{"id":1422,"date":"2017-11-02T06:00:03","date_gmt":"2017-11-02T09:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1422"},"modified":"2019-07-16T14:32:41","modified_gmt":"2019-07-16T17:32:41","slug":"leia-cronica-como-sao-feitas-cachoeiras-da-escritora-ayla-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/11\/02\/leia-cronica-como-sao-feitas-cachoeiras-da-escritora-ayla-andrade\/","title":{"rendered":"Leia a cr\u00f4nica &#8216;Como s\u00e3o feitas as cachoeiras?&#8217;, da escritora Ayla Andrade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1288\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1288\" class=\"size-large wp-image-1288\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/10\/tumblr_n6c2mlMps81tq6aaco1_1280-624x692.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"610\" \/><p id=\"caption-attachment-1288\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00e9ssica Gabrielle Lima<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Ayla Andrade*<\/strong><br \/>\n<strong>Como s\u00e3o feitas as cachoeiras?<\/strong><\/p>\n<p>Quando os rios s\u00e3o jovens, as alturas imensas e as gotas de chuva se acumulam embaixo da terra nascem as cachoeiras.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a resposta mais r\u00e1pida, objetiva e sint\u00e9tica e que pode responder a curiosidade instant\u00e2nea de qualquer um. A cachoeira nasce de solos imperme\u00e1veis, len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, reservat\u00f3rios aqu\u00edferos e, acredito eu, que todos esses termos n\u00e3o a suportam em sua forma cadente, flutuante.<!--more--><\/p>\n<p>Mas como uma cachoeira se torna uma cachoeira? Quando tem, enfim, a cachoeira barulho de cachoeira que se reconhece ao longe?<\/p>\n<p>E quando, ent\u00e3o, ela pode se chamar cachoeira? \u00c9 de alturas muitas? Tem que ter v\u00e9u de noiva ou uma queda onde se morre \u00e9 suficiente para que se chame cachoeira?<\/p>\n<p>Onde a cachoeira se torna eterna e pode enfim ilustrar os livros da 3\u00ba s\u00e9rie? Como ent\u00e3o se reconhece a cachoeira como beleza, pauta para os poetas, ponto de encontro dos apaixonados, selfie de turista? E coragem para pular de cabe\u00e7a no v\u00e3o da cachoeira?<\/p>\n<p>A cachoeira isenta a tudo isso vai inundando o oco das rochas, arrendondando as pedras, criando limo, lustrando o que antes era ponta. Em tremenda for\u00e7a que gera, rompe, cai e aprofunda.<\/p>\n<p>Nas cidades as cachoeiras s\u00e3o de ch\u00e3o, de esgotos, de marquises, resvalam para al\u00e9m do limite das cal\u00e7adas quando atravessadas por \u00f4nibus maiores que elas pr\u00f3prias.<br \/>\nH\u00e1 alguma beleza nas cachoeiras urbanas n\u00e3o fossem a falta de clareza de suas \u00e1guas, algum mau cheiro e o indesejado banho que, por vezes, elas provocam.<\/p>\n<p>A cachoeira veio parar hoje nessa cr\u00f4nica. Frequentemente pergunto ao meu filho sobre o que ele falaria na cr\u00f4nica da semana. \u00c1s vezes ele responde, \u00e1s vezes n\u00e3o. \u00c1s vezes ele mesmo me pergunta \u201cvoc\u00ea t\u00e1 escrevendo a cr\u00f4nica \u00e9, mam\u00e3e?\u201d. Dessa feita, como de rompante, como cachoeira cheia, jorrou essa: escreve sobre como s\u00e3o feitas as cachoeiras.<\/p>\n<p><strong>Ayla Andrade<\/strong><br \/>\n<strong>novembro, 2017<\/strong><\/p>\n<p>*Ayla Andrade \u00e9 assistente social, cronista, contista e amante do cotidiano. Ela j\u00e1 publicou o livro Mais feliz dos sil\u00eancios (Editora Subst\u00e2nsia, 2014) e publicou contos em algumas antologias, entre elas Encontos e desencontos, Antologia Massanova e O cravo roxo do Diabo: o conto fant\u00e1stico no Cear\u00e1.<\/p>\n<p>https:\/\/open.spotify.com\/episode\/4E8R7dk8mj2RWMTjLKAn54?si=AIAkIfjXTk-6877U64qXDA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ayla Andrade* Como s\u00e3o feitas as cachoeiras? 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