{"id":1267,"date":"2017-10-04T06:30:45","date_gmt":"2017-10-04T09:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1267"},"modified":"2019-07-30T11:53:34","modified_gmt":"2019-07-30T14:53:34","slug":"coluna-procura-da-poesia-manoel-de-barros-e-seus-poemas-rupestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/10\/04\/coluna-procura-da-poesia-manoel-de-barros-e-seus-poemas-rupestres\/","title":{"rendered":"Coluna \u00c0 procura da poesia: Manoel de Barros e Poemas Rupestres"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1268\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1268\" class=\"size-large wp-image-1268\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/10\/manoel-de-barros-624x441.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"389\" \/><p id=\"caption-attachment-1268\" class=\"wp-caption-text\">Manoel de Barros<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Talles Azigon*<br \/>\n<\/strong>A poesia brasileira \u00e9 t\u00e3o imensa quanto nosso pa\u00eds-continente. Muitos sotaques, formas e modos atravessam a poesia. Possu\u00edmos uma po\u00e9tica t\u00e3o diversa quanto \u00e0s nossas esp\u00e9cies de aves e plantas.\u00a0Falando de p\u00e1ssaros e \u00e1rvores, <strong>Manoel de Barros<\/strong>, com ave no nome, \u00e9 uma esp\u00e9cie de doutor. O <strong><a href=\"http:\/\/www.revistabula.com\/2680-os-10-melhores-poemas-de-manoel-de-barros\/\">poeta<\/a><\/strong>, nascido em Cuiab\u00e1, \u00e9 cheio em si de pantanais, riachos, entre outras naturezas vivas.\u00a0<!--more--><\/p>\n<p><em><strong>\u00c9 por demais de grande a natureza de Deus.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E faz. No seu<strong><em> Poemas Rupestres,<\/em><\/strong> atrav\u00e9s dos sentidos, vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o e tato, sendo o paladar uma esp\u00e9cie de tato, e o olfato uma esp\u00e9cie de vis\u00e3o, ele comp\u00f5e com as palavras uma naturezinha toda particular, cheia de desimport\u00e2ncias.<\/p>\n<p><strong><em>Por forma que a nossa tarefa principal<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> era a de aumentar<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> o que n\u00e3o acontecia.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> (N\u00f3s era um rebanho de guris.)<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> A gente era bem-dotado para aquele servi\u00e7o<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> de aumentar o que n\u00e3o acontecia.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> A gente operava a domic\u00edlio e pra fora.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> E aquele colega que tinha ganho um olhar<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> de p\u00e1ssaro<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> Era o campe\u00e3o de aumentar os desacontecimentos.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> Uma tarde ele falou pra n\u00f3s que enxergara um<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> lagarto espichado na areia<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> a beber um copo de sol.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> Apareceu um homem que era adepto da raz\u00e3o<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> e disse:<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> Lagarto n\u00e3o bebe sol no copo!<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> Isso \u00e9 uma estult\u00edcia.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> Ele falou de s\u00e9rio.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> Ficamos instru\u00eddos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Poemas Rupestres<\/strong><\/em>, assim como os desenhos rupestres, seriam as formas iniciais da poesia &#8211; como ela nasce. No livro, esse nascer \u00e9 principalmente nas crian\u00e7as, que mesmo adquirindo a l\u00edngua materna de maneira geracional, n\u00e3o deixam de inaugurar uma nova linguagem sempre. A inf\u00e2ncia da vida e a inf\u00e2ncia da linguagem sempre unidas, a modo de dar poesia nesse encontro.<\/p>\n<p>Fa\u00e7a uma regress\u00e3o: qual a import\u00e2ncia do mundo f\u00edsico imediato que voc\u00ea aplicava na inf\u00e2ncia para a import\u00e2ncia aplicada hoje por voc\u00ea? Para inf\u00e2ncia e para os poemas essa import\u00e2ncia \u00e9 sempre maior.<\/p>\n<p><em><strong>Eu quis filmar o abandono do poste<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O livro &#8211; dividido em Can\u00e7\u00e3o do ver, Desenhos de uma voz e Carnaval &#8211; vai priorizando um dos sentidos em cada uma de suas partes. Divertido notar, talvez esse seja uma das tem\u00e1ticas principais desse livro, assim como o Alberto Caeiro, o <strong>Manoel de Barros<\/strong> parece que nos est\u00e1 dizendo que a vida, logo o mundo, s\u00f3 pode ser experimentado atrav\u00e9s desses nossos sentidos, que podem ser bastante primitivos e at\u00e9 ineficazes se colocados diante de algo mais elevado e sofisticado como a raz\u00e3o. Tanto, que em uma outra obra o mesmo poeta j\u00e1 havia escrito:<\/p>\n<p><em><strong>Pra meu gosto a palavra n\u00e3o precisa significar &#8211; \u00e9 s\u00f3 entoar.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A raz\u00e3o, ou o excesso da raz\u00e3o, na verdade atrapalharia a leitura dos poemas desse livro. O que, para n\u00f3s, \u00e9 at\u00e9 um grande al\u00edvio, um descanso.<\/p>\n<p><em><strong>O av\u00f4 despencou do alto da escada aos<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> trambolhos.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Como um arm\u00e1rio.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> O arm\u00e1rio quebrou tr\u00eas pernas.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> O av\u00f4 n\u00e3o teve nada.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> U\u00e9! arm\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um termo de compara\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Aqui em casa compara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m quebra perna.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> O av\u00f4 dementava as palavras.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Poemas Rupestres<\/strong> <\/em>\u00e9 um livro que promove uma educa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, pelo fato de ele nos convidar a usarmos os sentidos para experimentar o texto, n\u00e3o a raz\u00e3o e sua obsess\u00e3o sem\u00e2ntica. \u00c9 indicado que ao ler esse livro voc\u00ea sinta o cheiro das palavras, a voz das palavras, lamba as palavras e sinta o seu gosto, e at\u00e9 mesmo como o poeta, permita que a palavra gosme em voc\u00ea.<\/p>\n<h2>Conhe\u00e7a Manoel de Barros<\/h2>\n<p><strong>Manoel<\/strong> fez um percurso de formiga na literatura brasileira, nunca gostou de gravar entrevistas, preferia sempre responder tudo por escrito, n\u00e3o era dado a eventos, solenidades, homenagens, pr\u00eamios. Mesmo assim, se inscreveu t\u00e3o fortemente em nossa literatura que seria muito bom que voc\u00ea o conhecesse, e muito provavelmente esse movimento de ir em encontro a poesia de <strong>Manoel de Barros<\/strong> ser\u00e1 de deleite.<\/p>\n<p>Dica: Caso voc\u00ea tenha gostado do livro e do <strong>Manoel de Barros<\/strong>, indico um lindo poemadocument\u00e1rio chamado S\u00f3 dez por cento \u00e9 mentira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manoel de Barros - S\u00f3 Dez por Cento \u00e9 Mentira\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VG4P_mWWAI0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>**Talles Azigon \u00e9 poeta, editor e produtor cultura. J\u00e1 publicou os livros Tr\u00eas Golpes D\u2019\u00c1gua e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curi\u00f3 e do banho na Sabiaguaba. \u00c0 procura da poesia \u00e9 uma coluna semanal com coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros, autores e poemas. Leia mais poetas.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LIVROS DE POESIA S\u00c3O REALMENTE DIF\u00cdCEIS DE VENDER? | EPIS\u00d3DIO 06 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x1s4iuM7kCo?start=348&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talles Azigon* A poesia brasileira \u00e9 t\u00e3o imensa quanto nosso pa\u00eds-continente. Muitos sotaques, formas e modos atravessam a poesia. Possu\u00edmos uma po\u00e9tica t\u00e3o diversa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1268,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[72,285,687,744,939,940,1101],"class_list":["post-1267","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia","tag-a-procura-da-poesia","tag-coluna","tag-literatura-brasileira","tag-manoel-de-barros","tag-poemas","tag-poemas-rupestres","tag-talles-azigon"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1267"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6607,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1267\/revisions\/6607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}