Para adquirir o livro &#8211; essa pergunta pode surgir ap\u00f3s voc\u00ea jogar no google e n\u00e3o ach\u00e1-lo nas livrarias &#8211; voc\u00ea pode entrar na p\u00e1gina da escritora <strong>Nina Rizzi<\/strong> na loja virtual da Editora Patu\u00e1, que publicou <em><strong>Quando vieres ver um banzo cor de fogo<\/strong><\/em>. <strong><a href=\"http:\/\/www.editorapatua.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=232\">Veja aqui!<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>**Talles Azigon<\/strong> \u00e9 poeta, editor e produtor cultura. J\u00e1 publicou os livros Tr\u00eas Golpes D\u2019\u00c1gua e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curi\u00f3 e do banho na Sabiaguaba. \u00c0 procura da poesia \u00e9 uma coluna semanal com coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros, autores e poemas. Leia mais poetas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"POESIA COMO LUTA: 5 ESCRITORES QUE LEVANTAM BANDEIRAS EM VERSOS | EPIS\u00d3DIO 05 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2X1zIvHLS60?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talles Azigon* Poemas s\u00e3o bichos selvagens. Aparentemente dif\u00edceis de entender. Aparentemente estranhos. Aparentemente impenetr\u00e1veis. 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