{"id":1397,"date":"2017-10-25T09:45:51","date_gmt":"2017-10-25T12:45:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1397"},"modified":"2018-01-08T16:06:08","modified_gmt":"2018-01-08T19:06:08","slug":"coluna-literatura-e-mulher-mary-shelley-e-frankenstein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/10\/25\/coluna-literatura-e-mulher-mary-shelley-e-frankenstein\/","title":{"rendered":"Coluna Literatura e Mulher: Mary Shelley e Frankenstein"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mary Shelley: A Biography | Frankenstein | National Theatre at Home\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E4p96vqI3zA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Por Alessandra Jarreta*<\/strong><br \/>\nEm uma noite chuvosa no ver\u00e3o de 1816, uma garota de 19 anos inventou a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Seu nome era <strong>Mary Wollstonecraft Shelley<\/strong> e sua hist\u00f3ria sobre o Dr. <strong>Frankenstein<\/strong> e o incompreendido monstro cruzaria s\u00e9culos. O livro tornou-se um \u00edcone t\u00e3o grande na literatura que a fama dos personagens chega a ultrapassar a de sua autora.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 muito comum que as pessoas n\u00e3o saibam que uma <strong>mulher<\/strong> criou <strong>Frankenstein<\/strong>, como \u00e9 comum pensarem que o t\u00edtulo da obra refere-se ao monstro. Eu mesma s\u00f3 a descobri quando estava em uma daquelas fases onde tudo que se quer \u00e9 relaxar com um bom vampiro esbranqui\u00e7ado que empala as cabe\u00e7as de suas v\u00edtimas em lan\u00e7as, e resolvi ler outros cl\u00e1ssicos do g\u00eanero. Fiquei surpresa ao ler logo na primeira p\u00e1gina uma pequena biografia, longe de ser suficiente para abarcar a conturbada vida de <strong>Mary<\/strong>, mas que me deixou ainda mais interessada pela obra.<\/p>\n<p>Foi com ele que iniciei aqui em Fortaleza o projeto do<strong> Leia Mulheres<\/strong>, porque al\u00e9m de ser um <strong>livro<\/strong> fant\u00e1stico e empolgante, era um \u00f3timo exemplo de como autoras passam despercebidas pelos leitores. J\u00e1 li <strong>Frankenstein<\/strong> tr\u00eas vezes e espero ter a oportunidade de reler muitas mais, pois a obra s\u00f3 cresce a cada releitura. Apesar de ter sido escrita durante o s\u00e9culo 19, a sensa\u00e7\u00e3o que temos durante a leitura \u00e9 como se ela estivesse nos contando essa hist\u00f3ria agora, em 2017. Sua for\u00e7a \u00e9 impressionante.<\/p>\n<div id=\"attachment_1398\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1398\" class=\"wp-image-1398\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/10\/Mary-Shelley-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-1398\" class=\"wp-caption-text\">Mary Shelley<\/p><\/div>\n<p><strong>Mary Shelly<\/strong> foi uma mulher a frente do seu tempo. Come\u00e7ando por ser filha da feminista Mary Wollstonecraft, que publicou em 1792, poucos anos antes de sua filha nascer, a Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher, onde afirma, gra\u00e7as a Deus, serem as mulheres seres humanos merecedores dos mesmos direitos fundamentais garantidos aos homens. Apesar de ter morrido apenas dez dias depois do nascimento da filha, sua marca ficou. A jovem <strong>Mary<\/strong> foi criada e educada de maneira rica e liberal por seu pai, o fil\u00f3sofo William Godwin, que encorajava a filha estudar e a aderir seus ideais pol\u00edticos liberais, al\u00e9m de ter livre acesso a sua biblioteca e a conversar com outros intelectuais da \u00e9poca, como o ex-vice-presidente Aaron Burr.<\/p>\n<p>Apesar de ser um testemunho suspeito, <strong>Godwin<\/strong> descreveu sua filha aos 15 anos como \u201cuma mente ativa, um tanto imperativa e singularmente brilhante. Seu desejo de conhecimento \u00e9 grande, e sua perseveran\u00e7a em tudo o que empreende \u00e9 quase invenc\u00edvel\u201d.<\/p>\n<h2>Mary Shelley<\/h2>\n<p>A vida de <strong>Mary<\/strong> foi muito diferente do que se esperava das mulheres nascidas em 1797. Ainda na adolesc\u00eancia, teve um romance com um dos seguidores pol\u00edticos do seu pai, o poeta Percy Bysshe Shelly, que era casado. Ela foge com ele para uma viagem de carro\u00e7a e mula pela Fran\u00e7a e Su\u00ed\u00e7a, fica sem dinheiro algum, engravida, perde o filho prematuramente, tem um caso com um amigo do casal (por incentivo do pr\u00f3prio Shelly), defende o amor livre e casa-se com Shelly ap\u00f3s o suic\u00eddio da sua esposa.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Eaw2aQrghck<\/p>\n<p>\u00c9 fato incontest\u00e1vel que Mary Shelly foi uma grande escritora. A extensa lista de suas obras tem sua <strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_works_by_Mary_Shelley\">pr\u00f3pria p\u00e1gina na Wikip\u00e9dia<\/a><\/strong>, e \u00e9 triste que poucas delas tenham sido traduzidas no Brasil. Al\u00e9m do cl\u00e1ssico <strong>Frankenstein<\/strong>, que inaugura a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica contando a hist\u00f3ria de um homem que conseguiu criar uma estranha criatura dentro de um laborat\u00f3rio, e que tr\u00e1s a cl\u00e1ssica pergunta \u201cQuem \u00e9 o monstro e quem \u00e9 o homem?\u201d, al\u00e9m de outros conceitos filos\u00f3ficos, podemos destacar <em><strong>Mathilda<\/strong><\/em>, obra que trata de um romance incestuoso entre pai e filha e <strong><em>O \u00daltimo Homem<\/em><\/strong>, uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica apocal\u00edptica de<strong> Mary Shelley<\/strong> sobre um mundo futuro devastado por uma praga. Definitivamente, uma autora que vale a pena conhecer.<\/p>\n<p>\u201cTudo, menos eu, estava em paz ou em alegria. Eu, como o arqui-inimigo, trazia um inferno dentro de mim. Encontrando-me incompreendido, desejei arrancar as \u00e1rvores, espalhar ru\u00edna e destrui\u00e7\u00e3o ao meu redor e, ent\u00e3o, sentar-me e apreciar os destro\u00e7os.\u201d (<strong>Frankenstein<\/strong>)<\/p>\n<p><strong>*Alessandra Jarreta \u00e9 estudante de Letras da UFC, mediadora dos clubes de Leitura Nordestina, Leia Mulheres, Leituras Feministas, Clube do quadrinho e Lendo Cl\u00e1ssicos. Escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel sobre Mulher e Literatura.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alessandra Jarreta* Em uma noite chuvosa no ver\u00e3o de 1816, uma garota de 19 anos inventou a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Seu nome era Mary Wollstonecraft&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":3938,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[90,287,487,510,774,775],"class_list":["post-1397","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura-estrangeira","tag-alessandra-jarreta","tag-coluna-literatura-e-mulher","tag-ficcao-cientifica","tag-frankenstein","tag-mary-shelley","tag-mary-wollstonecraft-shelley"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1397"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1397\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3942,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1397\/revisions\/3942"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3938"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}