{"id":1323,"date":"2017-10-11T04:10:24","date_gmt":"2017-10-11T07:10:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1323"},"modified":"2018-01-08T16:06:50","modified_gmt":"2018-01-08T19:06:50","slug":"coluna-literatura-e-mulher-jhumpa-lahini-e-o-xara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/10\/11\/coluna-literatura-e-mulher-jhumpa-lahini-e-o-xara\/","title":{"rendered":"Coluna Literatura e Mulher: Jhumpa Lahini e O Xar\u00e1"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1336\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1336\" class=\"size-large wp-image-1336\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/10\/Jhumpa-Lahini-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-1336\" class=\"wp-caption-text\">Jhumpa Lahini<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Alessandra Jarreta*<\/span><\/p>\n<p>Conheci <strong>Jhumpa Lahiri<\/strong> em 2014 quando ainda trabalhava em uma livraria, o que quer dizer que eu tinha acesso a milhares de livros e pouqu\u00edssimo tempo para l\u00ea-los. Odiava quando um cliente me pedia Dostoievski porque nunca acertava o jeito certo de escrever seu nome, e tinha s\u00f3 uma vaga no\u00e7\u00e3o sobre o conceito do pr\u00eamio Pulitzer. Foi ent\u00e3o que, durante aben\u00e7oado dia escalada para a organiza\u00e7\u00e3o de loja, me deparei com uma grande quantidade de um livrinho azul com uma \u00e1rvore na frente, incluindo um discreto \u201cVencedor do pr\u00eamio Pulitzer\u201d na parte superior. Comprei O int\u00e9rprete de males pela capa. Algo naquela \u00e1rvore me chamou a aten\u00e7\u00e3o, e o <strong>livro<\/strong> era fino, curto, algo f\u00e1cil de lidar durante os meus intervalos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Jhumpa Lahiri<\/strong> escreveu O int\u00e9rprete de males em 1999, uma colet\u00e2nea com nove contos de hist\u00f3rias sobre imigrantes indianos nos Estados Unidos, descendentes desses imigrantes e americanos visitando a \u00cdndia. Foi seu primeiro livro, escrito depois de ganhar <\/span><span style=\"font-weight: 400\">uma bolsa de sete meses na Fine Art Works Center of Provincetown, em\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cape_Cod\"><span style=\"font-weight: 400\">Cape Cod<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, para artistas e escritores. A autora possui ainda v\u00e1rias obras premiadas de fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, agraciadas pela critica e constantemente presentes nas listas dos mais vendidos.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jhumpa Lahiri | Sept 29, 2013 | Isabel Bader Theatre\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dFNEY7TNMq0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra de <strong>Jhumpa<\/strong> \u00e9 essencialmente autobiogr\u00e1fica. Assim como Gog\u00f3l, protagonista de <em><strong>O xar\u00e1<\/strong><\/em>, um jovem filho de imigrantes indianos confuso sobre o lugar a qual pertence, ficou sendo conhecida pelo seu nome de cria\u00e7\u00e3o. Seu nome \u201cbom\u201d, como se diz em bengali, \u00e9 Nilanjana Sudeshna Lahiri. Filha de indianos, nasceu em Londres e com apenas dois anos mudou-se para os EUA, onde o pai trabalhava como bibliotec\u00e1rio em uma universidade.<\/span><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m como seu her\u00f3i, passou a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia divida entre Rhode Island e Calcut\u00e1, gra\u00e7as ao desejo da m\u00e3e de n\u00e3o deixar os filhos perderem a conex\u00e3o com a sua cultura. Como fala a personagem Ashima em <em><strong>O Xar\u00e1<\/strong><\/em> \u201cSer estrangeira \u00e9 uma esp\u00e9cie de gravidez eterna \u2013 uma espera perp\u00e9tua, um fardo constante, um sentimento cont\u00ednuo de indisposi\u00e7\u00e3o.\u201d A obra de <strong>Jhumpa<\/strong> trata especialmente dessa discuss\u00e3o sobre o imigrante, t\u00e3o atual nos dias de hoje, e a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o conseguir reconhecer qual \u00e9 o seu lugar.<\/p>\n<h2>Conhe\u00e7a Jhumpa Lahini<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A autora foi nomeada pelo ex-presidente americano Barack Obama como membro do Comit\u00ea de Artes e Humanidades, cargo que renunciou logo ap\u00f3s a posse do presidente Trump, declarando que \u201cignorar seus coment\u00e1rios odiosos nos tornaria c\u00famplices das suas palavras e a\u00e7\u00f5es&#8221;. Formou-se em ingl\u00eas na Universidade de Boston, contribui com o jornal The New Yorker e hoje mora com o marido e os dois filhos em Roma, onde agora escreve principalmente n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o em italiano, l\u00edngua pela qual fora obcecada durante anos. Dividida desde a inf\u00e2ncia entre o ingl\u00eas e o bengali, surgiu na autora o desejo de pertencer a algo que n\u00e3o carregasse o peso da obriga\u00e7\u00e3o e da conveni\u00eancia:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma metamorfose total no meu caso. Posso escrever em italiano, mas n\u00e3o posso me tornar uma escritora italiana. Apesar de estar escrevendo esta frase em italiano, a parte de mim condicionada a escrever em ingl\u00eas perdura. Penso em Fernando Pessoa, um escritor que inventou quatro vers\u00f5es de si mesmo: quatro escritores separados e distintos, gra\u00e7as aos quais ele conseguiu ir al\u00e9m dos limites de si mesmo. Talvez o que eu estou fazendo, por meio do italiano, se assemelhe a sua t\u00e1tica. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se tornar outro escritor, mas pode ser poss\u00edvel tornar-se dois&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Curiosamente, sinto-me mais protegida quando escrevo em italiano, apesar de tamb\u00e9m estar mais exposta. \u00c9 verdade que uma nova linguagem me cobre, mas ao contr\u00e1rio de Daphne eu tenho uma cobertura perme\u00e1vel &#8211; quase n\u00e3o tenho pele. E embora eu n\u00e3o tenha uma casca grosseira, eu sou, em italiano, uma escritora mais forte e mais livre, que, criando novamente, cresce de uma maneira diferente&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><strong>*Alessandra Jarreta \u00e9 estudante de Letras da UFC, mediadora dos clubes de Leitura Nordestina, Leia Mulheres, Leituras Feministas, Clube do quadrinho e Lendo Cl\u00e1ssicos. Escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel sobre Mulher e Literatura.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alessandra Jarreta* Conheci Jhumpa Lahiri em 2014 quando ainda trabalhava em uma livraria, o que quer dizer que eu tinha acesso a milhares de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":3937,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[90,287,610,683,708],"class_list":["post-1323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura-estrangeira","tag-alessandra-jarreta","tag-coluna-literatura-e-mulher","tag-jhumpa-lahini","tag-literatura","tag-livro"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3943,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1323\/revisions\/3943"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}